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Editorial

‘Especialistas’

Por Portal Agora
‘Especialistas’

Se tem algo fascinante na internet é a quantidade de especialistas. Basta surgir uma polêmica sobre determinado assunto e pronto: todos automaticamente se transformam em “sommeliers” da pauta da semana. Isso sem contar na “turma do julgamento” que, além de emitir suas opiniões sem qualquer conhecimento da causa, ainda apontam e julgam o que deveria ou não ter sido feito e o que pode ou não ser feito. Toda vez que se fala em comportamento na internet e o quanto isso afetou e afeta o coletivo, é impossível não pensar em Umberto Eco, que foi cirúrgico quando disse: “As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade”. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel”. Sim, no fundo — ou melhor, no raso  —, as redes sociais são apenas um enorme espaço para imbecis e pseudoespecialistas fazerem seus discursos bonitos, mas que, na verdade, não passam de meros palhaços usados como massa de manobra. 

A pauta da última semana, a Reforma Tributária, exemplifica essa situação. Mesmo sem entender o assunto ou sequer o que estava acontecendo, bastou ela ser aprovada na Câmara dos Deputados para a internet receber uma enxurrada de opiniões, sendo a grande maioria equivocada. Um assunto complexo, não por acaso foram três décadas para ser apreciada e votada, caiu nas mãos dos ditos “especialistas de plantão” e foi o suficiente para gerar, mais uma vez, um caminhão de fake news e causar certo desconforto. Como exemplo disso, houve comentários de que a cesta básica iria subir, mas é justamente ao contrário, conforme especialistas em economia, estes, de verdade. Bastou um assunto mais delicado, de interesse nacional, ser pautado para que os “falsos” entrassem em ação e fizessem o que fazem de melhor: causar pânico. O que mais chama a atenção não é a atuação do “gabinete do ódio” e da desinformação, porque este está apenas cumprindo – e muito bem – o seu papel de causar pânico,  mas, sim, do brasileiro, que segue apenas acreditando, curtindo e compartilhando sem o menor interesse em entender o assunto. 

Seria demais pedir que o povo pesquisasse sobre qualquer coisa antes de compartilhar, de emitir opinião ou minimamente se silenciasse perante algo que não entende, não domina. Emitir opinião errada, equivocada e acreditar no primeiro discurso que agrada aos ouvidos, isso, sim, é mais importante. E a grande questão no entorno deste dilema que afeta a sociedade desde o boom da internet é: até quando esse tipo de “especialista” vai achar que precisa ter opinião sobre tudo? Que precisa lacrar? Se posicionar? Que dia a população vai entender que está tudo bem não ter um posicionamento sobre determinado assunto, principalmente se não entende? Que um fato não vale mais uma opinião? Quando os brasileiros vão entender que muitas vezes se ganha apenas com o silêncio? E, que este silêncio que na maioria das vezes é a melhor resposta e pode salvar um país?

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