Setembro Amarelo alerta sobre depressão e suicídio

Maria Tereza Oliveira
A luta de prevenção contra o suicídio recebe maior atenção no mês de setembro. Isso porque o Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza o ‘Setembro Amarelo’, uma campanha voltada ao diálogo sobre o suicídio para conscientizar e prevenir o autoextermínio.
O “Teia Vita: Grupo de Trabalho de Valorização da Vida e Suicidologia” é responsável por inúmeras campanhas preventivas a este tipo de morte na cidade.
Formado por alunas do mestrado e professora da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), o Agora ouviu membros do grupo para esclarecer acerca do tema.
O grupo afirma ser importante falar sobre os diversos transtornos psicológicos, sendo um deles a depressão, e sobre os comportamentos autolesivos, como o suicídio, pois existem muitos mitos envolvendo os mesmos.
— Porém, primeiramente é importante considerar que não há um único fator casual para o suicídio. Ele é um fenômeno complexo e multifacetado — explica a fisioterapeuta, Daniela Aparecida de Faria.
Suicídio e depressão são temas que ainda são vistos como tabu na sociedade. As pessoas ainda têm resistência em tocar nesses assuntos e muitas sequer encaram a depressão como uma doença.
Segundo dados do CVV, 90% dos suicídios poderiam ser evitados com ajuda psicológica. Aproximadamente 60% das pessoas que morrem desta maneira não buscam ajuda.
Depressão x suicídio
A coordenadora do projeto, professora Nadja Cristiane Lappann Botti, contou que é importante romper o silêncio.
— O suicídio é um tema complexo que envolve uma multiplicidade de fatores e facetas e que precisa ser abordado com delicadeza e sensibilidade. O fenômeno, apesar de estar entre nós, ser percebido, sentido, pensado, em geral não é falado. Se trata de uma morte que pode ser evitada e o primeiro passo é falar no assunto — explicou.
O grupo esclarece que, apesar de ser um dos fatores, a depressão não é a única causa que leva ao suicídio.
— Não se trata de uma relação causa e efeito. Nem todas as pessoas que têm depressão irão tentar suicídio. Mas falar sobre os temas ajuda na prevenção porque oportuniza que as pessoas busquem ajuda — destaca a psicóloga Érica Domingues de Souza.
Quebrando o tabu
Há certo receio em debater sobre o suicídio. O grupo diz que ainda existe o tabu em se debater o assunto.
— É mito dizer que não devemos falar sobre suicídio porque isso aumenta o risco. Muito pelo contrário, falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem — justifica a psicóloga Michele Mariano Rodrigues.
O grupo afirma que atualmente o suicídio é considerado uma epidemia silenciosa.
— O autoextermínio não é um ato isolado e sem consequências e tem sido um tabu por longo tempo. Como acontece com todos os nossos tabus, existe uma série de mitos com relação a esta morte — alertou Nadja.
O grupo conta que falar é a melhor forma de abordagem nesses casos. Segundo o Teia Vita é importante dissertar sobre os mitos e as verdades que cercam o assunto.
— Falar alivia dores emocionais e desta forma conseguimos oportunizar que as pessoas reelaborem situações de sofrimento — pontua Daniela.
O suicídio na cidade
De acordo com as pontuações da Organização Mundial da Saúde (OMS), Divinópolis não tem alto índice de suicídios. O que preocupa é que eles vêm crescendo de maneira progressiva e constante, inclusive em faixas etárias como infância e adolescência.
Dados epidemiológicos em Divinópolis: De 2011 a 2016 a taxa de suicídio no município subiu de 4 a cada 100 mil habitantes para 16 a cada 100 mil.
— O grupo de trabalho de valorização da vida realiza ações em três vertentes: pesquisa, estudo e intervenção. O estudo é um grupo aberto a todos profissionais e a comunidade onde são discutidos temas teóricos da Suicidologia — explicou Érica.
De acordo com o Teia Vita, a intervenção é realizada mediante as demandas que vão chegando até o grupo.
— Já foram realizados treinamento com agentes comunitários de saúde e com diversos profissionais de nível superior, como psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e pedagogos em Carmo do Cajuru, Itaúna e Divinópolis — revela Michele.
Efeito Werther
Divinópolis é uma das cidades com maior índice de suicídio na região. As mortes não são noticiadas por questões éticas. O motivo é o chamado efeito Werther.
Comprovado cientificamente, o efeito Werther é chamado de “suicídio por imitação”. Após estudos, foi concluído que suicídios se tornam mais comuns quando divulgados pela mídia.
Por esse motivo, a OMS desaconselha que a mídia exponha métodos ou processos de suicídio.
Mente e corpo enfermos
As doenças psicológicas em geral não recebem a devida atenção, em muitos casos as pessoas não procuram ajuda profissional para lidar com os problemas.
Entretanto, essas doenças podem causar inúmeros danos para mente e também para o corpo de quem sofre com essas enfermidades.
A ansiedade, por exemplo, caso não seja controlada pode contribuir para o surgimento de inúmeras doenças psicossomáticas, como por exemplo, gastrite, úlceras, colites, taquicardia, hipertensão, cefaleia e alergias.
A depressão também pode levar a inúmeros problemas físicos, principalmente, doenças cardiovasculares. Além de osteo-articulares, diabetes mellitus e problemas da tireóide. Caso não tenha acompanhamento, a depressão pode levar a pessoa a tirar a própria vida.
Dados preocupantes
A falta de diálogo talvez seja um dos principais responsáveis pelos dados cada vez mais alarmantes da Organização Mundial da Saúde (OMS).
De acordo com a OMS, a cada 40 segundos uma pessoa põe fim na própria vida. Só no continente americano, são mais de sete mortes por suicídio a cada hora.
O suicídio é a 2ª principal causa de mortes no mundo para pessoas com idades entre 15 e 29 anos. 65% dos casos ocorrem em países de baixa e média renda.
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