Setembro Amarelo: tentativas de suicídio crescem em Divinópolis
Ígor Borges
Durante todo o ano, diversas campanhas e ações são realizadas a fim de conscientizar acerca de temas específicos. Uma das temáticas abordadas durante o mês de setembro, é a da prevenção ao suicídio. Neste período, existe a campanha do “Setembro Amarelo”.
As ações ocorrem mundo a fora. Em Divinópolis não é diferente, e diversos órgãos públicos abordaram o tema durante o mês. As atividades em prol da causa se tornam necessárias, uma vez que, segundo balanço divulgado pela Prefeitura, as tentativas de suicídio aumentaram em levantamento realizado em 2023.
O Agora conversou com a psicóloga especialista na área, Daniela Veríssimo. Ela revela as razões que acarretam nesta prática. A profissional também abordou os cuidados necessários ao se falar sobre o tema.
Suicídio em Divinópolis
A Vigilância Epidemiológica, da Prefeitura de Divinópolis, divulgou na última sexta-feira, 15, um balanço sobre casos de tentativas de suicídio notificados até julho de 2023. De acordo com a nota, foram 59 notificações de “violência autoprovocada”.
Este número é 47,5% maior do que no mesmo período do ano passado, quando 40 casos foram notificados.
Das 59 tentativas de suicídio na cidade, 38 são mulheres e 21 de homens. Além disso, o boletim ainda informa que 16 menores de idade e dois idosos tentaram tirar a própria vida neste ano.
Conselhos e abordagem da temática
A psicóloga Daniela Veríssimo fala da importância e relevância do tema. De acordo com ela, a dificuldade de tratamento é grande.
— A dor emocional é, talvez, a dor mais difícil de ser tratada por falta de informação. E tem levado muitas pessoas a desistir da vida por não saberem como lidar com ela — destacou.
A psicóloga enfatiza que a principal forma de ajudar alguém que passa por problemas psicológicos é acolher. Ela revelou alguns sinais que pessoas com dores psíquicas dão.
— Insônia, irritabilidade, desânimo para realizar tarefas que antes eram rotineiras, e isolamento social são sinais visíveis deste problema. Caso esses sintomas persistam por várias semanas, é necessário intervenção — comentou.
A profissional reforça que a depressão é a principal causa das tentativas de autoextermínio. Ela conta que as causas da doença não são totalmente exatas, mas que mesmo assim, aponta algumas razões.
— Algumas pesquisas indicam que o risco de depressão resulta da influência de vários genes que atuam em conjunto com fatores ambientais, sedentarismo, dieta desbalanceada, vícios e abuso de álcool e drogas, genética ou histórico familiar — comentou.
Ela ainda ressalta que um fator agravante nos últimos anos foi a pandemia, que resultou no isolamento social e em vários lutos a serem enfrentados.
Ações na cidade
Diversas atividades estão sendo realizadas pela cidade. A Prefeitura promove ações em variados setores.
Um exemplo foi o “I Festival de Pipas pela Vida: Setembro Amarelo”, realizado pela Residência Multiprofissional em Saúde do Adolescente (Remsa) do Icaraí.
O festival foi realizado em um campo próximo à Escola Estadual São Francisco de Paula. O público alvo foram os participantes do Grupo Teen, que ocorre semanalmente na unidade de saúde do bairro.
Nesta terça-feira, 19, servidores que exercem suas funções no Centro Administrativo se vestiram de roupas amarelas durante o dia. A iniciativa foi da Secretaria de Administração (Semad), e levou o nome de “Onda Amarela de Empatia”.
Um momento de espiritualidade e união foi realizado nesta quarta-feira, 20, para familiares dos pacientes e colaboradores no Hospital São Bento Menni.
As atividades foram voltadas para saúde mental, o que trouxe maior possibilidade de auto investimento, transformação e coragem.
Sobre a campanha
O “Setembro Amarelo” teve origem em 1994, nos Estados Unidos, quando o jovem de 17 anos, Mike Emme cometeu suicídio. Seus familiares e amigos não percebiam que ele passava por problemas psicológicos, e sua morte não pôde ser evitada.
O amarelo vem de uma habilidade de Mike, que restaurou um carro Mustang 68, e o pintou de amarelo. O automóvel ficou conhecido como “Mustang Mike”.
Em seu funeral, cartões e fitas amarelas foram distribuídas. Em uma delas, havia a frase “Se você precisar, peça ajuda!”.
No Brasil, a campanha teve início em 2015. O projeto foi um trabalho do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) .
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