O autismo ainda carece de uma inclusão de amor, aponta ativista

Da Redação
Cada mês, uma cor. E em cada cor, uma luta. No mês de conscientização do Transtorno do Espectro Autista (TEA), o Agora conversou com a ativista que luta pela causa há mais de 10 anos, Skarlait Neves. Para ela, apesar dos notórios avanços, ainda há muito a ser conquistado quanto à inclusão das pessoas com diagnóstico de autismo.
O transtorno do desenvolvimento afeta, em grande parte, a comunicação, a interação social e o comportamento. Mesmo diante de lutas incansáveis como a de Skarlait, que recebeu o diagnóstico de autismo para as três filhas, o caminho da conscientização sobre a condição ainda é longo.
No entanto, nos últimos anos, tem aumentado significativamente a conscientização sobre o tema, graças aos esforços de organizações como a ONG Céu Azul, pesquisadores, profissionais de saúde, pais e cuidadores de pessoas com o transtorno. O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, é uma oportunidade para destacar a importância da educação sobre o autismo.
— Com relação à inclusão sobre o autismo, sobre esse mês da conscientização, nós, enquanto sociedade, temos avançado muito sobre os esclarecimentos, mas muito ainda precisa ser esclarecido. Isso porque a sociedade ainda não entende que uma criança que possui uma deficiência não é sindrômica. Um de nossos maiores desafios é a falta dessa figura visual para a sociedade. A sociedade ainda busca que a pessoa com deficiência tenha uma feição sindrômica e o autismo não tem. Então, nós, enquanto família, enquanto instituição, precisamos falar ainda mais sobre autismo. Precisamos ainda falar sobre suas particularidades e, claro, a informação liberta. Ela faz com que a inclusão se torne leve e não maçante. Então, nós estamos avançando, sim — define Skarlait.
Aumento da prevalência
De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a taxa de prevalência do autismo aumentou significativamente nas últimas décadas, e atualmente afeta cerca de 1 em cada 54 crianças nos Estados Unidos. No Brasil, a taxa segue quase a mesma proporção, como pontuou a ativista e estudiosa do assunto.
— Hoje nós sabemos que um a cada 36 nascidos, um é autista. Então essa perspectiva desse aumento do diagnóstico vem também com a orientação. Os médicos têm orientado cada vez mais. A sociedade tem buscado, os comércios têm nos buscado também para capacitar seus funcionários a receber esse público que tem essa adversidade. Então, nós precisamos ainda evoluir. O autismo ainda carece de uma inclusão, de amor — pontuou a presidente da ONG.
Condição complexa e variável
Embora o autismo ainda seja mal compreendido em muitas partes do mundo, os avanços na pesquisa e na conscientização sobre a condição tem ajudado a aumentar a compreensão. Além disso, muitas organizações e grupos de apoio estão trabalhando para promover a inclusão de pessoas com autismo em escolas, no local de trabalho e na comunidade em geral.
Trata-se de uma condição complexa e variável, que afeta cada pessoa de maneira única e apresenta diferentes graus de gravidade. Embora muito ainda precise ser feito para garantir que as pessoas com autismo recebam o suporte e a compreensão necessários, a crescente conscientização quanto ao tema é um passo na direção certa.
— À medida que mais pessoas aprendem sobre o TEA e se tornam mais conscientes das necessidades das pessoas com autismo, esperamos ver mais mudanças positivas na maneira como a condição é compreendida e tratada dentro da sociedade — finalizou Skarlait.
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