Carregando clima…
Cidades

Agentes anunciam paralisação pelo não pagamento do piso

Por Portal Agora
Agentes anunciam paralisação pelo não pagamento do piso

 

Matheus Augusto

Mãos levantadas, paralisação aprovada. Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e os Agentes de Combate a Endemias (ACE) decidiram, em assembleia extraordinária na noite de terça na sede do Sindicato dos Trabalhadores  Municipais de Divinópolis (Sintram), pela paralisação e protesto na porta do Centro Administrativo da Prefeitura na próxima quarta-feira, 16. Uma “operação tartaruga" também foi aprovada. 

A presidente do sindicato, Luciana Santos, comentou sobre os próximos passos, que envolvem a notificação dos órgãos oficiais sobre a decisão.

— É um absurdo o que o governo Gleidson/Janete vem fazendo com os servidores municipais. O prefeito comete crime de responsabilidade quando se nega a pagar o piso salarial dos ACS’s e dos ACE’s, conforme determina a Constituição Federal. Os agentes não querem nenhum privilégio, eles só querem o que é deles por direito. É preciso que a população entenda que o errado nessa história é o prefeito que se nega a fazer o que é correto, e insiste nessas manobras. O Sintram vai oficiar a Prefeitura e a Polícia Militar (PM) para que a paralisação da categoria no dia 16 transcorra dentro da normalidade e de forma pacífica. Tudo será feito conforme a lei manda — destaca.

Contexto

Em maio deste ano, o governo federal aprovou a Emenda Constitucional 120, fixando o piso salarial da categoria em dois salários mínimos - no valor atual, R$ 2.424,00. A categoria alega que o Executivo manteve os padrões anteriores e, para alcançar o previsto na determinação, fazia um complemento salarial. 

— O Complemento não entra nos cálculos para as progressões e benefícios previstos no Plano de Carreira, ocasionando prejuízos financeiros aos servidores — ressaltou o sindicato em oportunidade anterior.

Legislativo e Executivo

Enquanto a insatisfação sobre o tema cresce entre os servidores, a Prefeitura reforça que  o pagamento depende da aprovação do Projeto de Lei 63/2022. O texto autoriza a abertura do crédito adicional suplementar de R$ 16,9 milhões, dos quais R$ 6,1 são destinados ao pagamento da categoria. De acordo com a atual Administração, como o piso foi aprovado em maio, o recurso não está previsto no orçamento deste ano. Por isso, a necessidade de inclusão do recurso adicional.

— Não há legalidade para efetuar o pagamento dos salários devido a esta falta de previsão orçamentária. Para que haja a legalidade é necessária a aprovação do projeto de lei mencionado anteriormente. (...) A gestão não quer atrasar o salário de nenhum servidor, mesmo neste caso não sendo por responsabilidade do Executivo, mas o pagamento depende exclusivamente da aprovação do projeto na Câmara — justificou a vice-prefeita, Janete Aparecida, em reunião com os servidores.

O projeto encontra-se, atualmente, sobrestado pelo vereador Roger Viegas (Republicanos). Ele já expressou flexibilidade para retirar o prazo para a proposta ser colocada em votação. No entanto, na última sexta, a categoria presente na sede do Sintram decidiu por manter o texto engavetado e judicializar a questão.

Cobrança

Na Câmara, o tema tem sido recorrente nos discursos dos vereadores, inclusive com a presença de agentes no Plenário. Na terça, os parlamentares voltaram a defender o pagamento do piso à categoria e repudiar o comentário recente do prefeito Gleidson Azevedo (PSC) ao chamar de “laranjas podres” aqueles que supostamente tentam obstruir a votação do projeto. 

Concursada há 12 anos, Isabel Maria de Sousa cobrou respeito aos servidores e o cumprimento do piso. 

— Nos sentimos ofendidos com o descumprimento com o qual a categoria tem sido submetida, quando, ao lutarmos pelo que nos é de direito, somos chamados de baderneiros, arruaceiros e laranjas podres — rebateu.

Autor do pedido de sobrestamento, Roger Viegas reforçou a necessidade de respeitar o direito garantido nacionalmente à classe. 

— Eles querem apenas o que foi prometido pela campanha, prefeito, a valorização da classe, coisa que não vem tendo — afirmou.

A presidente da Comissão de Saúde da Câmara, Zé Braz (PV), compartilhou sua empatia pelas classes.

— A luta não é fácil. A gente reivindicar nossos direitos é a coisa mais difícil, principalmente quando a gente não tem o apoio onde se espera. (...) Essa luta é nossa e, com certeza, vamos vencer — garantiu.

Outros parlamentares também expressaram apoio aos agentes, inclusive sugerindo a responsabilidade judicial do prefeito e alegando que há tentativas de culpar vereadores e servidores pelo não pagamento do piso. 

 

 

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…