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Agentes de segurança pública participam de manifestação em BH

Por Portal Agora
Agentes de segurança pública participam de manifestação em BH

 

Bruno Bueno

Servidores das forças de segurança pública do Estado, como policiais civis, militares, penais, bombeiros e outros, participaram ontem de uma manifestação gigantesca em Belo Horizonte. A categoria cobra recomposição salarial e rejeição ao regime de recuperação  fiscal. 

De acordo com apuração do Agora, o protesto contou com a presença de agentes de Divinópolis e outras cidades da região Centro-Oeste. Uma fonte ligada a policiais da reserva informou que pelo menos dois ônibus saíram da cidade. A assessoria do 7º Departamento de Polícia Civil também confirmou a presença de servidores locais na manifestação.

 

O ato

O protesto, realizado próximo à praça da Estação, teve início por volta de 9h. Os membros de Divinópolis e outras cidades do interior se juntaram a agentes de Belo Horizonte. As caravanas partiram de Governador Valadares, Itabira, Uberlândia, Barbacena, Pará de Minas, Divinópolis e muitos outros. 

Não houve registro de protestos pelo interior mineiro. A previsão da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra-MG) é que o protesto tenha reunido até 20 mil pessoas, 6 mil delas vindas do interior.

 

Sindicatos

A manifestação foi convocada por diversos sindicatos nas últimas semanas. O Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol/MG) foi um deles.

— O Sindpol/MG convoca toda a categoria para comparecerem à Mega Manifestação das Forças da Segurança Pública de Minas para lutar pela recomposição salarial das perdas inflacionárias e contra o Regime de Recuperação Fiscal. Juntos somos mais fortes — disse.

A Associação dos Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais (AOPMBM) também se pronunciou.

— O objetivo, mais uma vez, é cobrar do Governo de Minas a justa recomposição salarial das Forças de Segurança Pública que não têm esse direito garantido desde 2015. A mobilização vai trabalhar também a rejeição ao Regime de Recuperação Fiscal que é perverso para os militares e toda classe dos servidores públicos — relatou.

 

Um projeto de lei enviado à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) previa uma recomposição de 41% para a remuneração dos profissionais. O pagamento seria dividido em três parcelas: uma em julho de 2020, uma em setembro de 2021 e outra em setembro de 2022. Porém a pauta não foi levada adiante.

 

Estado

O Estado se pronunciou sobre o protesto. De acordo com a assessoria de comunicação, o Executivo está discutindo com os profissionais da categoria para chegarem em um acordo.

— A atual gestão reconhece a importância dos profissionais. Por isso, eles receberam reajuste de 13% em 2020. Além disso, foram os primeiros profissionais a receberem o salário em dia. Continuamos em amplo processo de negociação com os representantes dessas categorias na busca de uma nova recomposição, porque sabemos que ela é necessária — enfatizou.

A pasta detalhou como o processo está sendo realizado.

— A renegociação da dívida bilionária com a União, por meio do plano de recuperação fiscal, permitirá uma nova recomposição dos salários dos profissionais de segurança. Continuamos em busca de outras alternativas para fazer a reposição das perdas inflacionárias — esclareceu.

 

Repercussão

A manifestação policial gerou repercussão nas redes sociais. Em uma publicação do Agora, o advogado Eduardo Augusto questionou se há manobra política no processo.

— Recomposição é direito. Mas fico pensando por onde andaram os políticos que agora aparecem como salvadores e que serão candidatos? (...) Zema deve dar recomposição e, se não der, perderá eleição. Parece tudo muito programado, vocês não acham? Meu respeito aos policiais que merecem, sim, a recomposição, mas não merecem ser usados de manobra política — afirmou.

Vitalino Pereira também encorajou as manifestações.

— Que Deus abençoe os guerreiros e que a justiça da reposição salarial seja efetivada. É justo e digno a reposição do salário do profissional que defende o cidadão de bem com o risco de sua própria vida — disse.

 

Educação

Os servidores estaduais da Educação também se preparam para uma grande paralisação no dia 8 de março. O principal pedido é que o governador Romeu Zema (Novo) pague o piso da categoria definido por lei. A informação foi confirmada pelo Sind-UTE (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais). 

 

A professora Denise Romano, coordenadora-geral do sindicato, explicou, em nota divulgada à imprensa na semana passada,  que as paralisações devem acontecer em todas as cidades do Estado.

— Aprovamos um indicativo de greve para o dia 8 de março. O governo tem esse dia para cumprir a legislação de Minas Gerais. Nós temos direito e não vamos abrir mão. Desde 2017 o nosso salário está congelado. O governo não praticou nenhum reajuste de piso — pontuou.

 

Divinópolis

A paralisação de servidores da rede estadual de ensino deve atingir Divinópolis. A representante do SindUTE no município, Maria Catarina Laborê, informou que o sindicato já se reuniu com servidores de escolas estaduais da cidade para convencê-los a aderir à greve.

— Nós estamos visitando as escolas. A categoria precisa responder essa convocação de paralisação, que já foi deliberada em assembleia, porque o tempo já urge para nós. No dia 5 de abril já vence o prazo eleitoral para reajuste. O governo Zema teima em não cumprir uma lei de 2008. A situação está muita séria, pois estamos desde 2017 sem reajuste — afirmou.

Laborê encoraja os servidores a participar da paralisação. Segundo ela, só será possível conseguir o direito com a greve.

 

— O piso anunciado pelo MEC, após muita luta, foi de 33,44%. Portanto, profissionais que iniciam na educação básica devem receber, no mínimo, R$ 3.845,63 por 24 horas. (...) Nossa expectativa é que as escolas estaduais de Divinópolis entrem na luta. Se quisermos a reivindicação merecida, precisamos apoiar a participação dessa paralisação no dia 8 de março — disse.

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