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Agentes do Serviço do Luto contestam versão sobre demora na remoção de corpo em Divinópolis

Servidores denúnciam poucos funcionários e falta de materiais básicos

Por Gabriela Lara · Redação· 5 min de leitura
Agentes do Serviço do Luto contestam versão sobre demora na remoção de corpo em Divinópolis

Dois agentes do Serviço Municipal do Luto, que preferiram não se identificar, procuraram o Agora para apresentar uma versão diferente da divulgada pela Prefeitura sobre a demora envolvendo a remoção e preparação do corpo de Irinéia de Paulo Caetano, que morreu em casa após um acidente doméstico, na segunda-feira, 17, em Divinópolis. Segundo os servidores, o corpo foi removido da residência pela manhã e encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML). A demora teria ocorrido posteriormente, no atendimento no Serviço Municipal do Luto, em meio à alta demanda e ao número reduzido de agentes.

Remoção

De acordo com um dos funcionários, a equipe do Luto só realiza a remoção após a atuação e liberação da perícia da Polícia Civil. Ele afirma que, neste caso, foi liberado 9h30 para a remoção do corpo da residência para o IML, mas o serviço ocorreu por volta das 11h30, .

— O perito liberou, a gente já está lá para fazer a remoção. E a remoção foi feita na parte da manhã para o IML — relatou.

Segundo os funcionários, a família de Irinéia teria procurado o Serviço Municipal do Luto no fim da tarde, por volta das 18h, para levar o corpo do IML para o velório. A partir desse momento, o corpo teria entrado na sequência de atendimentos do serviço.

Um dos servidores afirmou que a família foi informada sobre a alta demanda e orientada a ter paciência diante das condições de trabalho enfrentadas pela equipe.

Alta demanda

Segundo os relatos, haviam apenas dois agentes trabalhando no plantão durante a noite. Um dos funcionários afirmou que, naquele dia, foram registrados sete falecimentos e que a equipe precisou atender diferentes ocorrências simultaneamente.

— Ontem foram sete falecimentos com dois agentes trabalhando — afirmou um dos servidores.

Além disso, o serviço possui um van e dois carros, mas apenas os carros estariam disponíveis para os servidores em razão da manutenção da van.

O funcionário relatou ainda que, a partir das 19h, os agentes tinham outras ocorrências para atender, incluindo remoções para a UPA e um funeral completo. Uma das remoções envolvia um homem de aproximadamente 140Kg, no terceiro andar de uma residência, em uma situação considerada de difícil acesso.

Segundo o relato, os dois agentes permaneceram cerca de duas horas nessa ocorrência. Chegou a ser cogitada a possibilidade de acionar o Corpo de Bombeiros para auxiliar na retirada do corpo.

Enquanto isso, havia outras remoções para a UPA e outro atendimento relacionado à preparação de um corpo.

Atendimento na UPA

Os funcionários também afirmaram que parte das dificuldades enfrentadas pelo Serviço do Luto está relacionada ao atendimento de pessoas que precisam de declaração de óbito.

Segundo um deles, o Samu não emite a declaração e aciona o serviço, que realiza o transporte até a UPA. No local, porém, os agentes precisam aguardar o atendimento médico.

— Na UPA, a prioridade é para quem está vivo. Então, assim, atende primeiro os vivos para depois atender os mortos — disse.

De acordo com o relato, na noite de segunda-feira haviam pacientes com suspeita de acidente vascular cerebral (AVC) aguardando atendimento, o que teria contribuído para a demora em uma das ocorrências.

Estrutura precária

Além de contestarem a versão sobre a remoção de Irinéia, os dois funcionários relataram problemas estruturais no Serviço Municipal do Luto. Entre as dificuldades mencionadas estão a quantidade de agentes, veículos com problemas e condições consideradas precárias na sala de corpos.

— Os agentes dão o melhor em condições precárias — afirmou um dos servidores, que também citou a existência de apenas dois carros para atender a demanda.

Outro funcionário afirmou que o serviço atende Divinópolis e região e que a quantidade de profissionais disponíveis seria insuficiente para a demanda.

Falta de equipamentos

Os servidores também relataram dificuldades relacionadas ao fornecimento de equipamentos e uniformes utilizados durante o trabalho.

Um deles afirmou que precisou solicitar uma bota, mas não recebeu o item, e disse que também precisa comprar peças do próprio uniforme. Segundo o funcionário, luvas utilizadas no trabalho também precisam ser solicitadas a outros setores.

— Eu fui lá antes de ontem pedir botina. Aliás, semana passada eu pedi botina. Não tem botina. Vou comprar um, porque eu não tenho botina — afirmou.

Ainda segundo o relato, o serviço não forneceria regularmente luvas aos agentes.

— Luva? A gente pede emprestado. Sabe por quê? Porque a Prefeitura não fornece luva pra gente — disse. 

Os funcionários também defenderam o trabalho realizado pela equipe e afirmaram que os agentes atuam dentro das condições disponíveis.

— A gente já ganha micharia. Ainda vem o povo e meteu o pau na gente —  afirmou um dos servidores.

Ele acredidam que essa série de fatores é resultado de uma possível tercerização. Desejo que já foi manifestado pela Prefeitura. 

Versão da Prefeitura

Segundo a Prefeitura, Irinéia morreu em casa após um acidente doméstico. O Samu foi acionado para atender a ocorrência. Quando a equipe chegou ao imóvel, constatou o óbito. Na sequência, a perícia da Polícia Civil teria sido chamada para realizar os procedimentos necessários antes da liberação do corpo.

Ainda de acordo com a Prefeitura, a perícia concluiu os trabalhos e autorizou a remoção por volta das 17h. No entanto, o corpo só foi retirado da residência aproximadamente sete horas depois, por volta da meia-noite.

Em nota, a administração municipal atribuiu a demora a uma “sucessão de equívocos” no atendimento realizado pelo Serviço Municipal do Luto. O objetivo, segundo o Executivo, é continuar as investigações para identificar as falhas que resultaram na demora e adotar medidas para evitar que episódios semelhantes voltem a ocorrer.

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