Alto número de faltas trava consultas na rede pública de Divinópolis

Jonny Reisle
O alto índice de faltas a consultas agendadas na rede pública de saúde de Divinópolis segue como um dos principais desafios enfrentados pelo Executivo. Segundo levantamento divulgado pela Prefeitura, somente nos três primeiros meses de 2026, 14.549 atendimentos deixaram de ser realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) porque os pacientes não compareceram.
O número acende um alerta importante sobre o impacto direto do absenteísmo no funcionamento do sistema e, principalmente, no acesso de outros usuários aos serviços.
Números contundentes
Os dados mostram uma tendência de crescimento ao longo do trimestre. Em janeiro, foram registradas 4.654 faltas. Em fevereiro, o número caiu para 4.169, mas voltou a subir em março, chegando a 5.723 ausências — o maior índice do período. Entre as unidades com mais registros de pacientes que não compareceram estão a UBS Central, com 831 faltas, e a UBS do bairro Niterói, com 828.
Na prática, cada consulta perdida representa uma vaga ociosa que poderia ter sido preenchida por outro paciente que aguarda atendimento, muitas vezes há semanas ou até meses.
Ausência prejudica o sistema
De acordo com a Semusa, o impacto vai além dos números absolutos. Quando um paciente falta sem aviso prévio, ele não compromete apenas o próprio acompanhamento de saúde, mas também prejudica toda a organização da rede. O resultado é o aumento das filas, maior tempo de espera por consultas e exames e, em muitos casos, agravamento de quadros clínicos por demora no atendimento.
A orientação da Secretaria é clara: caso o usuário não possa comparecer, é fundamental comunicar a unidade com antecedência para que a vaga seja disponibilizada a outro paciente.
Não é de hoje…
O cenário atual reforça uma preocupação já apontada em levantamentos anteriores. Dados apresentados pela Prefeitura no 3º Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior (RDQA) de 2025 indicavam que cerca de um em cada quatro pacientes não comparecia aos atendimentos agendados na rede municipal.
Na Atenção Primária, o índice de faltas foi de 24,4%, enquanto nos serviços especializados chegou a 15,7%. Apesar de uma leve melhora em relação a 2024, os números ainda são considerados elevados e continuam impactando diretamente a capacidade de atendimento do município.
Dói no bolso
Além do prejuízo assistencial, o absenteísmo também gera impactos financeiros expressivos. Um levantamento da própria Secretaria estima que as consultas e exames agendados e não realizados provocaram um custo de aproximadamente R$ 4,5 milhões aos cofres públicos.
Esses recursos, que poderiam ser direcionados para ampliação de serviços, contratação de profissionais, aquisição de equipamentos ou melhorias na estrutura das unidades, acabam sendo desperdiçados devido às ausências não justificadas.
Tentativas de solução
Diante desse cenário, a Prefeitura de Divinópolis tem adotado medidas para tentar reduzir o problema e melhorar a gestão das agendas. Entre as principais estratégias está o fortalecimento do contato direto com os pacientes, além de campanhas de conscientização sobre a importância de comparecer aos atendimentos. A Semusa também tem reforçado a necessidade de manter os dados cadastrais atualizados nas unidades de saúde, especialmente telefones e contatos de WhatsApp, para facilitar a comunicação e evitar falhas no contato.
Uma das iniciativas em andamento é o programa Agiliza + Saúde, que busca organizar a fila única do Sistema Único de Saúde (SUS) no município e otimizar o preenchimento das vagas disponíveis. Por meio do projeto, equipes entram em contato com os usuários para confirmar consultas e exames previamente agendados, reduzindo a chance de ausência. A estratégia também permite redistribuir rapidamente vagas em caso de desistência, contribuindo para diminuir o tempo de espera e aumentar a eficiência do sistema.
As ligações são feitas por números oficiais da Secretaria, e a orientação é para que a população atenda às chamadas e fique atenta aos agendamentos. Também é recomendado que os usuários salvem os contatos do programa e procurem a unidade de saúde sempre que houver mudança de telefone ou necessidade de atualização cadastral. Segundo a Prefeitura, embora os índices ainda sejam altos, as medidas já começam a refletir em melhorias nos indicadores, especialmente nos serviços especializados, onde houve redução no percentual de faltas.
Colaboração do público
Mesmo com os esforços do poder público, a Semusa reforça que a solução depende diretamente da colaboração da população. A simples atitude de avisar com antecedência quando não puder comparecer a uma consulta pode fazer diferença no atendimento de outra pessoa que aguarda na fila. Em um sistema que atende milhares de usuários diariamente, a responsabilidade compartilhada é apontada como essencial para garantir mais eficiência, reduzir desperdícios e ampliar o acesso à saúde em Divinópolis.
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