Carregando clima…
Cidades

Amarildo pede exoneração após juiz negar recondução ao cargo

Por Redação Jornal Agora
Amarildo pede exoneração após juiz negar recondução ao cargo

Matheus Augusto

Amarildo de Sousa não é mais secretário de Saúde (Semusa). Afastado do cargo desde sexta-feira, 11, ele pediu exoneração oficialmente nesta quinta-feira, 17. Em nota comunicando sua saída, o servidor de carreira reforçou sua confiança na Justiça, agradeceu o apoio recebido e desejou sucesso ao seu sucessor, ainda não definido. A decisão foi tomada após a Justiça rejeitar seu pedido para voltar ao cargo em função da necessidade burocrática diante das decisões referentes à covid-19.

Saída

Servidor de carreira há mais de 20 anos, Amarildo assumiu a pasta em 20 de fevereiro de 2018, após Rogério Barbieri solicitar, por motivos pessoais, sua exoneração do cargo. Em nota, ele justificou sua saída, defendendo sua inocência no caso.

— Diante da decisão judicial de manter o afastamento, embora as provas juntadas aos autos demonstrem claramente que este servidor público não cometeu nenhum ato ilícito, (...) requer sua exoneração para que o prefeito nomeie novo secretário municipal de Saúde e assim continuarmos nossa luta no combate à pandemia, podendo assim entregar para a nova gestão a situação não erradicada, infelizmente, mas sob controle, desejando desde já sucesso ao novo secretário e à nova legislatura — destaca.

O ex-secretário agradece à equipe que o auxiliou no "sucesso ao combate à pandemia”.

— Agradeço o apoio de todos os servidores, da população em geral e sigo acreditando na Justiça — se despede.

Saúde precisa de secretário...

A defesa de Amarildo, em pedido apoiado pelo prefeito e o procurador municipal, Wendel Santos de Oliveira, solicitou a revogação do afastamento cautelar do agora ex-secretário. Segundo a alegação, não há “indícios de qualquer envolvimento” no “suposto esquema de desvio de verbas públicas”.

Os advogados ainda citam a formação de Amarildo como enfermeiro e com experiência em combate à atual grave crise de saúde. A colaboração do ex-secretário também é um dos argumentos para a recondução ao cargo. 

— O afastamento é medida absurdamente desproporcional — define a defesa.

Mas não será 

A solicitação, porém, foi negada. Consultado, o Ministério Público Federal se manifestou favorável à manutenção do afastamento de Amarildo do cargo. Para o órgão, a decisão baseia-se nas evidências de ele colhidas até o momento.

— (...) tendo em vista as evidências de que o senhor Amarildo, mediante a habilitação irregular do IBDS e posterior contratação da entidade, contribuiu para a prática criminosa associada pelos gestores do instituto, bem como permitiu a aditivação do contrato, por duas vezes, sem a apresentação dos fundamentos devidos para esse fim — detalha o juiz federal, Elísio Nascimento Batista Júnior, em sua decisão.

O juiz destaca que Amarildo foi o “responsável direto pela habilitação ilegal da empresa IBDS como Organização Social”, vencedora da licitação e atual administradora da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e do hospital de campanha, investigada pela Polícia Federal (PF). 

— Constatou-se, ainda, que o então secretário, como ordenador de despesas da área de saúde, foi o responsável pela transferência ao IBDS de parte das verbas federais recebidas pelo município para destinação ao combate à pandemia da covid-19, via termos aditivos ao contrato de gestão, os quais, pelo que consta das apurações realizadas pela CGU e pela Polícia Federal, estão sendo ilegalmente desviadas e apropriadas por terceiros mediante contratações simuladas e outras fraudes

O texto ainda cita que a Secretaria Municipal de Saúde “não estava realizando o devido acompanhamento e fiscalização das contas da empresa contratada”. Os danos ao patrimônio público por tal negligência são considerados “particularmente gravosos” e, por isso, justificam o afastamento. 

Outro argumento apresentado pelo juiz é que a investigação segue em curso, “com colheita de provas e prospecção de evidências”, podendo gerar novos desdobramentos. 

— (...) sendo que o retorno do secretário ao pleno exercício de suas atividades poderá acarretar prejuízos para a investigação — comenta. 

Sobre a capacidade técnica no combate à pandemia de covid-19, o juiz explicou que o afastamento considerou esse fator, “tendo o juízo entendido que tal medida era imprescindível mesmo no ápice da crise”. Conforme destaca em sua argumentação,  Amarildo não é a única pessoa capacitada a lidar com o atual cenário de crise sanitária.

— (...) não merece respaldo a tentativa de se atribuir a uma única pessoa, no caso, o senhor Amarildo, a solução para os problemas enfrentados pela população em relação ao coronavírus, haja vista que existe no município uma equipe de pessoas capacitadas para o enfrentamento da crise — defende Elísio Nascimento. 

E completa:  “não se pode dizer que há correlação entre a expansão da pandemia com o afastamento do secretário investigado, não obstante a notória qualidade dos serviços prestados à frente do combate à doença”.

A pouco menos de 15 dias do início da nova gestão e ciente que o cargo é de livre nomeação, o juiz sugere “a nomeação imediata de substituto para o comando da pasta”.

Novo nome

Enquanto Gleidson Azevedo (PSC) definiu o atual superintendente regional de Saúde, Alan Rodrigo da Silva, como secretário de Saúde de sua gestão, Galileu Machado (MDB) nomeou um substituto. Os principais candidatos para ocuparem o cargo até 31 de dezembro são: a diretora da Vigilância em Saúde, Janice Soares; o diretor financeiro, Bruno Carlos; e a diretora de Urgência e Emergência da UPA, Cristiane Joaquim.

A reunião para escolha estava marcada para o fim da tarde de ontem.

Operação

A operação avalia supostos desvios de recursos na saúde, especialmente durante a pandemia, e irregularidades em licitação para o favorecimento da empresa vencedora, no caso, a IBDS. Durante a operação, realizada em outras cidades de Minas Gerais, foram cumpridos mandados de prisão de suspeitos de fraudes e apreensão de documentos. Nenhum servidor, com exceção de Amarildo, foi preso ou afastado em Divinópolis.

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Leia também

Mais recentes

Do nosso arquivo

Veja tudo o que publicamos em dezembro de 2020

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…