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Acidentes

Apesar do aumento  de acidentes,  para piloto transporte aéreo é o mais seguro 

Por Bruno
Apesar do aumento  de acidentes,  para piloto transporte aéreo é o mais seguro 

Lucas Maciel 

O Brasil tem enfrentado nos últimos anos, um aumento no número de acidentes aéreos, especialmente envolvendo aeronaves de pequeno porte. Nos primeiros dias de 2025, o país já registrou 22 ocorrências e 10 mortes, segundo dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Todos os aviões envolvidos eram de pequeno porte, operando em atividades como transporte privado ou no setor agrícola. 

Apesar de o transporte aéreo comercial continue apresentando baixos índices de fatalidades, os voos privados e as aeronaves menores têm se mostrado mais vulneráveis a incidentes. Embora a aviação comercial no Brasil tenha atingido um recorde de 17 anos sem fatalidades, o aumento no número de acidentes com aeronaves menores preocupa autoridades.

O crescimento nas fatalidades aéreas pode significar um sinal de alerta, principalmente quando se compara com anos anteriores. O Agora conversou com um piloto de mais de 20 anos de experiência, que refletiu sobre as razões por trás deste aumento e da segurança da aviação. 

Números 

Os dados divulgados pela Cenipa, referente aos últimos dez anos, mostram uma variação nos números de acidentes aéreos e fatalidades no Brasil, com um aumento notável nas ocorrências mais recentes. 

Em 2015, o Brasil registrou 79 mortes em 172 acidentes. No ano seguinte, o número de mortes subiu para 104, em 164 acidentes, um aumento de 31% em relação ao ano anterior. Entre 2017 e 2022, a quantidade de mortes variou entre 49 e 81 por ano, mas o número de acidentes continuou bastante estável, com uma média de 150 a 170 ocorrências anuais. Porém, 2024 apresentou um salto preocupante, com 152 mortes em 175 acidentes, o maior número registrado na última década e um aumento de 91% em relação a 2023, quando 77 pessoas morreram.

Em 2025, o começo do ano trouxe mais motivos de preocupação, com 10 mortes em 22 acidentes apenas nos primeiros 40 dias. Embora o número de fatalidades seja menor do que no período de 2024, quando 13 pessoas haviam morrido, a alta taxa de mortes —  45% dos acidentes — indica que o ano começou de forma arriscada. 

Fatores

Ainda de acordo com o relatório do Cenipa, desde 2015, a falha ou mau funcionamento do motor é responsável por cerca de 22% dos acidentes aéreos no Brasil, com 355 ocorrências registradas. Outras causas frequentes incluem perda de controle em voo em 303 acidentes, e excursão de pista em 290, além da perda de controle no solo e operação em baixa altitude, com 153 e 126 acidentes, respectivamente. 

O Agora conversou com o piloto Luiz Felipe Borges, que tem mais de 20 anos de experiência em aviação, com viagens nacionais e internacionais. De acordo com ele, algumas causas podem ser importantes para essa crescente. 

— Muitos destes acidentes foram fatalidades. Eu vejo que nunca chegaram tantos aviões ao Brasil, então a frota nos últimos anos cresceu demais e obviamente houve um número maior de registros em operações mais perigosas, como militares e agrícolas — argumentou. 

As aeronaves privadas foram as mais envolvidas em acidentes, nos últimos 14 meses, com 71 ocorrências, resultando em 54 mortes. Os aviões agrícolas aparecem em segundo lugar, com 68 e 13 fatalidades. A aviação comercial, apesar de ter registrado apenas dois acidentes, se destaca como a mais fatal devido ao trágico acidente com o voo da Voepass em 2024, que matou 62 pessoas. 

— Em relação às operações de aeronaves de médio e grande porte, principalmente das companhias aéreas, que desenvolvem programas de manutenção, de treinamento e usam aviões novos, eu não vejo como uma preocupação para quem quer voar. Posso dizer com a mais profunda tranquilidade que o transporte aéreo é o mais seguro do mundo — comentou o piloto. 

Ainda segundo Luiz Felipe Borges, as tecnologias chegaram para dar mais segurança às novas aeronaves e conter os riscos.

— Cada vez, fica mais seguro voar devido às novas tecnologias e os treinamentos dados aos pilotos, são preparados para  lidar com quaisquer situações de anormalidade na aeronave. Obviamente alguns casos ocorrem, mas atribuo isso a algumas fatalidades, principalmente ao grande número de aeronaves que chegaram ao Brasil nos últimos anos — completou. 

Ainda de acordo com ele, o Brasil tem hoje a segunda maior frota de aviões no mundo, só perdendo para os Estados Unidos. 

Casos

O último acidente aconteceu com o avião King Air F90, que caiu em plena Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda, em São Paulo, na última sexta-feira, 7. O acidente resultou na morte do piloto Gustavo Carneiro Medeiros e do advogado Márcio Louzada Carpena, além de deixar dez vítimas. Entre os feridos, um motociclista, que foi atingido por destroços, e uma idosa, que estava no ônibus atingido pela aeronave. 

O impacto causou uma grande explosão, e testemunhas relataram uma enorme nuvem de fumaça preta visível à distância. O incidente chamou a atenção pela gravidade e pelo local altamente movimentado, um dos principais pontos da cidade.

Além deste acidente, o começo de 2025 foi marcado por outras tragédias aéreas. No dia 9 de janeiro, um Cessna Citation 525 ultrapassou a pista do aeroporto de Ubatuba, no litoral de São Paulo, e explodiu na Praia do Cruzeiro. O piloto Paulo Seghetto morreu após ser retirado das ferragens, enquanto os quatro passageiros a bordo, incluindo uma família, sobreviveram com ferimentos. 

Poucos dias antes, em 16 de janeiro, um helicóptero caiu em Caieiras, na Grande São Paulo, matando os empresários André e Juliana Feldman. Também em janeiro, no dia 27, um helicóptero de pulverização agrícola caiu em Minas Gerais, causando a morte do piloto Fernando André Ferreira e outros dois ocupantes.

Esses casos somam-se a outros acidentes aéreos com aeronaves menores, como a queda de um avião agrícola em Mato Grosso e outro em Minas Gerais, ambos resultando na morte dos pilotos. Esses eventos ressaltam o crescente risco relacionado a aeronaves privadas e de pequeno porte, que seguem sendo protagonistas de trágicos acidentes no início deste ano. 

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