Arte dos Mestres celebra vida e obras

Da Redação
Um evento inédito para celebrar a vida e obra de grandes mestres e artistas da cultura popular e do artesanato brasileiro. Evento acontece nos 25 anos de história da Rede Nacional do Artesanato Cultural Brasileiro (Artesol), que é uma organização da sociedade civil brasileira, sem fins lucrativos, independente e apartidária. O grupo apoia os artesãos de todo o território nacional e atua como um centro de pesquisa, de reflexão e de formação para políticas públicas.
Comemoração
O Artesol comemora neste ano, duas décadas e meia de história em grande estilo. Neste sentido, de 30 de agosto a 3 de setembro, 20 dos principais mestras e mestres artesãos brasileiros vão estrear a Mostra Arte dos Mestres, em um evento-manifesto que a Artesol realiza, em São Paulo, com o objetivo de reconhecer, celebrar e divulgar os grandes talentos do nosso artesanato para o Brasil.
A exposição acontecerá numa área de aproximadamente 700mº, no espaço State, na Vila Leopoldina, paralelamente à programação da edição @sp_arte Rotas Brasileiras.
Mestres
Reunindo 20 mestres de várias regiões, a mostra trará mais de 200 obras para exibição e proporcionará espaços exclusivos para que as mestras e mestres possam apresentar, com destaque, seus trabalhos e interagir com o público, porque eles também são patrimônio vivo da cultura brasileira. A programação ainda inclui a exibição de documentários produzidos para o projeto, que contextualizam o aspecto social, cultural e criativo em torno de cada artista.
— Essa é a nossa forma de festejar uma trajetória que começou com o sonho da antropóloga Ruth Cardoso de fortalecer e incluir as artesãs e os artesãos do Brasil na cena cultural e artística do país, promovendo desenvolvimento social e econômico a partir do seu incrível potencial criativo — Sonia Quintella de Carvalho, presidente da Artesol.
Família GTO
Uma das marcas registradas da Família Teles são as rodas criadas a partir de uma corrente de madeira utilizada em diferentes leituras, entre elas com referências a Cristo a aos negros escravizados e acorrentados. Esse tipo de obra é feito sem nenhuma emenda, e o encaixe de cada elo é produzido diretamente na hora do entalhe da madeira, formando uma peça única, maciça com figuras vazadas.
Esse objeto já foi premiado diversas vezes e segue sendo reinventado pelos artistas Mário Teles e Alex Teles com diferentes referências, figuras, muitas vezes alicerçadas em estudos do inconsciente.
O mineiro Geraldo Teles de Oliveira, conhecido como GTO, se tornou um dos mais importantes artistas populares brasileiros, ao criar esculturas com figuras humanas e elementos da cultura mineira que se amontoam de maneira esquemática e repetida, formando mandalas que apelidava de “Roda da Vida”. Ele morreu em 1990, mas a família manteve a roda girando, através de uma produção inspirada em seu legado.
Legado
Hoje, o filho Mario Teles e neto Alex Teles, cada um com sua própria identidade, seguem criando obras espontâneas, contemporâneas e orgânicas que carregam a essência de uma cultura viva e com conotação fantástica.
— Minha obra passa muito pelo folclore mineiro. O congado, o pau-de-sebo, a festa junina, os pescadores, a folia e as guardas de reis — diz o mestre Mário Teles.
Alex Pereira Teles, premiado artista mineiro, filho do mestre escultor Mário Teles e neto do renomado escultor Geraldo Teles de Oliveira, o GTO, é um dos mestres que vão integrar a exposição.
— Sempre acreditei que a arte é, também, uma forma de se curar — detalha Alex.
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