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Acidentes

Audiência de motorista que atropelou ciclista na MG-050 é remarcada para 2026

Audiência de motorista que atropelou ciclista na MG-050 é remarcada para 2026

Elian Ozéias

Um ano após o trágico atropelamento que resultou na morte do ciclista Leonardo Antônio Santos, de 29 anos, a primeira audiência do caso foi realizada nesta quarta-feira, 10, no Fórum de Divinópolis. No entanto, o julgamento foi adiado para fevereiro de 2026, frustrando familiares, amigos e ciclistas presentes que pediam justiça.

Justiça adiada

A remarcação ocorreu porque duas testemunhas da acusação não foram localizadas. Segundo o advogado da acusação, Carlos Eduardo, ambas estavam de férias e uma delas havia se mudado para Varginha, o que dificultou a notificação. 

— Como é necessário respeitar a ordem direitiva das testemunhas, mesmo com todas as testemunhas da defesa presentes, o doutor Ivan [juiz responsável] optou corretamente por redesignar a audiência — explicou o advogado.

Apesar do adiamento, algumas testemunhas foram ouvidas, e, segundo a acusação, seus relatos reforçam a materialidade do crime. 

— As testemunhas foram enfáticas e não deixaram dúvidas sobre a realidade fática do acidente, de que de fato o crime aconteceu — afirmou Carlos Eduardo.

Relatos que chocam

Entre os depoimentos, chamou a atenção a fala da testemunha Ariedina Rodrigues, que relatou o estado do motorista momentos após o atropelamento. Segundo ela, o homem estava visivelmente embriagado ao procurar apoio em sua residência.

— Eu sei que ele estava bem alcoolizado, bem tonto. Ele ligou para o meu irmão, pedindo para vir conversar comigo. Chegou desesperado, disse que tinha passado por cima de alguém, mas contou uma história diferente, que tinha sido uma briga no bairro, não um ciclista na rodovia — contou Ariedina.

Ela ainda detalhou o comportamento do motorista na ocasião: 

— A mão dele estava inchada, disse que tinha dado soco em alguém. Estava trêbado, como sempre ficava. Infelizmente, era comum ele andar alcoolizado —contou.

Ariedina também relatou sua surpresa com a chegada da polícia no dia seguinte. 

— Eu caí de gaiata nessa situação, sem saber de nada. E ele matou um inocente e chegou dizendo que só tinha brigado — afirmou

Dor e indignação da família

Na porta do fórum, familiares de Leonardo e ciclistas locais se reuniram pedindo por justiça. A comoção tomou conta da entrada do prédio, marcada por lágrimas, cartazes e um forte apelo por punição ao responsável.

Elza Rodrigues, tia da vítima, deu um depoimento emocionado. 

— Justiça. Que justiça seja feita, porque o que aconteceu com o meu sobrinho não pode ficar impune. Ele era apaixonado por pedalar. Parava do serviço e ia pedalar. Era um filho excelente, companheiro da mãe, do pai e da irmã — afirmou.

Ela também relembrou os últimos momentos de Leonardo. 

— Foi no Dia dos Pais. Ele falou para a irmã:

— Não vá embora, vou só dar uma pedalada e volto. Ele nunca mais voltou —lamentou.

Relembre o caso

O acidente aconteceu em um domingo de agosto de 2024, no km 126 da rodovia MG-050, em Divinópolis. Leonardo Antônio Santos, pedreiro, solteiro e morador do bairro Tietê, pedalava no acostamento, prática comum em sua rotina, quando foi atingido por um carro.

Segundo a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), uma testemunha relatou que um veículo Peugeot 308, de cor prata, tentou uma ultrapassagem pela direita, perdeu o controle, colidiu contra a proteção lateral e atingiu Leonardo, que seguia na mesma direção.

Após o impacto, o condutor fugiu do local sem prestar socorro. Leonardo foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD), mas não resistiu aos ferimentos.

Clamor por justiça

A morte de Leonardo causou forte comoção na cidade e reacendeu discussões sobre a segurança de ciclistas nas estradas da região. Durante o último ano, diversos grupos de ciclistas realizaram homenagens, protestos e pediram por justiça em nome de Leonardo.

Com o adiamento da audiência para fevereiro de 2026, a expectativa da família e da comunidade é que, finalmente, o responsável seja julgado e que a impunidade não prevaleça.

— Meu sobrinho morreu fazendo o que amava. Agora, a gente só quer que a justiça seja feita. Que ele pague pelo que fez — concluiu Elza Rodrigues.

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