Aumento de acidentes nas rodovias da região liga alerta

Ocorrências cresceram nas últimas semanas; festas de fim de ano e chuvas são fatores determinantes
Lucas Maciel
Festas de fim de ano, viagens longas e chuvas intensas: esses fatores, aparentemente comuns nesta época, têm se mostrado determinantes para o aumento dos acidentes nas rodovias brasileiras. O período festivo, marcado por um fluxo elevado de veículos nas estradas, somado às condições climáticas adversas, cria o cenário ideal para o aumento significativo do risco de colisões e tragédias.
A pressa para chegar aos destinos, o desgaste das viagens prolongadas e a falta de visibilidade devido à chuva são apenas alguns dos fatores que contribuem para o alarmante crescimento nos índices de acidentes nas rodovias durante as férias de fim de ano.
Na região, as ocorrências de acidentes têm crescido significativamente nas últimas semanas, o que preocupa tanto as autoridades quanto os motoristas, que utilizam as rodovias com mais frequência. Apenas nesta semana, por exemplo, pelo menos 10 acidentes com vítimas foram registrados no Centro-Oeste mineiro.
Registros
Um acidente na última quarta-feira, durante o feriado de Natal, deixou seis pessoas feridas na MG-050, próximo a Formiga. De acordo com a Polícia Militar Rodoviária, o veículo seguia no sentido Córrego Fundo a Formiga quando perdeu o controle, colidiu com o guarda-corpo de uma ponte e acabou saindo da pista.
As vítimas, todas ocupantes do carro, foram atendidas pelo Samu. A Polícia Militar Rodoviária indicou que o excesso de velocidade pode ter sido a causa do acidente.
Ainda nesta semana, na segunda-feira, 23, véspera de Natal, um grave acidente na mesma rodovia, próximo a Pedra do Indaiá, resultou na morte de três pessoas. O carro onde as vítimas estavam colidiu frontalmente com um caminhão, e as três vítimas ficaram presas às ferragens, morrendo no local.
Na sexta-feira, 21, outro acidente fatal ocorreu na MG-050, desta vez em Itaúna. O motorista de um carro morreu após bater de frente com um caminhão. Segundo a PMRv, o condutor do caminhão, de 36 anos, relatou que seguia de Itaúna para Mateus Leme quando um Gol, que trafegava no sentido contrário, invadiu a contramão e colidiu frontalmente com o caminhão.
Além desses, outros diversos acidentes com vítimas foram registrados desde o início do mês, aumentando a preocupação das autoridades e reforçando a necessidade de cuidados redobrados nas rodovias durante o período festivo.
Tragédia
Porém, não é só na região que o perigo tem crescido. Uma tragédia na BR-116 deixou mais de 40 mortos e causou grande comoção em todo o país. Considerado o maior acidente nas rodovias federais desde 2018 pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), o caso, ocorrido em Teófilo Otoni, gerou uma enorme repercussão e levantou preocupações sobre a segurança nas estradas brasileiras, especialmente durante o período de festas e férias.
A tragédia aconteceu na madrugada do último sábado, 21, quando três veículos se envolveram no acidente que resultou na morte de 41 pessoas na BR-116, no distrito de Lajinha, em Teófilo Otoni, Vale do Mucuri. Além das vítimas fatais, outras 11 ficaram feridas.
De acordo com a PRF, o acidente teve início quando o pneu de um ônibus estourou, fazendo com que o motorista perdesse o controle do veículo e batesse em uma carreta. Um carro que vinha logo atrás também bateu no ônibus. A colisão fez com que o ônibus pegasse fogo rapidamente, o que resultou em um grande número de vítimas fatais.
Além da batida, a principal linha de investigação da Polícia Civil indica que um grande bloco de granito pode ter se soltado da carroceria da carreta e atingido o ônibus, gerando um grande incêndio, que foi responsável pela maior parte das mortes.
Vale destacar que, na última segunda-feira, 24, o motorista da carreta que transportava a pedra de granito se entregou à polícia em Teófilo Otoni. Ele foi ouvido e liberado em seguida. De acordo com a Polícia Civil, Arilton Bastos Alves, de 49 anos, que estava com a CNH suspensa há dois anos, não permaneceu detido porque o pedido de prisão preventiva foi negado pela Justiça, e, por isso, já não era mais possível sua prisão em flagrante.
As investigações seguem e o trecho está sendo periciado pela Polícia Civil, PRF e pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Último ano
Apesar de a situação até agora já ser bastante alarmante, é durante as festividades de virada do ano que os casos de acidentes tendem a aumentar em relação aos demais meses.
O Agora consultou os dados do Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais, disponibilizados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), e constatou que, em 2023, o mês de dezembro foi o que registrou o maior número de acidentes no Centro-Oeste de Minas.
Dos 15.829 sinistros ocorridos no ano passado, 1.458 aconteceram em dezembro, o que corresponde a 9,21% do total. Maio e outubro ficaram com as outras posições mais altas nesse ranking negativo. Segundo o relatório da Sejusp, 4.975 desses casos resultaram em vítimas.
A principal causa dos acidentes, conforme o levantamento, foi a falta de atenção dos motoristas nas vias, responsável por 46,26% dos casos. Além disso, a má visibilidade, a presença de animais na pista e defeitos, seja na via ou no veículo, também são fatores significativos. Porém, neste período de fortes chuvas, a aquaplanagem também se destaca negativamente como uma das principais causas das ocorrências.
Números em 2024
Em 2023, foram registrados 15.829 acidentes, e a tendência é que esse número seja consideravelmente maior em 2024. Até o mês de novembro — o último com dados disponíveis no relatório do Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais — já haviam sido contabilizados 15.584 sinistros.
Em comparação com o mesmo período de 2023, a situação deste ano é bem mais grave, com 1.213 acidentes a mais registrados até novembro. No ano passado, o total de acidentes nos 11 primeiros meses foi de 14.371. Se somado com os dados de dezembro, o número total de acidentes em 2024 pode se aproximar dos 17 mil.
Até novembro, 156 pessoas haviam perdido a vida em decorrência das colisões nas estradas da região. Além disso, outras 760 ficaram gravemente feridas, de acordo com os dados. Quando os números de dezembro forem incluídos, é esperado que os índices fiquem ainda mais alarmantes.
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