Banco do Brasil encerra paralisação em parte do país; Caixa segue com o movimento
Proposta sobre planos de saúde e reajustes salariais divide categorias em assembleias

A greve dos bancários segue com desfechos diferentes no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal. Enquanto trabalhadores do Banco do Brasil aprovaram um novo acordo em mais de 100 bases sindicais e retomaram as atividades em parte do país, empregados da Caixa rejeitaram a proposta apresentada pela instituição e mantiveram a paralisação por tempo indeterminado.
O Agora conversou com o Sindicato dos Bancários de Divinópolis e Região, que informou sobre a realização de uma nova assembleia no fim desta segunda-feira, 14. Até o fechamento desta matéria, porém, não havia novas informações sobre o resultado.
O movimento foi deflagrado em diferentes regiões após os trabalhadores rejeitarem, em assembleias, as propostas apresentadas pelos dois bancos públicos para a renovação dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT). As paralisações começaram em diferentes momentos, com adesões registradas desde 4 de setembro e intensificação nos dias 8 e 10.
Em Divinópolis, as agências do Banco do Brasil não aderiram à paralisação, que ocorre apenas nas agências da Caixa Econômica Federal.
As propostas previam reposição integral da inflação medida pelo INPC, acumulada entre setembro de 2025 e agosto de 2026, além de aumento real de 0,60% nos salários em 2026 e de mais 0,60% em 2027. Os mesmos percentuais seriam aplicados a benefícios como vale-refeição, vale-alimentação, auxílio-creche/babá e à Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O principal ponto de divergência, porém, foi o custeio dos planos de saúde, especialmente o Saúde Caixa.
CCT e acordos específicos
A negociação envolve dois instrumentos distintos. De um lado, está a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), válida para trabalhadores de bancos de todo o país e assinada na última quarta-feira, 9, entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), após 13 rodadas de negociação.
De outro, estão os Acordos Coletivos de Trabalho (ACT), negociados individualmente entre sindicatos e instituições específicas, como Caixa e Banco do Brasil.
Na Caixa, além das questões relacionadas ao plano de saúde, os empregados reivindicam pontos próprios do ACT, como a aplicação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), sobre segurança e saúde no trabalho, e o combate a metas consideradas abusivas.
Desfechos diferentes
O movimento teve rumos distintos nesta sexta-feira, 11. No Banco do Brasil, os funcionários aprovaram a proposta negociada com a instituição em mais de 100 bases sindicais, permitindo a retomada do trabalho em parte do país. Entre as regiões que aprovaram o acordo estão Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Pernambuco, Porto Alegre, Mato Grosso, Florianópolis, Alagoas, ABC Paulista, Rondônia, Sergipe e Campinas.
Ainda assim, 18 entidades sindicais rejeitaram o acordo e mantiveram a paralisação. Dessa forma, a greve no Banco do Brasil não terminou de maneira uniforme em todo o território nacional.
Na Caixa Econômica Federal, o desfecho foi diferente. Em assembleia virtual encerrada às 23h desta sexta-feira, 11, os empregados rejeitaram a proposta final apresentada pelo banco. Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a rejeição chegou a 68% dos votos. Diversas outras entidades sindicais também rejeitaram a oferta, confirmando a manutenção da greve nacional por tempo indeterminado.
Proposta final da Caixa
Entre os principais pontos da proposta apresentada pela Caixa estavam um prêmio de R$ 3 mil por empregado; o pagamento até esta sexta-feira, 18, do salário reajustado, da PLR, do Super Caixa e do prêmio; e a ampliação do teto de participação do banco no custeio do Saúde Caixa, de 6,5% para 8%.
A oferta também previa a antecipação da parcela da Caixa referente à 13ª mensalidade de 2028, 2029 e 2030, para ajudar a cobrir o déficit do plano; o pagamento de valores relativos ao Programa de Assistência Médico-Supletiva (PAMS) a partir de 2027; ações de prevenção à saúde no valor de R$ 236 milhões a partir de janeiro de 2027; e a criação de grupos de trabalho para discutir melhorias na eficiência do plano, novas fontes de receita e um modelo que destine ao Saúde Caixa parte do lucro relacionado à produtividade.
O que dizem os bancos
Antes da votação, a Caixa classificou a proposta como definitiva e sinalizou que, em caso de rejeição, poderia retirar a oferta da mesa e recorrer à Justiça do Trabalho por meio de dissídio coletivo. Em nota, o banco afirmou que mantém o diálogo aberto com as entidades representativas dos empregados e orientou a população a utilizar canais digitais, caixas eletrônicos e casas lotéricas durante a paralisação.
O Banco do Brasil destacou que participou das negociações conduzidas pela Fenaban e que a proposta apresentada foi aprovada pela maior parte das assembleias realizadas no país.
Atendimento
Para os correntistas, os bancos informaram que os serviços digitais e remotos continuam disponíveis. O Banco do Brasil mantém o atendimento pelo aplicativo, internet banking, correspondentes bancários, central de relacionamento e WhatsApp.
A Caixa também orientou os clientes a utilizarem os canais digitais e remotos, além de caixas eletrônicos e casas lotéricas, durante a greve.
Em Belo Horizonte, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários organizou um protesto em frente a uma agência da Caixa, no Centro.
Fim da greve
Até o momento, não há uma data confirmada para o encerramento total do movimento. No Banco do Brasil, a normalização dos serviços depende da decisão das bases que ainda rejeitam o acordo. Já na Caixa, o desfecho dependerá de novas negociações entre o banco e as entidades sindicais ou de eventual encaminhamento à Justiça do Trabalho. Até o fechamento desta reportagem, por volta das 17h, o movimento grevista permanecia.
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