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Bandeira amarela volta em maio e encarece conta de luz

Bandeira amarela volta em maio e encarece conta de luz

Jorge Guimarães 

Depois de um período de alívio nas contas de energia elétrica, com a manutenção da bandeira verde nos últimos meses, os consumidores brasileiros voltarão a sentir um impacto no bolso a partir de maio. É que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou que a bandeira tarifária será alterada para a cor amarela, indicando condições menos favoráveis para a geração de energia no país. Com essa mudança, haverá a cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Essa alteração reflete, principalmente, fatores como a redução no nível dos reservatórios e o aumento no custo de produção de energia, o que exige o acionamento de fontes mais caras, como as usinas termelétricas. Embora o valor extra não seja tão elevado quanto em bandeiras mais críticas, como a vermelha, já representa um sinal de atenção para o consumo consciente. 

Preocupação 

A mudança, embora considerada de baixo impacto em comparação com patamares mais elevados, já preocupa consumidores da cidade. Em um cenário de inflação persistente e aumento no custo de vida, qualquer acréscimo nas despesas fixas exige ajustes no dia a dia.

A dona de casa Patrícia Alves, afirmou que a família vinha conseguindo reorganizar o orçamento durante o período de bandeira verde. 

— A conta de luz tinha dado uma aliviada, e isso ajudou bastante. Agora, com esse aumento, a gente já começa a pensar onde dá para economizar mais, porque tudo está caro — relatou.

O motorista de taxi André Luiz Ferreira também demonstrou preocupação com o novo cenário. 

— A gente já gasta muito com combustível e manutenção do carro. Em casa, qualquer aumento pesa. Parece pouco, mas no fim do mês faz diferença — afirmou.

Setor empresarial

A alteração da bandeira tarifária não afeta apenas os consumidores residenciais, mas também traz reflexos significativos para o setor empresarial. Lojas, supermercados, restaurantes e outros estabelecimentos que dependem intensamente de energia elétrica terão um aumento expressivo em suas despesas. 

Assim, entre os empresários de Divinópolis, o sentimento é de atenção redobrada. No setor de alimentação, onde o uso de equipamentos elétricos é constante, o impacto tende a ser mais imediato. O proprietário de um restaurante no centro da cidade, Rolando Meneses, explicou que a energia representa uma parcela significativa dos custos operacionais. 

— Freezer, geladeira, forno, iluminação, tudo depende de energia. Quando vem aumento, a gente precisa rever as contas. Nem sempre dá para absorver, e isso pode acabar refletindo no preço final — disse.

Entre as estratégias adotadas estão a modernização dos equipamentos, revisão do tempo de funcionamento das máquinas, busca por contratos de energia mais vantajosos e, em alguns casos, até o investimento em energia solar. 

— Cada real economizado na conta de luz pode ser reeinvestido em melhorias no atendimento e na qualidade do serviço — acrescentou.

No setor industrial, que tem forte presença no município, o cenário também exige cautela. A empresária Renata Souza, destacou que a energia é um insumo essencial para a produção. 

— A indústria sente rapidamente qualquer alteração no custo energético. Mesmo a bandeira amarela já exige planejamento, porque impacta diretamente na competitividade e na margem de lucro — explicou.

O comércio varejista também observa reflexos indiretos. Segundo o lojista Paulo Henrique Martins, o aumento na conta de luz pode afetar o comportamento do consumidor. 

— Quando as despesas básicas sobem, as pessoas seguram mais o dinheiro. Isso acaba reduzindo o movimento no comércio, principalmente em setores que não são considerados essenciais — afirmou.

Alerta

De acordo com o economista Leandro Maia, a mudança na bandeira tarifária funciona como um alerta sobre o cenário energético nacional. 

— O sistema de bandeiras foi criado para dar transparência ao consumidor sobre o custo real da geração de energia. A bandeira amarela indica que já há necessidade de utilizar fontes mais caras, como as termelétricas, geralmente por conta da redução no nível dos reservatórios — explicou.

Ele ressaltou que, apesar de o valor adicional não ser elevado, o efeito acumulado pode gerar impacto significativo. 

— Quando somamos esse aumento a outros custos que já vêm subindo, como alimentação e combustíveis, o orçamento das famílias fica mais pressionado. Para os empresários, isso também representa aumento de custos e possível repasse ao consumidor — avaliou.

Como economizar?

Diante deste cenário, o melhor é economizar e reduzir os usos dos eletrodomésticos ao máximo. O engenheiro de Eficiência Energética da Cemig, Thiago Batista destacou algumas maneiras de economizar. 

Segundo ele, a geladeira é um dos equipamento que mais consome energia em uma residência, principalmente, pelo seu tempo de uso e por causa do “abre e fecha”. Uma orientação simples indicada pelo especialista é que os clientes verifiquem o estado da borracha de vedação dos refrigeradores. 

— Para saber se a borracha de vedação está em bom estado, faça o seguinte teste: coloque uma folha de papel entre a porta e a geladeira, feche a porta e tente retirar a folha, se ela sair com facilidade, está na hora de trocar a borracha. Repita o teste em vários pontos da porta da geladeira — explicou.

O chuveiro elétrico é outro dos principais vilões da conta de luz nas residências brasileiras. Responsável por uma parcela significativa do consumo mensal, especialmente em períodos mais frios, ele exige atenção redobrada de quem busca economizar energia sem abrir mão do conforto no dia a dia.

Por fim, considerar alternativas como sistemas de aquecimento solar pode ser uma opção interessante a longo prazo. Embora exija investimento inicial, esse tipo de solução reduz significativamente a dependência do chuveiro elétrico e pode gerar economia contínua na conta de energia.

— Adotar essas práticas no dia a dia não apenas reduz o valor da fatura, mas também contribui para o uso mais consciente dos recursos energéticos, especialmente em momentos em que a geração de energia se torna mais cara — finalizou. 

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