Carregando clima…
CidadesDivinópolis

Bares ocupam calçadas de Divinópolis

Por Redação Jornal Agora
Bares ocupam calçadas de Divinópolis

Ricardo Welbert

Percorrer as calçadas de Divinópolis se torna um desafio quando mesas, cadeiras e clientes de bares e restaurantes impedem a passagem. O grau de dificuldade varia. Para um cadeirante que precisa sair do passeio e prosseguir pela rua, é maior.

Flagrantes de desrespeito às leis que garantem o direito à acessibilidade nas vias públicas são percebidos em vários pontos da cidade. No bairro Bom Pastor, uma associação de moradores monitora a forma como as calçadas são ocupadas pelos bares e restaurantes. Quando encontra algum indício de irregularidade, procura a direção da empresa.

— Já faz muito tempo que cumprimos esse papel de fiscalizar. Obtivemos êxitos em vários casos, nos quais o acesso dos pedestres voltou a ser desobstruído — comemora Ivanei Antônio dos Santos, presidente da associação.

Porém, após a Secretaria de Trânsito e Transportes (Settrans) mudar o sentido de várias ruas e avenidas, alguns bares e restaurantes ampliaram a largura das calçadas e passaram a mantê-las cheias de mesas e cadeiras durante todo o período de funcionamento.

— A Prefeitura fez parcerias com os donos desses estabelecimentos para que eles pudessem aumentar as calçadas. Seria ótimo para os pedestres, mas não o é porque quase sempre é preciso usar a rua para desviar do que ocupa as calçadas, principalmente depois das 19h. Esse problema tem sido perceptível, por exemplo, na avenida Rio Grande do Sul — acrescenta Ivanei.

Dilema confirmado pela Associação dos Deficientes do Oeste de Minas (Adefom). O presidente da entidade, Luciano Saldanha, conta que os atentados à acessibilidade nas calçadas foram discutidos durante uma assembleia ocorrida há dois meses e que reuniu representantes da Settrans e do Ministério Público mineiro.

— Expliquei a eles que muitos bares estão ocupando as calçadas e prejudicando o acesso não só de pessoas com deficiências, mas também de crianças, gestantes e idosos. O representante da Settrans disse que a secretaria não tem condições de fiscalizar a conduta dos donos de bares e restaurantes durante todo o tempo. Isso não é problema nosso. É preciso resolver esse desafio para que o direito de ir e vir seja sempre garantido a todos. É questão de respeito — pontua.

Setor

Com cerca de 50 associados em Divinópolis, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) lembra que uma lei municipal permite que bares e restaurantes instalem mesas e cadeiras nas calçadas, desde que haja entre elas espaço suficiente para que pedestres e cadeirantes possam seguir e frente sem precisar desviar dos obstáculos. Porém, nem todos os empresários respeitam a lei.

— Alguns não respeitam e colocam suas coisas até mesmo fora da calçada, impedindo também o estacionamento de veículos. A Abrasel não concorda com essas práticas irregulares e cobra o cumprimento das leis — diz Juliano Alberth Alves de Almeida, que preside a entidade na cidade.

Ele ressalta que os empresários que desrespeitam as regras não são maioria e garante que as reclamações apresentadas nesta reportagem estarão na pauta da próxima reunião entre associados, marcada para este mês. 

Outro lado 

Em nota ao Agora, a Prefeitura informa que conta com apoio da população para denunciar comerciantes que descumprem a legislação e colocam mesas e cadeiras nas calçadas em quantidades acima das permitidas e desrespeitando a distância mínima.

— A Prefeitura autoriza a colocação de mesas, cadeiras ou similares em passeios e praças públicas do Município mediante licença concedida pela Secretaria de Meio Ambiente. A área ocupada das calçadas não poderá ser superior a 50% de sua largura e o passeio deverá ter mais de três metros — explica.

Para conceder a licença são seguidos critérios da Lei 4.242/97 e o Código Municipal de Posturas. A Settrans autoriza o avanço de calçada em locais onde é proibido estacionar.

Sobre as recentes mudanças no tamanho das calçadas, acrescentou que são avanços que melhoram a mobilidade urbana e a acessibilidade, diminuem o tempo de travessia do pedestre e a velocidade do veículo, devolvendo o espaço da via pública aos pedestres.

Sobre o problema percebido na avenida Rio Grande do Sul, ressalta que mesmo sem receber o pedido dos moradores, a Secretaria de Serviços Urbanos monitorou a via e colocou na programação a manutenção da rua para os próximos dias.

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Leia também

Mais recentes

Do nosso arquivo

Veja tudo o que publicamos em maio de 2018

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…