Brasil recebe encontro mundial de bandas sinfônicas pela primeira vez na história

Da Redação
O Rio de Janeiro será, neste mês de julho, o centro da música sinfônica mundial. Pela primeira vez, a América Latina receberá uma edição da Conferência Internacional da Associação Mundial de Bandas e Conjuntos Sinfônicos (WASBE, na sigla em inglês), um dos principais eventos dedicados às bandas de sopro no mundo.
A 21ª edição do encontro acontecerá entre os dias 20 e 25 de julho, na capital fluminense, com programação estendida até o dia 26 em Niterói. O evento reunirá músicos, regentes, pesquisadores e especialistas de diversos países, consolidando o Brasil como referência no universo das bandas sinfônicas.
A conferência ocorre a cada dois anos e já passou por 15 países da Europa, América do Norte e Ásia. Agora, pela primeira vez, desembarca em solo latino-americano, em um marco considerado histórico para o setor.
Concertos e oficinas
A programação prevê cerca de 50 concertos e mais de 200 oficinas musicais, além de atividades voltadas à formação de estudantes e ao intercâmbio entre músicos de diferentes nacionalidades.
As apresentações serão realizadas em alguns dos principais espaços culturais do Rio de Janeiro, entre eles a Sala Cecília Meireles, o Theatro Municipal, o Palácio Capanema, a Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Passeio Público e a Fortaleza São José. A abertura do evento está programada para a Ilha Fiscal.
De acordo com o diretor executivo do comitê organizador local da WASBE Rio 2026, Marcelo Jardim, a expectativa é de uma grande participação de músicos e estudantes, especialmente nas atividades de formação.
As oficinas instrumentais, que ocorrerão na Escola de Música da UFRJ entre os dias 21 e 25 de julho, tiveram grande procura. Segundo a organização, quase 800 alunos se inscreveram para participar das atividades.
Outro destaque é que o festival garantirá gratuidade para participantes de programas sociais, ampliando o acesso de jovens músicos às atividades.
País de bandas
Para os organizadores, a realização do encontro no Brasil também representa uma oportunidade de chamar a atenção para a importância das bandas de música no país.
Segundo Marcelo Jardim, o Brasil possui cerca de 6 mil bandas de metais e percussão em atividade, número que pode chegar a 10 mil, considerando grupos que ainda não conseguiram retomar as atividades após a pandemia de covid-19.
As regiões Sudeste e Sul concentram a maior parte dessas formações. Entre os estados brasileiros, Minas Gerais se destaca pelo forte movimento musical no interior.
De acordo com os dados apresentados pela organização da conferência, o estado mineiro possui mais de 800 bandas em atividade, sendo apontado como aquele com o maior número de grupos do país.
A tradição das bandas de música em Minas está presente em centenas de municípios e integra festas religiosas, celebrações cívicas e atividades culturais, além de desempenhar um importante papel na formação de novos músicos.
Mobilização cultural
A realização da conferência também pretende ampliar o debate sobre políticas públicas voltadas ao setor.
Os organizadores defendem maior inclusão das bandas de música em editais e programas de incentivo à cultura, argumentando que muitas cidades brasileiras têm nesses grupos sua principal manifestação artística e cultural.
A expectativa é que a presença de gestores públicos, músicos e especialistas durante o encontro contribua para fortalecer o movimento das bandas sinfônicas e ampliar o reconhecimento da importância dessas formações para a cultura brasileira.
Promovido em parceria com a UFRJ, o festival conta ainda com o apoio de instituições culturais, universidades, órgãos públicos e entidades militares, em uma mobilização que permitiu ao Rio de Janeiro sediar, pela primeira vez, um dos mais importantes encontros internacionais dedicados à música de bandas.
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