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Acidentes

Brasil voltar a registrar mais de 2 mil acidentes elétricos pelo 3º ano seguido

Por Bruno
Brasil voltar a registrar mais de 2 mil acidentes elétricos pelo 3º ano seguido

Lucas Maciel

O Brasil voltou a ultrapassar a marca de 2 mil acidentes de origem elétrica pelo terceiro ano consecutivo, reforçando o alerta sobre os riscos presentes no uso cotidiano da energia. De acordo com o Anuário de Acidentes de Origem Elétrica 2026, com base em dados de 2025 e divulgado pela Abracopel, foram registradas 2.322 ocorrências em todo o país, número mais que o dobro do contabilizado em 2013, início da série histórica, quando houve 1.038 casos.

Além do aumento nas ocorrências, os dados também mostram crescimento no número de mortes. Em 2025, foram 725 vítimas fatais, contra 631 registradas em 2013. Os números reforçam um cenário de preocupação.

Choques lideram mortes

Entre os tipos de ocorrência, os incêndios de origem elétrica aparecem com maior número de registros, somando 1.304 casos e 60 mortes. No entanto, são os choques elétricos que apresentam o cenário mais crítico.

Segundo o levantamento, foram 917 ocorrências desse tipo, com 646 mortes — o que representa uma taxa de letalidade próxima de 70%. O dado indica que, na maioria dos casos, o choque elétrico acaba sendo fatal, o que reforça a gravidade desse tipo de acidente.

Grande parte dessas situações está relacionada a práticas comuns, como intervenções próximas à rede elétrica, uso inadequado de instalações e atividades em áreas externas sem os devidos cuidados.

Minas Gerais

Em Minas Gerais, os dados seguem a mesma tendência de alerta. O estado registrou 52 ocorrências envolvendo choques elétricos, com 34 mortes no período analisado.

Apesar de apresentar a menor taxa de letalidade da região Sudeste, estimada em 65%, os números reforçam a necessidade de ampliar ações de prevenção e orientação, especialmente em atividades consideradas de risco.

Para o gerente de Saúde e Segurança Corporativa da Cemig, José Firmo do Carmo Júnior, os dados mostram que ainda há um longo caminho a ser percorrido.

— O número de acidentes elétricos no país ainda é elevado e muitos deles poderiam ser evitados com atitudes simples no dia a dia. É fundamental avançarmos na construção de uma cultura de uso seguro da energia elétrica — afirmou.

Principais causas

O levantamento aponta que a maioria dos acidentes está ligada a situações rotineiras, muitas vezes tratadas com descuido. Entre os cenários mais recorrentes estão atividades da construção civil, podas de árvores sem orientação, instalação de antenas e o uso de ligações irregulares.

Essas práticas aumentam significativamente o risco de choques e incêndios, além de colocarem em perigo não apenas quem executa a atividade, mas também outras pessoas próximas.

A técnica de Segurança do Trabalho, Geziane Calixto, destacou que os números refletem uma realidade preocupante, mas que pode ser modificada com mudanças de comportamento.

— Grande parte dos acidentes acontece em situações comuns, como pequenas obras, manutenções domésticas ou atividades próximas à rede elétrica. Por isso, o primeiro cuidado é nunca se aproximar da fiação, principalmente com objetos metálicos, escadas ou ferramentas — explicou.

Prevenção 

Especialistas apontam que atitudes simples podem reduzir significativamente os riscos. Entre as principais orientações estão evitar improvisações em instalações elétricas, não utilizar fios danificados, não sobrecarregar tomadas e jamais realizar ligações clandestinas.

— O uso de fios danificados, emendas mal feitas ou sobrecargas aumenta muito o risco de choques e incêndios dentro de casa. Também é fundamental evitar qualquer tipo de ligação irregular, que além de ilegal, coloca em risco toda a vizinhança — reforçou Calixto.

Em áreas externas, os cuidados devem ser redobrados, especialmente em atividades como poda de árvores, instalação de antenas e trabalhos próximos à rede elétrica. Nesses casos, a recomendação é sempre buscar profissionais qualificados.

Ações de prevenção

Como parte das iniciativas para reduzir os acidentes, a Cemig firmou um Acordo de Cooperação Técnica com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG). O objetivo é ampliar ações de prevenção em obras realizadas próximas à rede elétrica em todo o estado.

O acordo, com vigência de 60 meses, prevê troca de informações, capacitação técnica, operações conjuntas e ações educativas. A proposta é fortalecer a fiscalização orientativa e antecipar situações de risco antes que resultem em acidentes.

Uso seguro

Os dados reforçam que a energia elétrica, embora essencial para o cotidiano, exige atenção e responsabilidade. A combinação entre informação, prevenção e respeito às normas de segurança é apontada como o principal caminho para reduzir os índices registrados no país.

— A energia elétrica faz parte da nossa rotina, mas exige cuidado. Com informação e prevenção, é possível reduzir esses números e garantir mais segurança para todos — concluiu a especialista.

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