Brincando com o perigo

Leila Rodrigues
"As mãozinhas miúdas deslizavam tão bem no teclado que confesso que por algum momento imaginei que esse menino nasceu sabendo”. Parece loucura, mas é assim que pensamos quando vemos uma criança diante de qualquer aparelho eletrônico, principalmente celulares e tablets. A grande diferença entre os pequenos e nós que já passamos dos 30 é que eles nasceram em meio a teclas e acessos. Nós nos adaptamos aos poucos a este universo e eles não. Para eles não há com o que comparar, funciona assim e pronto! Eles baixam aplicativos, instalam e desinstalam programas sem percebermos, sabem onde ficam as configurações, bagunçam nossos arquivos, descobrem nossas senhas e ate agora não descobrimos como freia-los. Se é que isso é possível!
O que fazer diante dessa facilidade exacerbada? São os nossos filhos que estão brincando com o perigo ou somos nós que estamos dramatizando o brinquedo? Será que já nos tornamos reféns tecnológicos dos nossos filhos?
Não existe receita de bolo nem regras milagrosas para resolver esta questão. Hoje, brinquedo e perigo andam juntos e misturados. Os pais devem descobrir através do diálogo um código de conduta da família. Fazer acordos, colocar regras e limites faz parte deste código. O limite é necessário para um desenvolvimento saudável. Outros cuidados tão importante são em relação a horários de uso dos equipamentos. Hora de comer e hora de estudar devem ser sagradas. Senhas também devem ser preservadas, uma questão de privacidade de pai e mãe. Hoje existem mecanismos de controle dos acessos e formas de barrar sites indevidos às crianças. Porém, o mais indicado é que os pais também sejam amigos dos filhos nas redes sociais, assim podem acompanhar de perto as amizades dos filhos.
Para quem tem filho adolescente, o diálogo ainda é o melhor caminho. O adolescente não gosta de ser vigiado, mas ainda precisa de limites. Sendo assim, melhor orientar sobre os riscos e mostrar os fatos. Ou seja, mostre os exemplos bons e ruins e deixe que ele faça a escolha. Dar a eles a responsabilidade pelas suas escolhas também ajuda bastante.
Se o avanço tecnológico é um caminho sem volta, melhor nos adaptarmos agora juntos com nossos filhos e criarmos uma trilha onde cada um possa caminhar, respeitando o espaço do outro, porém sabendo, o quão preciosos são uns para os outros. O amor ainda vence muitas barreiras. Use-o sem moderação!
leilarodrigues-palavras.blogspot.com.br
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