Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
Este poema da nossa Adélia Prado deve ter sido encomendado sob medida para falar de nosso desejo e votos para o Rommel e Patrícia, que agora estreiam nova vida para que também vivam momentos eternos como este gravado pela divina poeta.
Uma bela plataforma de lançamento, tiveram. A festa que emoldurou a bênção do casamento foi algo tão
deslumbrante que não posso usar simplesmente nossas gastas palavras de que a festa foi uma festa de “arromba”. Também será pobre falar de que a bela festa nos lembrou e, sem exagero, suplantou momentos hollywoodianos já vistos.
Um aluvião de rosas, com seus botões brancos e rosados, cobria espaços e lustres e mais jarros e jarras, desde a entrada. E luzes e mais luzes e sons e mais sons e danças de todas as idades e performances de todas as criatividades. Além dos textos religiosos na hora do casamento religioso, hinos e poesias igualmente solenes, festivos e sacrossantos revelando a transcendência própria da cerimônia festiva própria do sacramento que se celebrava.
Aos agora esposo e esposa Rommel e Patrícia, nossos votos para que sejam eternos noivo e noiva, como no poema da Adélia Prado.
Aos familiares de Rommel e Patrícia, nossos cumprimentos pela sabedoria da recíproca escolha.
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