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Polícia

Caso Henay: Investigado por feminicídio está preso em Itaúna

Por Bruno
Caso Henay: Investigado por feminicídio está preso em Itaúna

Elian Ozéias

O homem apontado como responsável pela morte de Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 31 anos, está preso no presídio de Itaúna desde o dia 24 de dezembro de 2025. Alison de Araújo Mesquita, de 43 anos, responde pelo crime de feminicídio, após a Polícia Civil descartar a hipótese inicial de acidente de trânsito ocorrido na rodovia MG-050.

O caso, que já completou um mês e chocou Itaúna e região, inicialmente foi tratado como uma ocorrência viária após uma colisão frontal envolvendo o carro do casal e um micro-ônibus de turismo. No entanto, o avanço das investigações, aliado à análise de imagens de câmeras de segurança e laudos periciais, revelou um histórico de violência doméstica e agressões que culminaram na morte da vítima.

Henay, natural de Divinópolis, vivia há cerca de sete meses com o companheiro em Belo Horizonte. De acordo com a Polícia Civil, vizinhos do casal relataram episódios frequentes de brigas e agressões. Alison já possuía passagens policiais por violência doméstica em 2023, além de duas ocorrências por dirigir sob efeito de álcool.

Relação marcada por agressões

Segundo o delegado João Marcos Ferreira, responsável pelo inquérito, o relacionamento era conturbado e permeado por conflitos constantes. No sábado que antecedeu o crime, o casal participou de uma festa durante o dia, com consumo excessivo de bebidas alcoólicas. As discussões se intensificaram ao longo da noite, já no apartamento onde moravam.

Durante uma das brigas, o suspeito confessou ter atingido o rosto da vítima, causando sangramento no nariz. Ainda conforme o depoimento, ele afirmou ter limpado o sangue que respingou na sala do imóvel e, posteriormente, o casal teria dormido.

Violência continuou durante a viagem

Na manhã de domingo, 14, Henay e o companheiro iniciaram viagem com destino a Divinópolis. Conforme relatado pelo próprio suspeito, novas agressões ocorreram durante o trajeto pela MG-050. Após passarem por Juatuba, o casal teria parado duas vezes na estrada em razão de discussões.

O homem confessou que, durante as brigas dentro do veículo, arremessou a cabeça da vítima contra a estrutura do carro e, em seguida, realizou compressões no pescoço dela com a mão direita. Na primeira agressão, Henay não perdeu a consciência. Já na segunda, pouco antes da praça de pedágio de Itaúna, a compressão teria sido mais intensa, fazendo com que a vítima desfalecesse.

Imagens do pedágio

Câmeras de segurança da praça de pedágio registraram uma cena considerada absolutamente atípica pelos investigadores. Alison conduzia o veículo sentado no banco do passageiro, enquanto Henay estava no banco do motorista, desacordada.

A funcionária da cabine percebeu o nervosismo do condutor, que apresentava sudorese excessiva, comportamento confuso e esquecimento do troco. Questionado, ele afirmou que a mulher havia tido uma queda de pressão. A atendente chegou a se oferecer para acionar socorro médico e pediu que o veículo fosse parado alguns metros à frente, mas o homem deixou o local sem prestar atendimento.

A situação foi comunicada à chefia do pedágio, e as imagens foram repassadas às autoridades. Um policial militar teve acesso ao material e alertou familiares da vítima durante o velório, o que motivou a imediata atuação da Polícia Civil.

Colisão e laudos periciais

Após deixar o pedágio, o veículo invadiu a contramão e colidiu frontalmente com um micro-ônibus. O suspeito alegou que não assumiu a direção antes do acidente porque “não queria mexer no corpo”, justificativa considerada inconsistente pelos investigadores.

O médico-legista Rodolfo Elias explicou que os exames necroscópicos identificaram traumatismo cranioencefálico, hemorragia cerebral e sufusão hemorrágica profunda no pescoço, especialmente do lado direito, lesões incompatíveis com um simples acidente de trânsito e altamente compatíveis com compressão cervical externa.

Segundo a perícia, tanto o traumatismo quanto a asfixia poderiam, isoladamente ou em conjunto, ter causado a morte. Há indícios de que Henay já estivesse morta ou em estado gravíssimo até duas horas antes da colisão.

Prisão e investigação

Com base nos indícios, Alison foi preso durante o velório da vítima, em Divinópolis, sem oferecer resistência. Ele permanece detido no sistema prisional de Itaúna.

O chefe do 7º Departamento da Polícia Civil, delegado Flávio Destro, classificou o caso como um dos mais atípicos de sua carreira, destacando a condução do veículo a partir do banco do passageiro como um dos principais alertas de que algo grave havia ocorrido.

As investigações seguem em andamento para determinar com precisão o local exato onde o feminicídio ocorreu, se no apartamento em Belo Horizonte ou durante o trajeto pela rodovia. 

— O inquérito segue em tramitação. Informações adicionais serão fornecidas em momento oportuno — informou a PC.

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