Cesta básica cai 4,61% na cidade

Jorge Guimarães
Batata, banana e óleo foram fundamentais para o preço da cesta básica em Divinópolis retrair no mês passado. Depois de alta em fevereiro, o valor da cesta divinopolitana registrou retração de 4,61%, de acordo com dados da pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômico-Sociais (Nepes) da Faculdade UNA Divinópolis.
Segundo o levantamento mensal, o novo custo da cesta caiu de R$ 641,33 para R$ 611,77, fazendo assim crescer o poder de compra dos itens essenciais da mesma.
Mesmo assim, para a dona de casa Simone Abreu, os preços deveriam cair ainda mais, principalmente os de alimentos de primeira necessidade.
— Os preços ainda continuam salgados. Eu venho substituindo marcas, principalmente no macarrão, pois com o aumento da farinha de trigo, os preços dispararam. E assim venho fazendo também com outros itens, como café, feijão e arroz, assim economizo um pouco no fim de mês — afirma.
Produtos
A queda do conjunto dos alimentos está relacionada a três produtos básicos. O primeiro foi a batata que registrou forte queda -31,87%, seguido também da redução da banana - 18,85% e do óleo - 9,70%.
— Para este último, a baixa demanda externa do grão e o avanço da colheita no Brasil foram os fatores que pressionaram o preço para baixo; além disso, os altos preços praticados no varejo inibiram a demanda. Já no caso da batata a justificativa é que o volume ofertado foi alto, em virtude da colheita da safra das águas, o que diminuiu o preço no varejo — explicou o professor universitário e coordenador do Nepes/UNA, Wagner Almeida,
Apesar de pequena, a redução no preço da carne bovina também impactou no resultado, redução de 3,33% em relação a fevereiro no preço médio do quilo da carne bovina de primeira.
— Uma das causas para essa redução foi a suspensão das exportações para a China, pelo período de um mês, o que fez com que o valor da arroba caísse em março — conclui o coordenador.
Preços
A reportagem ouviu o gerente de loja de uma rede supermercadista, Sérgio Antônio, que citou as condições climáticas e a lei da oferta e da procura como pilares da variação de preço.
— Além da batata e banana, o tomate também teve uma pequena queda. Já os itens do café da manhã como o pão de sal e manteiga tiveram alta, aliados a farinha de trigo. Já o arroz e o açúcar mantiveram os preços. E no resultado desta equação de preços o consumidor tem se virado como pode e, utilizando de ferramenta, além da pesquisa, a substituição de marcas. Há poucos dias o quilo da banana prata chegou a bater perto dos R$ 10, com a queda da demanda, hoje está sendo comercializada a R$ 5,99 — avalia o gerente.
Na opinião do economista Leandro Maia, a queda no preço da banana foi resultado do desequilíbrio entre oferta e demanda.
— Houve uma diminuição da demanda e uma maior disponibilidade da fruta nas áreas produtoras, gerando um excesso de oferta no mercado e como consequência queda nos preços — avaliou.
Brasil
O valor do conjunto dos alimentos básicos diminuiu em 13 das 17 capitais onde o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico (Dieese) realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. Entre fevereiro e março, as reduções mais importantes ocorreram em Recife (-4,65%), Belo Horizonte (-3,72%), Brasília (-3,67%), Fortaleza (-3,49%) e João Pessoa (-3,42%). Já as elevações foram observadas em quatro capitais: Porto Alegre (0,65%), São Paulo (0,37%), Belém (0,24%) e Curitiba (0,13%).
As capitais com as cestas mais caras foram: São Paulo (R$ 782,23), Porto Alegre (R$ 746,12), Florianópolis (R$ 742,23), Rio de Janeiro (R$ 735,62) e Campo Grande (R$ 719,15). Nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 546,14), Recife
(R$ 578,73) e João Pessoa (R$ 579,57).
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