Choque de realidade

Acompanhando pela TV os primeiros jogos, pelo mundial de clubes que está sendo disputado nos Estados Unidos, enfim constatamos uma verdade, que há muito tentamos esconder. De duas, uma: ou foi o futebol brasileiro que perdeu todo o seu encanto e deixou de ser um seleiro de craques, ou foi o restante do futebol mundial que evoluiu, assustadoramente.
Razões...
...temos de sobra. Mas para não ir muito a fundo e focar apenas no principal, podemos simplesmente dizer que o grande pecado do futebol brasileiro foi tentar copiar o que rolava no restante do mundo. Em vez de valorizar jovens com talento com a bola nos pés, passamos a escolher atletas para times de base pelo seu biótipo. Ser pequeno e magrinho passou a ser defeito e nem adianta o garoto se inscrever para testes em nenhum clube, porque certamente será reprovado.
Que digam que estou mentindo os “fessores de base" atuais, de escolinhas ou de qualquer clube, grande ou pequeno, do Brasil do futebol.
Entre a cruz e a espada
E o Guarani, hein? Em teu sonhado retorno ao Módulo II, o time vive o seu calvário e chega à última rodada da primeira fase do campeonato com a obrigação de vencer o North fora de casa, lá em Montes Claros, podendo ir do inferno ao Céu, ou ao contrário, em apenas 90 minutos. Como escrevo esta coluna antes do jogo de ontem, esta é a realidade, e é com ela que somos obrigados a conviver…
...sem procurar culpados, mas com todo mundo fazendo a “mea culpa’” para encontrar os erros e acertos da temporada.
Fator casa
Mas de uma constatação não podemos fugir, e esta é que o fator casa jogou contra o time nesta campanha no estadual, e os pontos deixados para trás na Arena Sicoob Divicred, é que estão fazendo a diferença nesta fase de classificação do Mineiro.

Acima das expectativas
Ainda não há nada a ser comemorado, e nem festejado, pela China Azul, mas que a campanha do time comandado por Leonardo Jardim, nesta primeira parte do Brasileirão, antes da parada para o Mundial de Clubes, supera a todas as expectativas, é um fato que ninguém pode negar. A segunda posição, com a mesma pontuação do líder Flamengo, é algo que nem o mais otimista de seus torcedores poderia esperar, antes de a bola rolar para as 12 primeiras rodadas do campeonato nacional da Série A.
Com os pés no chão
Ainda bem que não se vê ninguém na Raposa enaltecendo o time e nem sonhando alto. E tem mesmo que ser assim. O campeonato está apenas começando e muita água ainda vai passar por debaixo da ponte. E se o Cabuloso “beliscar” uma vaguinha na fase de grupos da Libertadores do ano que vem, e avançar algumas etapas na Copa do Brasil, já estará sim de bom tamanho. Lutar sim por voos mais altos, mas sem deixar de enxergar a realidade.
Calando a boca de muitos
Hoje a realidade do Cruzeiro ainda é abaixo das expectativas de seus torcedores, mas não há como negar que o time – e alguns jogadores do elenco -, estão sim calando a boca de muita gente, até mesmo de dentro do clube e de sua torcida. Os tão pedidos e sonhados reforços o treinador encontrou dentro do próprio grupo, e não é nenhum exagero afirmar, com todas as letras, que hoje o sarrafo para jogar no Cruzeiro está mais alto e será sim muito difícil encontrar reforços que estejam à altura nesta janela de meio de ano, a não ser que a diretoria esteja disposta a gastar um “montão de dinheiro”.
José Carlos de Oliveira
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