Cleitinho e Domingos Sávio celebram proibição de ‘saidinha’ para presos

Cleitinho e Domingos Sávio celebram
proibição de ‘saidinha’ para presos
Deputados e senadores derrubaram veto do presidente Lula; ação pode parar no STF
Bruno Bueno
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o deputado federal Domingos Sávio (PL) comemoraram a proibição da chamada “saidinha” de presos no Brasil. O presidente Lula (PT) havia permitido o benefício em situações específicas como feriados de Dia das Mães e Natal, mas o Congresso optou por derrubar os vetos e manter o texto original.
A ação pode parar no Supremo Tribunal Federal (STF).
Entenda
Na Câmara, 314 deputados votaram pela derrubada e 126 pela manutenção do veto. No Senado, 52 senadores votaram pela derrubada e 11 pela manutenção.
A decisão dos parlamentares também proíbe que os detentos deixem os presídios temporariamente para visitar a família e praticar atividades que contribuam para o retorno do convívio social.
O benefício será dado somente a quem for sair para estudar no ensino médio, superior, supletivo ou cursos profissionalizantes. O detento pode solicitar até cinco saídas de uma semana por ano.
Câmara
Para Domingos Sávio, a ação promove justiça.
— É uma lei ultrapassada e que nós, enquanto parlamentares e defensores dos direitos do cidadão, tínhamos a obrigação de trazer essa discussão para a Câmara. É pela memória das famílias que sofreram nas mãos de criminosos que, usufruindo deste benefício, voltavam às ruas para praticar mais crimes — comenta.
O deputado defendeu programas internos de ressocialização dos condenados dentro dos presídios, mas disse que a população não pode ficar vulnerável sob o risco de ser vítima de novos crimes.
— Ao mesmo tempo que defendemos que o presidiário tenha uma nova oportunidade de emprego, estudo e uma vida normal, defendemos que ele cumpra o processo de punição. Cumprindo a pena, como determina a justiça, ele poderá voltar a conviver em sociedade — salienta.
Cleitinho
Cleitinho reforçou o posicionamento e citou casos de pessoas que cometem crimes durante essa liberação temporária.
— Essa questão da saidinha para poder socializar, para ver a família: olhem a quantidade de gente que sai e comete crime. Então não serviu, na prática não funcionou, então tem que acabar — pontua.
Ele também deu um recado para as pessoas que são contra o fim das ‘saidinhas’.
— Essas festas, datas especiais, em que eles poderiam sair e não vão poder sair mais, você que é a favor, vá para o presídio passar com eles — reitera.
Outros parlamentares
A discussão no Congresso da proposta se arrasta desde 2013. O relator do texto no Senado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), relembrou o caso do policial militar Roger Dias, morto em janeiro por um preso beneficiado pela saidinha em Belo Horizonte.
— Ele foi assassinado covardemente por uma dessas pessoas que não só retornou, como matou um pai de família. Não vamos abrir mais brecha para esse tipo de benefício — disse.
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) argumentou que a proibição total vai causar revolta na população carcerária.
— Vetar tudo isso é aumentar a violência. Ao contrário do que o senso comum imagina, é agregar tensão, revolta e indisposição — pontuou.
STF
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já começaram o debate sobre a possível inconstitucionalidade da ação. A medida tem alta chance de ser judicializada.
A tendência é que a Corte decida contra a deliberação do Congresso Nacional e restaure a possibilidade da saída temporária de presos para visitar familiares. Até o momento, ainda não há previsão de julgamento.
O que é saidinha?
A saída temporária de presos, popularmente conhecida como “saidinha”, beneficia os detentos que estão no regime semiaberto, trabalham durante o dia em colônias, ou que estudam.
Vale para o preso com bom comportamento, que tenha cumprido 1/6 da pena se for primário e 1/4 se reincidente. Detentos que cometeram crimes hediondos, como assassinato, não tem direito.
52 mil presos saíram da prisão na saidinha de Natal. 95% dos detentos voltaram às celas dentro do período estipulado e outros 5% fugiram.
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