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Cleitinho expõe atrito com cúpula do Republicanos e mantém indefinição 

Por Bruno
Cleitinho expõe atrito com cúpula do Republicanos e mantém indefinição 

Jonny Reisle

As movimentações para a sucessão estadual de 2026 ganharam novos contornos nos últimos dias após declarações do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) colocarem em evidência divergências com a cúpula nacional de seu próprio partido. Cotado como um dos principais nomes na corrida ao Palácio Tiradentes, o parlamentar mineiro voltou a adotar um discurso ambíguo sobre uma eventual candidatura e, ao mesmo tempo, tornou pública a falta de confiança na direção da legenda.

Ação

A tensão se tornou pública após entrevista concedida por Cleitinho à newsletter Jogo Político, do jornal O Globo. Apesar de reconhecer que o presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), tem afirmado que lhe concederá legenda para disputar o governo de Minas, o senador afirmou não confiar totalmente na promessa.

— Ele garante que me dará a legenda para me candidatar, mas não confio 100%. Não sou amigo dele, tenho nojo de qualquer coisa que envolva partido — declarou.

Reação

A fala repercutiu rapidamente nos bastidores políticos e motivou uma resposta direta de Pereira. Em entrevista ao portal O Fator, o dirigente nacional rebateu as declarações do correligionário e afirmou que Cleitinho parece ainda não ter definido qual caminho pretende seguir em 2026.

— Eu já disse várias vezes que ele terá legenda, mas me parece que ele não tem segurança do que realmente quer. Quem me conhece, o que não é o caso dele, sabe que só tenho uma palavra — afirmou o presidente do Republicanos.

Incerteza?

O episódio expôs publicamente uma relação que já vinha sendo observada com cautela por integrantes da legenda. Embora o Republicanos trate internamente Cleitinho como uma de suas principais apostas eleitorais no país para o próximo ano, dirigentes admitem reservadamente que a postura do senador gera incertezas.

Nos últimos meses, o parlamentar alternou sinais de disposição para disputar o governo com declarações de cautela e até mesmo de desinteresse pela corrida eleitoral. O comportamento tem causado desconforto em setores da sigla, que tentam construir antecipadamente um projeto competitivo para Minas Gerais.

Direcionamento estabelecido

Apesar das declarações públicas, os movimentos internos do Republicanos apontam em direção oposta. A direção nacional já iniciou tratativas para estruturar uma eventual campanha de Cleitinho ao Executivo estadual. Entre as iniciativas está a busca por profissionais de marketing político que poderiam integrar uma futura equipe eleitoral.

O interesse da legenda tem explicação. Pesquisas divulgadas ao longo dos últimos meses colocam o senador entre os nomes mais competitivos para a sucessão do governador Romeu Zema (Novo), liderando ou aparecendo em posição de destaque nos diferentes cenários testados.

Oficialização ainda por vir

Mesmo assim, Cleitinho continua evitando assumir formalmente a condição de pré-candidato. Durante a entrevista ao jornal O Globo, ele afirmou que pretende tomar uma decisão definitiva apenas após a realização da Copa do Mundo, marcada para começar nos próximos dias.

— Não faço nenhuma questão de vir candidato, mas virou uma onda o meu nome. Como não venho a governador agora? Só que eu não preciso ficar latindo que sou candidato, não. Quem tem que fazer isso é quem está lá atrás nas pesquisas — disse.

Na sequência, comparou sua estratégia política ao comportamento de artistas antes de apresentações.

— Se eu fico falando que sou, perde o encanto. É tipo o que acontece com os artistas. O cantor chega para um show e vai para o camarim, não fica andando lá no meio do povo. Senão as pessoas dão uma brochada. É tudo estratégia minha — acrescentou.

A indefinição também apareceu quando foi questionado sobre as chances de disputar o governo. Em uma escala de um a dez, respondeu de forma contraditória. 

— Hoje, onze; amanhã pode ser um — declarou.

Apoio do topo

Um dos principais entusiastas de sua entrada na disputa é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. O parlamentar fluminense esteve em Minas Gerais nesta semana e voltou a defender a construção de uma aliança que tenha Cleitinho como principal representante do campo conservador no estado.

A avaliação de aliados de Flávio é que o senador mineiro reúne potencial para liderar um palanque competitivo e ampliar a presença do grupo bolsonarista em Minas, estado considerado estratégico para as eleições presidenciais.

Nos bastidores, outro indicativo de que Cleitinho trabalha com a hipótese de candidatura é a discussão sobre possíveis companheiros de chapa. Embora ainda não tenha oficializado sua entrada na disputa, ele já sinalizou a diferentes interlocutores nomes que poderiam ocupar a vaga de vice-governador.

Cenas dos próximos capítulos

Enquanto o senador mantém o suspense sobre seus planos eleitorais, dirigentes partidários, aliados e adversários acompanham cada movimento com atenção. A expectativa é que os próximos meses sejam decisivos para definir se a liderança nas pesquisas se transformará em candidatura efetiva ou permanecerá apenas como uma possibilidade no complexo tabuleiro político mineiro de 2026.

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