Clubes ameaçam paralisar o Brasileirão e articulam ação no STF contra proibição das bets
Dirigentes boicotam reunião com o Governo e defendem período de transição de até um ano para encerrar contratos de publicidade com casas de apostas

Os clubes do futebol brasileiro intensificaram a mobilização contra a medida provisória que proíbe a atuação das casas de apostas esportivas no país e passaram a discutir a possibilidade de paralisar o Campeonato Brasileiro. A ameaça de interrupção da competição surgiu durante as articulações para boicotar uma reunião com o Governo Federal, marcada para esta terça-feira, 29, e cancelada após diversos presidentes de clubes informarem que não participariam.
Movimento opositório
A mobilização também envolve uma ofensiva jurídica no Supremo Tribunal Federal (STF). O Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut), que representa clubes e federações, pediu para participar do processo que questiona a medida provisória. A iniciativa é interpretada por alguns dirigentes como uma entrada da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na disputa, devido à influência da entidade sobre o sindicato.
A possível paralisação do Brasileirão tem dois objetivos principais. O primeiro é pressionar o Governo a oferecer condições além da linha de crédito com juros reduzidos, negociada antes mesmo da publicação da medida provisória. Os clubes defendem um período de transição de seis meses a um ano para encerrar os contratos de publicidade com as plataformas de apostas e reorganizar as receitas.
Abertura de novas negociações
O segundo objetivo é ampliar o envolvimento da CBF nas negociações com o Governo. Uma eventual interrupção do campeonato afetaria o calendário do futebol nacional, que já enfrenta limitações de datas, e poderia aumentar a pressão para que as partes cheguem a um acordo.
A articulação reúne até mesmo clubes considerados próximos ao Governo Federal. O Corinthians, por exemplo, participou do movimento de boicote à reunião. O clube também lidera as negociações relacionadas à linha de crédito com juros reduzidos e mantém tratativas com a Caixa Econômica Federal para quitar o financiamento de sua arena.
A medida provisória foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro e proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas esportivas de quota fixa. A mudança afeta diretamente o futebol brasileiro, que mantém contratos de patrocínio com empresas do setor.
Maioria
Segundo reportagem de O Globo, 14 dos 20 clubes da Série A possuem contratos com casas de apostas. O mercado movimenta cerca de R$ 1,1 bilhão no futebol em 2026, considerando os investimentos relacionados ao setor.
Além do Sinafut, entidades ligadas ao mercado de apostas também acionaram o STF para contestar a medida. Enquanto os questionamentos são analisados, os clubes buscam negociar um prazo de adaptação que permita revisar contratos e reduzir os impactos financeiros da proibição.
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