Clubes do interior lançam manifesto contra patrocínio do governo estadual
Dirigentes argumentam que é necessário ampliar os investimentos e olhar para os times que não são da capital

Clubes do interior de Minas Gerais, entre eles o Guarani de Divinópolis, lançaram, pelas redes sociais, um manifesto contra o patrocínio promovido pelo governo estadual a Atlético, Cruzeiro e América, cobrando tratamento igual. Galo e Raposa receberão R$ 15 milhões cada em janeiro de 2027 para estampar as marcas da Cemig e da Codemig durante a temporada, enquanto o Coelho embolsará R$ 2 milhões. O patrocínio anunciado pelo governo de Minas e os grandes clubes da capital já gera revolta entre dirigentes de times do interior.
Cobrança
Os times de fora de Belo Horizonte atestam que o futebol mineiro não se resume apenas à capital, por isso, é preciso haver isonomia. As agremiações também solicitaram intervenção da Federação Mineira de Futebol (FMF) para uma audiência com o Executivo e suas respectivas estatais para ampliar os investimentos a outras equipes.
Divulgaram o "Manifesto do Futebol Mineiro" clubes como Guarani, Athletic, Villa Nova, Betim e Itabirito. O Democrata de Sete Lagoas comentou em suas redes sociais:
— E os invisíveis que se explodam! Só servimos pra ajudar a pagar as contas através dos tributos e da conta de energia.
Interior
A primeira chance de milhares de jovens mineiros, e muitas vezes, a única, grande parte dos atletas que brilham nos grandes clubes começam em times do interior, e isto precisa ser levado em conta, além do fato de os clubes gerarem empregos, valorizarem o comércio e a identidade de cada cidade.
O futebol feminino também é de Minas. Atletas que treinam com o mínimo e competem com o máximo. O investimento na modalidade não pode parar apenas na capital.
Não pedimos privilégio. Pedimos isonomia.
Entre os pedidos feitos pelos clubes no manifesto estão:
Audiência urgente, intermediada pela FMF, representando os clubes junto ao governo de Minas e às estatais;
Inclusão dos clubes dos Módulos I e II, da Segunda Divisão e do Feminino;
Critérios objetivos e públicos, com cotas por divisão;
Recursos para a base e o futebol feminino.
Entenda o caso
Esses patrocínios, anunciados na última terça-feira, 29, pelo governador Mateus Simões, são uma espécie de ajuda do governo estadual aos times da capital, que possuem como patrocinadores máster casas de apostas, que não poderão mais ser divulgadas a partir da próxima terça-feira, 6, conforme Medida Provisória editada pelo governo federal. Ou seja, as SAFs ficarão sem o dinheiro das chamadas bets, amplamente presentes no futebol brasileiro atualmente.
Atlético tem parceria com a H2bet; o Cruzeiro, com a Betnacional; e o América, com a Bet Bra. O time alvinegro recebia R$ 60 milhões fixos pelo patrocínio; o celeste, R$ 43 milhões; e o alviverde, R$ 4 milhões.
Como o Governo do Estado de Minas Gerais não pode patrocinar diretamente as equipes, ele usa suas empresas para isso, já que as mesmas possuem verbas para serem utilizadas em publicidades. Conforme o governador Mateus Simões, o Executivo discutiria com o Athletic e o Uberlândia, que também são patrocinados por casas de apostas, um acordo de patrocínio para o próximo ano.
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