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Com mais de 1.700 casos em 2025, Divinópolis promove simpósio sobre violência doméstica

Com mais de 1.700 casos em 2025, Divinópolis promove simpósio sobre violência doméstica

Elian Ozéias

Divinópolis recebeu nesta terça-feira, 24, o simpósio “Por Elas Queremos Viver”, realizado no auditório da Fiemg, no bairro Esplanada. A iniciativa reuniu representantes do poder público, forças de segurança e especialistas para discutir estratégias de enfrentamento à violência doméstica e promover ações de conscientização.

O evento faz parte da programação do “Mês Todinho Delas” e tem como principal objetivo ampliar o debate, fortalecer políticas públicas e formar multiplicadores capazes de levar informação e orientação para diferentes espaços da sociedade.

Números que preocupam

Os dados reforçam a urgência do tema. Em 2025, Divinópolis registrou mais de 1.700 casos de violência doméstica, além de quatro feminicídios consumados e cinco tentados.

De acordo com a delegada Francielly Sifuentes, houve um aumento significativo na gravidade dos crimes. Em 2024, o município não registrou feminicídios, enquanto no ano seguinte os casos cresceram de forma expressiva.

A delegada destacou ainda a alta demanda diária na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, com uma média de cinco medidas protetivas analisadas por dia, podendo variar entre duas e oito ocorrências.

Palestras e formação de multiplicadores

O simpósio contou com palestras de profissionais que atuam diretamente no enfrentamento da violência contra a mulher. A proposta é que o conhecimento compartilhado no evento seja levado para escolas, empresas, instituições e comunidades.

Segundo a diretora da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semds), Sandra Guimarães, o encontro é uma ferramenta de orientação e conscientização.

Ela ressalta que a participação de diferentes setores é fundamental para ampliar o alcance das ações e contribuir para a redução dos índices de violência.

Rede de proteção às vítimas

Durante o evento, também foram apresentados os serviços oferecidos pelo município para acolhimento de mulheres em situação de violência.

A cidade conta com o Sistema Único de Assistência Social (Suas) e com o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), que oferecem suporte psicológico, social e jurídico às vítimas.

Em casos de risco iminente, mulheres e filhos podem ser encaminhados para abrigos temporários, onde recebem proteção até que consigam se reestruturar.

Integração entre instituições

O trabalho de enfrentamento à violência doméstica em Divinópolis envolve a atuação conjunta de diferentes órgãos, como Polícia Civil, Polícia Militar e Prefeitura.

Segundo o delegado Flávio Destro, a Polícia Civil avalia a necessidade de encaminhamento das vítimas para abrigos, enquanto a Polícia Militar atua na escolta e garantia da segurança. Essa articulação é considerada essencial para garantir respostas rápidas e eficazes em situações de risco.

Autonomia financeira

Outro ponto destacado no simpósio é a importância da independência financeira para que mulheres consigam romper ciclos de violência.

Parcerias com instituições como Senai, Sebrae e programas sociais oferecem capacitação profissional, especialmente nas áreas de confecção e indústria do vestuário, setores fortes em Divinópolis.

A proposta é possibilitar que as vítimas tenham condições de gerar renda e conquistar autonomia, reduzindo a dependência de relacionamentos abusivos.

Debate que precisa continuar

O simpósio “Por Elas Queremos Viver” reforça a necessidade de enfrentar a violência doméstica de forma ampla, envolvendo prevenção, acolhimento e responsabilização dos agressores.

Mais do que um evento pontual, a iniciativa busca fortalecer uma rede permanente de proteção e conscientização, em um cenário onde os números ainda são alarmantes.

A expectativa é que as discussões e propostas apresentadas contribuam para reduzir os índices de violência e garantir mais segurança e dignidade para as mulheres de Divinópolis.

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