Com superlotação da UPA, Prefeitura contrata leitos extras no São João para atender crianças

Lucas Maciel
Com a chegada do outono e o aumento das baixas temperaturas, as doenças respiratórias se tornam mais comuns, principalmente entre as crianças. Porém, o que deveria ser uma tendência sazonal virou motivo de grande preocupação em Divinópolis.
A cidade tem enfrentado nos últimos meses, um crescimento acelerado no número de atendimentos, com a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto, principal referência para casos de urgência e emergência, registrando uma superlotação preocupante.
A pressão sobre o sistema de saúde é visível: a taxa de ocupação da unidade ultrapassou os 200%, e o número de crianças necessitando de internação aumentou significativamente. Esse cenário crítico gerou uma sobrecarga no atendimento e um aumento da espera por leitos adequados para tratamento intensivo.
Para enfrentar esse desafio, a Prefeitura de Divinópolis tomou uma atitude imediata, contratando leitos extras para atender à alta demanda. A cidade firmou um contrato com o Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD), garantindo a disponibilização de vagas adicionais em pediatria e UTI, com o objetivo de aliviar a pressão sobre a UPA e oferecer o atendimento necessário às crianças que precisam de cuidados médicos urgentes.
Entenda
O acordo estabelecido entre o Executivo e o São João de Deus garante a disponibilização de dez leitos pediátricos de enfermaria e dois leitos de UTI, exclusivamente voltados para o atendimento dos pacientes de Divinópolis. O valor para cobrir a contratação desses leitos é de R$ 1,5 milhão, e será pago com recursos do orçamento municipal.
O pagamento está previsto dentro da dotação orçamentária da Lei Orçamentária Anual. Essa contratação tem caráter emergencial, com os leitos sendo disponibilizados conforme a demanda e necessidade dos atendimentos pediátricos mais críticos.
Através das redes sociais, o prefeito Gleidson Azevedo (Novo) comentou sobre o desafio, mas ressaltou que a saúde das crianças é uma das prioridades da administração.
— Saúde será sempre prioridade total do meu governo. A gente venceu a covid no mandato passado e agora vamos vencer mais essa batalha, que são as doenças respiratórias, principalmente com as nossas crianças — comentou.
Durante o vídeo, o prefeito também revelou que conversou com o secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, que se comprometeu a apoiar a cidade com a disponibilização dos novos leitos, com base no decreto emergencial. Além disso, um plano de contingência foi elaborado para enfrentar a situação.
Superlotação
A medida foi adotada para aliviar a pressão sobre a UPA, que está operando com uma taxa de ocupação superior a 200%, uma situação que tem se agravado nos últimos dias. O aumento expressivo no número de atendimentos, especialmente em casos de doenças respiratórias, tem levado a unidade a um colapso, com diversas crianças aguardando leitos hospitalares, algumas delas em estado grave.
Segundo balanço divulgado pela Prefeitura na última sexta-feira, 9, 11 crianças estavam à espera de transferência para hospitais, sendo duas em estado crítico, necessitando de vagas em unidades de terapia intensiva (UTI). Além disso, havia outras em observação, cujo quadro pode evoluir para uma necessidade de internação.
Transferências
A situação crítica levou, neste último domingo, à realização de uma força-tarefa para transferir crianças com bronquiolite —uma complicação respiratória aguda que afeta, principalmente, crianças menores de dois anos. Três helicópteros foram mobilizados para realizar as transferências, com o apoio do Samu e do Corpo de Bombeiros.
Entre os casos, um menino de apenas 4 meses foi transferido para o Hospital Vital Brazil, em Timóteo, enquanto outro, de dois meses, foi levado para o Hospital Bom Samaritano, em Governador Valadares, as duas cidades no Vale do Aço.
A ação rápida visa garantir que os pacientes mais graves, que estavam com dificuldades respiratórias, recebam cuidados médicos intensivos. O Aeroporto Brigadeiro Cabral, em Divinópolis, foi o ponto de apoio para as decolagens.
Casos
Números da UPA divulgados ao Agora na última semana, mostram que Divinópolis enfrenta uma escalada preocupante nos atendimentos por síndromes respiratórias em 2025.
Os registros vêm crescendo mês a mês. Em janeiro, já foram mais de 300 atendimentos, e esse número seguiu aumentando. Em abril, houve um salto expressivo, com 637 registros – quase o dobro da média dos meses anteriores. O avanço reforça o alerta para o impacto das doenças respiratórias típicas do outono, período marcado por clima seco e maior circulação de vírus.
Entre os casos mais graves, a tendência também é de crescimento. Em janeiro, a UPA registrou 12 ocorrências de Síndrome Respiratória . O número caiu para 8 em fevereiro, mas voltou a subir em março, com 17 casos, e novamente em abril, com 23. Embora esses dados sejam menores em volume, os casos de SRAG demandam atendimento mais complexo, com necessidade de internações, suporte intensivo e, muitas vezes, transferência para hospitais de maior porte.
Confira os números completos (dados até abril):
- Atendimentos síndrome respiratória 2025:
Janeiro: 321
Fevereiro: 378
Março: 397
Abril: 637
- Atendimentos síndrome respiratória aguda Grave (SRAG) 2025:
Janeiro: 12
Fevereiro: 8
Março: 17
Abril: 23
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