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Comissão de Administração também deve investigar denúncias sobre Serviço do Luto

Por Portal Agora
Comissão de Administração também deve investigar denúncias sobre Serviço do Luto

Gisele Souto 

As denúncias publicadas pelo Agora na edição desta terça-feira, 14, sobre a sobrecarga de trabalho, déficit de agentes funerários e interferências dos Poderes Executivo e Legislativo no Serviço Municipal do Luto gerou reação imediata do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram). Parte da diretoria foi ontem pela manhã ao imóvel, situado ao lado do Samu, ver in-loco as condições de trabalho dos agentes funerários e, logo depois, tomou as primeiras providências. Solicitou uma reunião emergencial com o secretário de Serviços Urbanos, Gustavo Mendes, pasta responsável pela administração do serviço. A presidente do Sintram, Luciana Santos, reagiu com indignação após tomar conhecimento da reportagem e lembrou que o serviço funerário vem sofrendo com medidas administrativas contrárias à legislação desde o início do ano. De acordo com Luciana Santos, situações como a ocorrida em janeiro deste ano, quando a vice-prefeita e secretária de Governo, Janete Aparecida (PSC), em reunião ocorrida na Prefeitura, comunicou que a partir daquele mês passava a ser atribuição dos agentes funerários a responsabilidade pela remoção de corpos em domicílio, são recorrentes.

A presidente disse que o sindicato vai investigar as denúncias. Ela lembrou que esse é um setor que exige muito da saúde psicológica do servidor.  

Nossa preocupação não está relacionada somente aos servidores, que vêm sofrendo pressão psicológica desde o início desse governo, estão sobrecarregados e ainda não têm o respaldo necessário da chefia imediata. Trata-se, também, da questão humanitária, pois estamos falando de um serviço que é chamado nos momentos de maior sofrimento para as famílias, que nesse momento precisam de muito mais do que um sepultamento. Precisam de atendimento humanizado, competente, e isso depende dos agentes funerários, porém, desde que tenham as necessárias e adequadas condições de trabalho — afirmou em nota publicada no site do sindicato. 

Má vontade 

Em outro trecho, Luciana Santos disse que há dois anos o sindicato vem lutando pela melhoria da qualidade do serviço funerário e que isso passa necessariamente pelas condições de trabalho oferecidas aos agentes. 

Estamos notando que há certa má vontade administrativa para melhorar o setor, que vem sendo tratado como se fosse um departamento de menor importância. E não é isso. O serviço funerário não pode ser administrado desta forma. Nesse encontro que teremos com o secretário, mais do que respostas, queremos soluções imediatas, pois os servidores não podem ser responsabilizados diante a tanta denúncia grave envolvendo a administração do serviços — resume Luciana Santos.

Câmara 

As denúncias também repercutiram na Câmara. Em seu pronunciamento na reunião da última terça, Ademir  Silva (PSDB) pediu a convocação do secretário Gustavo Mendes para esclarecimentos. 

— Já que tem vereador dando “carteirada” no Luto, nós queremos saber quem são. Não é justo que tenhamos nosso nome sujo, na lama, se não fazemos isso. Eu não dou “carteirada”, então precisamos saber quem dá. Então peço, senhor presidente, que mande investigar essas denúncias — enfatizou.

Edsom Sousa (MDB) foi outro que discursou sobre o assunto.  Disse na tribuna que, quando houve troca de corpos no São João de Deus, os vereadores queriam derrubar o hospital, e agora, que aconteceu no Luto, ninguém fala nada. 

O Agora perguntou ao presidente da Casa, Eduardo Print Jr. (PSDB), se havia alguma providência em andamento. Ele disse que, até a tarde de ontem, não havia recebido nenhum documento pedindo a abertura de investigação.

Quando perguntado sobre a diferença no tratamento em relação ao São João de Deus, respondeu:

— Naquela ocasião, eu e o vereador Ney Burguer (PSB) fomos fiscalizar e ratificamos por meio de documento, tanto é que virou lei  — acrescentou.

A reportagem ouviu também Edsom Sousa. Ele disse que fez sua função que foi fazer a comparação dos dois casos em sua fala na tribuna. Falou ainda que agora cabe à comissão responsável. 

Já o vereador Ademir Silva não atendeu às ligações.

 O presidente da Comissão de Administração, Josafá Anderson (CDN), também foi ouvido. Revelou que vai solicitar a provocação do vereador, no caso, Ademir Silva, o primeiro a falar,  para tomar providências.

Entenda o caso 

O Agora publicou reportagem em primeira mão, na quinta-feira da semana passada, explicando sobre a troca de corpos no Serviço Municipal do Luto. No texto, o depoimento de uma fonte que revelou a atual situação de trabalho dos agentes funerários e má gestão. Questionada, a Prefeitura negou a denúncia. Porém a fonte não se conformou com a resposta do Executivo e contou ao Agora com exclusividade outras situações que vêm ocorrendo no Serviço do Luto, como “carteiradas” de integrantes da Prefeitura e de vereadores nos serviços realizados pelos agentes. Um deles, tempo de velório, mesmo sendo vítimas de covid, desrespeitando o decreto em vigência e a agenda a ser cumprida. Reafirmou a má gestão e que, pelo fato de o gerente não ser técnico, acaba cedendo à politicagem.  

A troca de corpos ocorreu na quinta-feira da semana passada, quando familiares esperavam uma idosa, mas, quando abriram o caixão, era um idoso. Desesperados, procuraram o Serviço do Luto, que providenciou a troca. 

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