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Cultura

Companhia brasileira leva dança contemporânea à China em turnê

Focus Cia de Dança representa o país no Living Dance Festival e fará apresentações em três cidades chinesas durante viagem de 13 dias

Por Lucas Maciel · Redação· 3 min de leitura
Companhia brasileira leva dança contemporânea à China em turnê

A dança brasileira vai atravessar o mundo nos próximos dias. A ‘Focus Cia de Dança’ já está na China para representar o Brasil no Living Dance Festival, em uma turnê de 13 dias que marca a primeira viagem da companhia à Ásia. Cerca de 20 pessoas, entre bailarinos, diretores e técnicos, integram a equipe que levará a produção brasileira a três cidades do país.

Criada há 25 anos, a companhia carioca foi convidada para apresentar o espetáculo Still Reich, inspirado na obra do compositor norte-americano Steve Reich, um dos principais nomes da música minimalista contemporânea. A montagem reúne quatro peças criadas em diferentes momentos pelo coreógrafo e diretor artístico Alex Neoral, que define o trabalho como um dos mais vigorosos do repertório da Focus.

— É como se ele ainda me trouxesse inspiração. Daí esse título Still Reich. É um espetáculo com bastante movimento e musicalidade. Mostra o lado mais vigoroso da companhia — afirmou Neoral à Agência Brasil.

A primeira parada da turnê será em Hohhot, capital da Região Autônoma da Mongólia Interior, onde as apresentações estão marcadas para os dias 28 e 29 de agosto, no Hohhot Minzu Theatre. Depois, o grupo segue para Pequim, com espetáculos nos dias 31 de agosto e 1º de setembro, no LDTX Theatre. A última apresentação será no dia 3 de setembro, em Zhengzhou, no Zhengzhou Grand Theater.

Além do palco

A programação na China não será restrita às apresentações. Alex Neoral e os bailarinos também vão participar de workshops com grupos locais, levando ao público e a outros profissionais da dança um pouco da linguagem desenvolvida pela companhia brasileira ao longo de sua trajetória.

A participação no Living Dance Festival representa ainda a estreia da Focus no continente asiático. Para integrar a programação, a companhia precisou apresentar uma série de documentos e informações sobre suas atividades, incluindo traduções de textos e músicas e o calendário de apresentações de anos anteriores, além da programação atual e futura.

O festival integra o circuito da dança contemporânea chinesa e tem ligação com a BeijingDance/LDTX, companhia fundada em 2005 por Willy Tsao e Li Han-zhong. Sediada em Pequim, a organização é reconhecida como a primeira companhia profissional privada de dança contemporânea oficialmente registrada na China e se tornou uma das principais referências do setor no país.

25 anos de estrada

A viagem acontece justamente no ano em que a Focus Cia de Dança celebra 25 anos de atuação. Fundada em 2000 por Alex Neoral e Tati Garcias, gestora e diretora de produção, a companhia construiu uma trajetória que ultrapassou as fronteiras brasileiras.

Ao longo de sua história, o grupo já se apresentou em mais de 100 cidades do país e realizou turnês internacionais em destinos como Colômbia, Bolívia, México, Costa Rica, Canadá, Estados Unidos, Portugal, Itália, França, Alemanha, Espanha, Panamá e Argentina.

A companhia também foi declarada Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico de Natureza Imaterial do Estado do Rio de Janeiro e recebeu a Comenda do Mérito Cultural, concedida pelo Ministério da Cultura.

O retorno ao Brasil está previsto para começar no dia 4 de setembro, mas a agenda da Focus seguirá movimentada. A companhia já tem apresentações programadas em diferentes regiões do país, com espetáculos como Carlota, inspirado nas músicas de Astor Piazzolla; As Canções que Você Fez para Mim, com repertório de Roberto e Erasmo Carlos; Entre a Pele e a Alma, com canções interpretadas por Ney Matogrosso; e o infantil O Bicho Dançante.

Entre as cidades que receberão a companhia está Uberlândia, em Minas Gerais, além de Boa Vista, São Paulo, Porto Alegre, João Pessoa, São Luís e outros municípios.

A passagem pela China, portanto, amplia uma trajetória que já levou a dança brasileira a diferentes países e agora chega, pela primeira vez, ao público asiático.


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