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Coluna MG

CREPÚSCULO DA LEI – ANO VII – CCCXLV

CREPÚSCULO DA LEI – ANO VII – CCCXLV

  O ministro decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, é co-fundador de uma instituição de ensino em Lisboa, Portugal. É o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, conhecido como IDP. Juntamente com ele nesta empreitada está o Procurador Geral da República (PGR), Paulo Gonet, bem como Inocêncio Mártires Coelho, um ex-PGR.

         O IDP, como instituição de ensino (repita-se, fundada por Gilmar Mendes) organiza em meados de cada ano um Fórum de debates envolvendo, fundamentalmente, direito, política e economia.

         Este encontro, o qual se encontra em sua 13ª edição, foi apelidado de Gilmarpaloosa (1) exatamente pelo fato de ser organizado por Gilmar Mendes e (2) em referência ao conhecido festival de música Lollapaloosa.

         O evento reúne diversos juristas, empresários, militares, políticos, apresentando, inegavelmente, um rompante de conservadorismo da classe alta.

         Claro que em uma reunião dessa ordem piadas não podem faltar.

         Dentre as diversas piadas, aquela que realmente ganhou o primeiríssimo lugar foi protagonizada pelo ex-secretário de estado estadunidense, e também ex-diretor da agência central de inteligência daquele país, o Sr. Mike Pompeo.

         Ele concorreu com uma piada proferida no dia 3 de julho de 2025, quando participou de um painel como convidado (keynote speaker), sendo entrevistado pelo presidente e amigo do ex-ministro da justiça Paulo Guedes, o Sr. André Esteves.

         Entre os dois, atuando como mediador, estava Gilmar Mendes. Evidentemente.

         O cenário estava formado para uma piada. E ela veio.

         Durante os questionamentos, o Sr. Pompeo, reproduzindo toda a fixação estadunidense na China, proveniente das seguidas derrotas econômicas impostas aos EUA, disse o seguinte:   “Eu digo com todo respeito: vocês têm de escolher um lado. E não é um lado entre China e EUA. É entre democracia liberal, liberdade e tirania”, disse.

         (kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...)

         E continuou: “Ao escolher os EUA, vocês estão escolhendo um modelo, um sistema. Vocês estão escolhendo o lado da liberdade, da propriedade privada, da dignidade humana”, acrescentou.

(kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...)

         Que piada fabulosa!

         Ele conseguiu a proeza de executá-la sem se ruborizar um momento sequer. Um artista. Um comediante nato.

         Somente um comediante nato para falar algo assim, fingindo esquecer o terrorismo estadunidense, patrocinador do maior holocausto da história da humanidade – ainda  em andamento – contra o povo palestino, em mortes que já caminham para 1 milhão, envolvendo mulheres e crianças,um espetáculo de horror contra o direito humanitário em sua amplitude máxima, jamais visto em qualquer genocídio.

         Sim, ele conseguiu soltar essa piada sem sentir vergonha alguma. Foi como se o modelo “Trump” de governar correspondesse, realmente, a um modelo de liberdade.

         Cáspite! Aquilo não é modelo para nada.

É um palhaço? Ou acha que quem o escuta é palhaço?

         Deveria o Sr. Pompeo se inteirar mais da China como a nova potência do século XXI, seus avanços, sua tecnologia de ponta, seu nível de desenvolvimento social e o padrão de vida dos seus habitantes. Está amplamente disponível nas redes.

         Ora, a China promove suas conquistas sem precisar invadir, roubar, ameaçar, lançar bombas contra ninguém. Nesse sentido, basta conferir igualmente os anais da ONU para se constatar quem é, de fato, o maior violador de direitos humanos do planeta. Também está tudo disponível nas redes.

Certamente NÃO é a China. O resto é piada.

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