Cresce o número de idosos vítimas de fraudes

Rafael Camargos
Os índices de criminalidade têm crescido amplamente, e as fraudes se tornado comuns no dia a dia. As vítimas: Não tem idade, cor ou raça. Mas, atualmente os mais passiveis de cair neste golpe tem sido os idosos. Um estudo divulgado ontem, 26, pela Serasa Experian revelou que o percentual de idosos com chance de ser vítima de fraudes cresceu de 36,5%, no primeiro semestre de 2014, para 43,6%, no mesmo período de 2016. Dentro dessa faixa etária, o sexo masculino representa a maioria (71,6%) de vítimas em potencial, e o principal golpe cometido é o roubo de identidade para firmar negócios ou obter crédito.
Em Divinópolis, não é diferente. As ocorrências passaram a ser comuns entre muitas outras registradas na cidade.
Casos
Recentemente, uma mãe caiu em um golpe arquitetado pelo próprio filho em Divinópolis. O adolescente de 14 anos forjou o próprio sequestro para extorquir dinheiro. Ela recebeu diversas ligações dos sequestradores e da suposta “vítima” solicitando dinheiro para que ele fosse libertado. A mãe acionou a Polícia Militar (PM), que solucionou o caso.
Pesquisa
A pesquisa usou como base um grupo de pessoas com alta propensão a ser vítima de fraude, conforme o banco de dados da instituição. Os dados revelam que o público entre 25 e 59 anos é o principal alvo (49,9%), à frente, inclusive, dos idosos (43,3%). Porém, foi entre as pessoas acima de 60 anos que a prática desse tipo de crime mais cresceu. Em terceiro lugar como vítima de fraudadores está o grupo que reúne jovens de até 24 anos (4,9%).
Orientações
A Câmara dos Dirigentes Lojistas de Divinópolis (CDL) deu algumas orientações para não cair em ciladas.
Para o especialista do setor jurídico, Maria de Lourdes Andrade, o aumento dos crimes contra idosos se explica pelo fato de que esse é um público que tem mais dificuldade em realizar operações bancárias e se adaptar ao uso da tecnologia empregada em caixas eletrônicos.
— Os idosos estão mais propensos a sofrer golpes devido a sua boa-fé. Principalmente no interior, sempre se teve uma tranquilidade maior no trato com as pessoas. Eles têm muitos problemas, até com os próprios membros da família que, abusando da boa-fé, solicitam crédito em seu nome, comprometendo substancialmente a aposentadoria — explicou.
A especialista disse que os golpes comuns são: As contribuições para instituições de caridade, a venda de produtos “naturais”, e até mesmo o velho golpe do bilhete premiado.
— Por telefone, acontece a situação de ter sido sorteado, mas, para receber o prêmio deve depositar um valor ou até mesmo comprar cartões de telefone e passar o código — completou.
Ainda de acordo com o levantamento do Serasa, homens com idade entre 25 e 59 anos, renda entre R$ 850 e R$ 1.075 são os principais alvos dos fraudadores, porque pessoas dentro dessa faixa etária estão economicamente mais ativas.
Fraudes
Para evitar cair em fraudes, a especialista alerta que é importante nunca perder de vista documentos, cartão de crédito e folhas de cheque e recomenda que, ao sair na rua, à pessoa leve apenas documentos necessários. Outro cuidado importante, segundo ela, é não repassar informações sobre documentos e dados pessoas por telefone, mesmo que o atendente tenha alguns dados reais da pessoa. Em casos envolvendo chamadas por telefone, sua recomendação é buscar um telefone oficial da empresa e retornar a ligação.
Ela aconselha ainda a não pedir informações a terceiros sobre documentos ou acessos a caixa eletrônico, por exemplo, optando sempre por procurar um funcionário do local; ter cuidado na hora de fazer cópias de seus documentos, optando sempre por locais de confiança; na internet fazer compras e preencher formulários somente em sites recomendados por órgãos oficiais e fazer pesquisas sobre a reputação de lojas ou prestadoras de serviço.
— O ideal é sempre orientar sobre o que fazer e o que não fazer, pode-se até mesmo colocar alertas escritos perto do telefone, para lembrar os idosos da situação dos golpes. Caso o golpe ocorra, não ficar cobrando em demasiadamente do idoso a situação, pois ele pode até mesmo adoecer diante da decepção — descreve Lourdes.
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