Crimes virtuais se intensificaram

Da Redação
Uma ligação em busca de presas fáceis. Nos últimos dias várias pessoas tiveram o aplicativo de WhatsApp clonado por criminosos, que entram em contato com pessoas próximas da vítima e solicitam depósitos em dinheiro. A clonagem do WhatsApp é um dos crimes virtuais que se tornaram frequentes em Divinópolis. O Procon Municipal alerta para o aumento deste tipo de crime, em que a vítima é contactada através de redes sociais.
Há poucos dias, o vereador Renato Ferreira (PSDB) teve o WhatsApp clonado por bandidos que enviaram mensagem a amigos próximos pedindo o depósito de quantias que variavam de R$ 400 a mais de R$ 2 mil. Os bandidos invadiram o celular do vereador quando ele atendeu a uma ligação de número desconhecido. Segundo ele, foi a partir daí que o aparelho começou a apresentar problemas. Um amigo de Renato não desconfiou do golpe e chegou a depositar R$ 400 em um das contas informadas pelos criminosos.
Mais golpes
Outro meio utilizado para chamar a atenção das vítimas é a oferta de crédito em conta com valores e juros bem atrativos. Após realizar o contato com o suposto agente de crédito, a vítima é obrigada a depositar dinheiro de maneira antecipada para supostamente assegurar a aprovação do crédito. O gerente do Procon, Ulisses Couto, explica que esta modalidade de crédito configura crime, pois está vedada por norma reguladora.
— Por si só essa prática já caracteriza o golpe, uma vez que é vedado por norma regulamentadora que instituições financeiras solicitem quaisquer valores prévios ou fora do valor das parcelas na concessão de empréstimo — explicou.
Em vista da pandemia, muita gente tem preferido realizar transações bancárias e compras por meio da internet, o chamado e-commerce, que cresceu, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm), mais de 40% durante as medidas de isolamento social. Com a explosão do e-commerce, cresceu também o número de fraudes em compras pela internet.
— É importante que o consumidor saiba como fazer uma compra na internet de forma segura, evitando que seja vítima de falsas empresas, que na maioria das vezes se aproveitam da situação para aplicar golpes — alerta o gerente do Procon.
O consumidor desatento é o principal alvo dos criminosos que agem com coordenadas dando à vítima a sensação de segurança.
— Temos percebido nos nossos atendimentos uma preocupante crescente de reclamações de consumidores que foram vítimas de golpes — disse Ulisses Couto.
Polícia
A maioria dos golpes virtuais é enquadrada no crime de estelionato, que, depois da mudança na legislação brasileira por causa do pacote anticrime, passou a exigir representação da vítima. Ou seja, além de registrar a ocorrência, a pessoa precisa fazer uma representação, o que permite à polícia investigar a autoria dos crimes.
Por causa do aprimoramento com que os bandidos estão agindo atualmente, a Polícia Civil (PCMG) lançou a cartilha “Golpe, só se for nos criminosos”. O material apresenta à população os principais golpes praticados atualmente, além de dar dicas de prevenção.
De acordo com o diretor do 1º Departamento de Polícia Civil, delegado-geral Wagner Sales, a maioria dos crimes migrou da rua para o ambiente virtual.
— Nesse momento de isolamento social, as pessoas estão reclusas em casa e acessam mais as redes sociais, fazem compras pela internet, e isso pode contribuir para aplicação de golpes — afirma.
O material de conscientização distribuído pela PC partiu da análise de estatísticas e do trabalho de inteligência da corporação. Ao todo, a cartilha apresenta 16 tipos de golpes, divididos em três modalidades: golpes presenciais, golpes pela internet e crimes praticados por telefone. Ele exemplifica dois tipos de crimes que estão sendo praticados muito frequentemente.
— Entre esses, estão os golpes da clonagem de WhatsApp, o do cartão cortado recolhido pelo falso motoboy e o do falso intermediador de vendas. Nesse momento de pandemia, duas práticas que voltaram com mais força são o do falso parente internado e o do falso sequestro — destacou.
Ainda segundo o delegado Sales, a dúvida e a informação são duas grandes aliadas para frustrar os planos dos golpistas.
— A informação ainda é a maior arma contra esse tipo de crime. Não acredite em vantagens mirabolantes e promessas de grandes negócios, pois, atrás delas, certamente haverá um golpe. É preciso sempre checar. Na dúvida, não faça — explicou.
A cartilha educativa da Polícia Civil pode ser baixada e acessada pelo site institucional da entidade: https://www.policiacivil.mg.gov.br/.
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