Crise do leite leva à diversificação de atividades

Produtor integra leite, agroindústria, pecuária de corte e floresta para reduzir riscos
A crise persistente no setor leiteiro brasileiro tem pressionado produtores em todo o país. A combinação entre baixa rentabilidade, aumento dos custos de produção e concorrência de produtos importados tem reduzido margens e ampliado a insegurança dentro das propriedades rurais.
Diante desse cenário, muitos produtores têm buscado alternativas para manter a atividade. Em vez de abandonar o leite, a estratégia tem sido diversificar a produção.
Esse é o caso de José Alves dos Santos, produtor de Joaíma, cuja queijaria foi a primeira em Minas Gerais a obter registro de inspeção sanitária para comercializar o Queijo Artesanal Cabacinha do Vale do Jequitinhonha.
- Integração produtiva como estratégia
Sem abrir mão da atividade leiteira, o produtor ampliou sua atuação dentro da própria propriedade, integrando pecuária leiteira, agroindústria, pecuária de corte e floresta.
- A integração entre atividades cria equilíbrio e reduz a dependência de um único mercado, destacou.
A lógica adotada é trabalhar com diferentes ciclos produtivos, reduzindo riscos e garantindo maior estabilidade financeira ao longo do tempo.
- A gente não trabalha só com crise. A gente trabalha com ciclo. Tem fase boa e tem fase difícil. Quem sobrevive é quem planeja. A pecuária de corte também tem ciclo, a floresta e a agroindústria têm ciclo. Então a gente tem que pensar a longo prazo, quatro, cinco anos. Não dá para olhar só o momento, explicou.
- Manejo e produtividade
Uma das principais mudanças na propriedade foi a reorganização das pastagens, com divisão estratégica das áreas e adoção de manejo rotacionado do gado.
A implantação de módulos menores, cercas elétricas e planejamento para uso de energia solar em áreas sem acesso à rede elétrica tem gerado impacto direto na produtividade.
- Quando eu tinha uma área de 70 hectares com apenas três divisões para leite, a produção era uma. Quando passei para oito divisões, dobrei a produção. A ideia agora é dobrar novamente com mais subdivisões e manejo bem feito, avaliou.
Mesmo diante da crise, o produtor reforça que investir continua sendo necessário, desde que com planejamento e controle de custos.
- Não adianta pensar em diversificar e não investir. Mas a gente busca sempre o menor custo possível.
- Assistência técnica como diferencial
O suporte técnico foi determinante para a transformação da propriedade.
- Confesso que sozinho eu não teria coragem de implantar tudo isso. Eu pensava em dividir as pastagens há mais de dez anos e nunca fazia. Com o técnico ao lado, você coloca prazo, organiza e executa, afirmou.
A primeira mudança ocorreu na agroindústria. O queijo, que antes era comercializado de forma artesanal e sem padronização, passou a ser embalado, certificado e valorizado no mercado.
┃ Isso só aconteceu porque teve orientação e apoio de instituições como o Senar. É a mesma coisa na pecuária de corte: buscar intensificação, buscar qualificação, melhorar sempre.
Segundo o técnico de campo do programa ATeG Pecuária de Corte, João Marcos Otoni, a diversificação tem se consolidado como um caminho estratégico para o setor.
┃ A sustentabilidade econômica no campo não depende apenas de enfrentar crises, mas de construir sistemas produtivos mais resilientes. A diversificação tem se mostrado um caminho viável para garantir permanência, produtividade e rentabilidade, concluiu.
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