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Saúde

Dez anos no São João: uma história que também mudou a minha

Por Redação Jornal Agora · Redação· 3 min de leitura
Dez anos no São João: uma história que também mudou a minha

Em 8 de setembro de 2016, eu cheguei ao São João de Deus. Não sabia, naquele momento, que estava entrando em uma história que também mudaria a minha.

Dez anos podem ser medidos pelo calendário. Mas há lugares em que o tempo se mede de outra maneira: pelas pessoas que chegam, pelas que partem, pelos desafios enfrentados, pelas conquistas celebradas e, sobretudo, pelas vidas que passam a ter um novo capítulo.

Foi assim que vivi essa década. Um dos primeiros grandes momentos que acompanhei foi a inauguração da Sala Vermelha, em 2017. Mais do que uma nova estrutura, ela representava a capacidade de ampliar o atendimento de urgência e emergência e reafirmava a importância do São João para Divinópolis e para toda a região.

Em 2018, o hospital completou 50 anos e iniciou uma nova etapa como Complexo de Saúde São João de Deus. A mudança traduzia algo maior: uma instituição que se reconstruía, crescia e se preparava para novos desafios.

No ano seguinte, chegaram a Clínica de Oncologia e a Clínica de Consultórios. E, naquele mesmo período, a implantação dos Cuidados Paliativos trouxe uma lembrança essencial: cuidar não é apenas tratar uma doença. É também acolher, aliviar a dor e estar presente quando mais se precisa.

Em 2020, a chegada da primeira Ressonância Magnética própria representou mais um avanço tecnológico. Mas foi a inauguração da Ala de Oncologia Pediátrica que, para mim, ganhou um significado especialmente humano. Crianças e adolescentes que precisavam percorrer longas distâncias passaram a encontrar tratamento mais perto de casa. Às vezes, uma mudança na estrutura de um hospital significa uma mudança enorme na vida de uma família.

Ainda guardo na memória a primeira sessão de Hemodiálise Pediátrica. Daniel tinha 12 anos e foi o primeiro paciente. Existem acontecimentos que não cabem em relatórios. Ficam na memória porque carregam nomes, rostos e histórias.

O Refaces também marcou essa trajetória ao ampliar a assistência às pessoas com deformidades craniofaciais. Em 2022, a primeira cirurgia bariátrica pelo SUS reforçou outro compromisso: fazer com que a saúde de qualidade também alcance quem mais precisa.

E veio a certificação ONA, reconhecendo o trabalho desenvolvido em segurança e qualidade assistencial. Uma conquista que, mais do que um selo, representa o esforço diário de tantas pessoas que trabalham para que cada cuidado seja mais seguro.

Agora, em 2026, vejo o São João iniciar mais um capítulo. Uma nova identidade, uma nova forma de se apresentar e uma expressão que traduz, de maneira muito verdadeira, tudo o que testemunhei nesses anos: Mudar Histórias. Porque ao reconhecer o propósito, descobrimos que legado não é o fim da história.

Vi pacientes encontrarem novas possibilidades. Vi famílias atravessarem momentos difíceis. Vi profissionais transformarem conhecimento em cuidado. Vi uma instituição enfrentar seus próprios desafios, se reconstruir e crescer. E vi, principalmente, pessoas acreditarem. 

As melhores escolhas são aquelas que ganham um novo sim todos os dias. Talvez essa seja a maior lição desses dez anos: nenhuma grande transformação acontece sozinha. Ela é construída por muitas mãos, muitos sonhos e muitas histórias que se encontram em um mesmo lugar.

O São João mudou muito nesses dez anos. Eu também. Levo comigo as conquistas, os desafios, os aprendizados e, principalmente, as pessoas que fizeram parte desse caminho. Chegar ao São João foi uma decisão profissional. Permanecer e viver essa história se tornou parte da minha vida.

Hoje, ao completar dez anos nesta instituição, não olho apenas para tudo o que construímos. Olho para tudo o que ainda podemos construir. Porque algumas histórias merecem ser lembradas. E outras ainda estão esperando para ser mudadas.

Elis Regina Guimarães é administradora, especialista em Gestão Estratégica em Saúde e Governança Clínica, com mais de 26 anos de experiência em gestão hospitalar. No São João de Deus desde 2016, é Diretora CEO desde 2023.




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