Dia das Mães

João Carlos Ramos
A metodista Anna Jarvis criou um memorial à sua mãe e iniciou uma campanha para a criação do DIA DAS MÃES. Em 8 de maio de 1914, sua campanha triunfou e foi instituído o "Mothers' Day" pelo congresso norte-americano, a ser comemorado todo segundo domingo do mês de maio. No Brasil, foi instituída a comemoração, também no segundo domingo do mês de maio, a partir de 12 de maio de 1918. O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu:
"PARA SEMPRE - Por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, tempo sem hora, luz que não apaga. Quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada. Água pura, ar puro. Puro pensamento. Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe na sua graça é eternidade. Por que Deus se lembra -mistério profundo- de tirá-la um dia? Fosse eu rei do mundo, baixava uma lei: mãe não morre nunca. Mãe ficará para sempre junto de seu filho. E ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho".
Em pleno 2020, na era do coronavírus, cresce mais ainda o nome mãe. O inimigo invisível que está assolando o mundo atual afasta ainda mais o corpo físico das mães e oferece aos filhos uma oportunidade única de reflexão de sua grandeza. Abre-se o portal da vida e o primeiro choro, chama a atenção do mundo para o mistério revelado em carne e ossos. Nasceu o filho em meio a intensas dores... O engenho produz a "garapa da vida", enquanto o bagaço sorri de forma esplêndida. O filho compensa, ainda que o futuro venha dizer o contrário. O salto da pobre mãe no abismo do amor materno deixa uma lição para o mundo em pedaços: "Não quero nada dele, quero apenas vê-lo e ampará-lo, ainda que venha estar longe como as montanhas e nunca mais venha até mim". Jamais decifraremos o amor de mãe, ainda que poetas e historiadores a enalteçam, acima dos mares e constelações. Uma filha ou filho enlutada (o) chorará muitíssimo e a dor será eterna. O ninho feito de carne sempre a aqueceu e aquecerá sua memória em busca de lenitivo para a alma. Em tempos de coronavírus, a saudade é dobrada, pois a morte começa antes da hora e os sinos se preparam para bater. Recordo-me de um fato, acontecido nos Estados Unidos: uma bela mãe se transformara em um monstro para salvar a filha recém-nascida que estava numa casa em chamas. A filha foi levada para outro lar distante e passaram-se tempos... Após vinte anos, o destino trouxe a filha novamente para aquelas terras e, por desinformação e crueldade, ao ver aquela caricatura de mulher em plena rua, a infeliz zombou, julgando tratar de pessoa desconhecida. O velho da estação, ao ver aquilo, chamou a bela moça e apontou-lhe a arma da verdade:
Aquele caco de mulher, aquele monstro, totalmente desfigurada, é sua... MÃE! Bem devagarinho foi contando a horrenda história da mãe queimada e sua filha, agora desalmada.
Sejamos gratos e não cobremos nada daquela que é o portal da nossa vida. Entreguemos a elas todo o ouro de nossa gratidão.
Que o segundo domingo de maio seja uma seta a apontar o caminho para felicidade de todos os homens.
Feliz dia das mães!
jocarramos@gmail.com
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