Discípulos de Bolívar

Inocêncio Nóbrega
Caracas, 1783, 24 de julho, nascia Simón Bolívar. Abreviação de seu extenso nome. Aos três anos perdeu o pai e aos nove a mãe, passando a ser criado pela negra Hipólita. Quando rapaz segue para Madri, onde ascende a cadete e tenente. Casado, traz para sua terra natal linda esposa, que logo falece, vítima de febre amarela. A partir daí jura desposar, unicamente, a ideologia revolucionária, buscando a libertação dos povos sul-americanos. Leu Rousseau e Voltaire; na bagagem, ideias novas. Persistente, construiu a independência da Venezuela, depois de lutar pelas da Colômbia, Equador e Peru.
Indomável nos seus propósitos, trazendo reflexos no Brasil, norte-nordeste. No Pará, o jornalista Alberto Patroni preferiu a peleja panfletária, dirigindo o seu “O Paraense”, tantas vezes empastelado. No Piauí, brigadeiro Manuel de Sousa Martins, ao aglutinar patriotas, civis e militares, na antiga capital da capitania, Oeiras. Irritado com a dominação portuguesa, toma Casa da Pólvora e Paço Municipal, instalando novo Governo.
Bolívar incendeia o espírito de compatriotas brasileiros: o revolucionário piauiense, Leonardo Castelo Branco; general Abreu e Lima, homônimo de seu pai, fuzilado na Revolução de 1817, havia deixado Pernambuco para se tornar lugar-tenente nas batalhas venezuelanas, vitoriosas em 1810. Próximo ao Recife há uma cidade que guarda seu nome. Nela, a réplica de sua estátua e de Bolívar. Tristão Gonçalves, no Ceará; Peregrino de Carvalho, na Paraíba e Ana Lins, em Alagoas, são discípulos indiretos dessa escola doutrinária, que empolgou, sobretudo, maçons, militares, comerciantes e padres, os quais fizeram de seus púlpitos a pregação separatista.
Um dos 13 mártires a destacar no Movimento de há 200 Anos, Domingos José Martins. Dizem seus biógrafos, dotado de rara tenacidade, nos negócios de comércio, e que estivera em Londres, perlustrando por ambientes liberais. Ali conheceu Francisco de Miranda, a quem Bolívar confiou o comando do Exército da Venezuela independente. Nascido no interior do município Cachoeiro de Itapemirim (ES), mas se mudou para o Recife, onde exerceu, com desenvoltura, suas atividades profissionais por vocação. Fiel aos princípios de liberdade abraçou, com tamanha abnegação, a causa de 1817, por ele secretamente esquematizada. No confronto com as forças da Coroa é militarmente derrotado, preso e levado a Salvador, sendo igualmente fuzilado em 12 de junho daquele ano. Seu estado lhe dedica uma cidade, logradouros públicos e o Instituto Histórico. O Brasil, pela pres. Dilma, um lugar no Livro dos Heróis da Pátria.
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