Carregando clima…
Polícia

Divinópolis chega a 46 homicídios em 2025, e pode encerrar o ano com recorde de mortes

Por Bruno
Divinópolis chega a 46 homicídios em 2025, e pode encerrar o ano com recorde de mortes

Elian Ozéias

Divinópolis atingiu, nesta sexta-feira, 28, a marca de 46 homicídios em 2025, que é o dobro registrado em todo o ano passado (23). O número foi alcançado após o assassinato de um homem de 29 anos no bairro Ponte Funda, alvejado por cerca de 20 tiros ao deixar uma oficina mecânica. 

Segundo a Polícia Militar, ele tinha diversas passagens por crimes ligados a furtos, roubos e adulteração de veículos, e seria integrante de uma quadrilha especializada em crimes automotivos.

Crime e previsão

De acordo com o capitão PM,  Reginaldo Salles, dois homens encapuzados e armados com pistolas 9mm aguardaram a saída da vítima e fugiram em um Fiat Argo prata após o ataque. Câmeras de segurança registraram a movimentação, mas a identidade dos suspeitos ainda não foi revelada.

O homicídio reforça a escalada de violência que marca o ano em Divinópolis. A maioria das vítimas é jovem: 29 dos mortos tinham menos de 30 anos. A faixa etária mais atingida é a dos 25 anos, com nove casos. O bairro Planalto aparece como ponto crítico, contabilizando quatro homicídios em 2025, o maior número dentro de uma mesma região da cidade.

Se dezembro mantiver a média, cidade pode chegar a 50 mortes

Com dois assassinatos registrados até o dia 1º de dezembro e média mensal de quatro homicídios em 2025, a cidade pode encerrar o ano com entre 48 e 50 mortes, caso o ritmo se mantenha. Isso colocaria 2025 como o ano mais violento dos últimos sete anos.

Tabela – Homicídios em Divinópolis (2025 x 2024)

MêsHomicídios 2025Homicídios 2024
Janeiro20
Fevereiro62
Março54
Abril21
Maio62
Junho34
Julho31
Agosto42
Setembro76
Outubro40
Novembro20
Total4623

Além dos crimes consumados, 14 tentativas de homicídio já foram registradas.

Naturalizamos a violência

Para o cientista social Emanuel de Morais, o fenômeno está ligado a fatores que ultrapassam a esfera policial.

— A violência é tratada como algo externo, como se fosse um mal que vem de fora. Divinópolis hoje vive um processo de naturalização da violência. Ela se repete, e a sociedade reage cada vez menos — afirma.

Ele alerta para o risco de a cidade consolidar uma imagem de insegurança:
— Divinópolis é o 10° município mais populoso de Minas, mas não aparece entre os dez mais seguros. A resposta do poder público ainda é tímida. Sem debate profundo e políticas consistentes, continuaremos enxugando gelo — conclui.

Banalização da vida

O mestre em Educação e pesquisador da UFMG Genival Souza Bento Júnior classifica o momento como expressão de um colapso social mais amplo.

— O indivíduo que puxa o gatilho já não vê a sociedade como freio moral. A violência virou uma linguagem, uma forma de resolução de conflitos. É a falência das instituições que deveriam garantir proteção, oportunidades e pertencimento — analisa.

Para ele, o cenário é alimentado por desigualdade, ausência de políticas sociais e impunidade.

— O crime se torna alternativa para quem não enxerga outras. É uma arquitetura de desamparo. Se nada for feito, esse número de homicídios vai continuar crescendo e os jovens continuarão sendo os primeiros a cair — conclui.

Escalada preocupa 

Com bairros periféricos sob maior impacto, crimes cometidos à luz do dia e vítimas cada vez mais jovens, Divinópolis vai terminando 2025 diante de um alerta: a violência deixou de ser exceção e passou a ser rotina. 

Isso significa que  previsão de até 50 homicídios até o fim de dezembro acende a necessidade urgente de políticas de segurança pública, prevenção, assistência social e presença do Estado nos territórios mais vulneráveis.

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…