Divinópolis chega a 47 homicídios em 2025 e pode encerrar o ano com número ainda maior

Elian Ozéias
Divinópolis alcançou a marca de 47 homicídios em 2025, mais que o dobro dos 23 registrados em todo o ano de 2024, e já acende o sinal de alerta para um possível recorde histórico de mortes violentas no município. Além dos crimes consumados, 14 tentativas de homicídio também foram contabilizadas ao longo do ano, indicando um cenário de escalada da violência urbana.
O último
O dado mais recente foi registrado na madrugada deste domingo, 7, quando um homem de, 29 anos, foi morto a tiros em um sítio localizado na rua Armando Gontijo da Fonseca, em Divinópolis. A Polícia Militar (PM) foi acionada após denúncias de disparos de arma de fogo e encontrou a vítima caída no chão, já sem vida, o que confirmado pelo Samu.
Com o homem, os militares recolheram uma pistola Taurus calibre 9 mm, acompanhada de três carregadores e 33 munições, além de documentos pessoais, um aparelho celular, cartão bancário e R$ 185 em dinheiro. Nas proximidades, foram encontrados cartuchos deflagrados calibre .380 e a motocicleta utilizada pela vítima, que foi removida ao pátio credenciado.
Durante as diligências, a PM localizou também um revólver supostamente utilizado no crime. No atendimento da ocorrência, outro homem chegou ao local em estado de grande exaltação e, diante do risco iminente, foi contido pelos militares. Com ele, foi apreendido um revólver calibre .38 com seis munições deflagradas. O suspeito foi preso e encaminhado à Delegacia Regional da Polícia Civil.
Ferimentos
A perícia técnica identificou perfurações no tórax e no braço da vítima. Na residência do homem assassinado, os policiais ainda apreenderam 28 munições calibre 9 mm, 18 munições calibre 38, um celular e R$ 100 em dinheiro. O autor dos disparos já foi identificado e segue sendo procurado.
Números crescentes
Os dados mostram um aumento expressivo da violência mês a mês em comparação com o ano anterior. Janeiro, fevereiro e maio de 2025 já superaram, isoladamente, os números registrados nos mesmos períodos de 2024. Setembro foi o mês mais violento do ano, com sete homicídios. Dezembro já soma uma morte, e a projeção aponta para a possibilidade de até 50 homicídios até o fim do ano.
Tabela – Homicídios em Divinópolis (2025 x 2024)
| Mês | Homicídios – 2025 | Homicídios – 2024 |
| Janeiro | 2 | 0 |
| Fevereiro | 6 | 2 |
| Março | 5 | 4 |
| Abril | 2 | 1 |
| Maio | 6 | 2 |
| Junho | 3 | 4 |
| Julho | 3 | 1 |
| Agosto | 4 | 2 |
| Setembro | 7 | 6 |
| Outubro | 4 | 0 |
| Novembro | 2 | 0 |
| Dezembro | 1 | 0 |
| Total | 47 | 23 |
Juventude e sedução do crime
Para o cientista social Emanuel de Morais, a tragédia cotidiana revela um processo profundo de desumanização.
— O crime oferece uma falsa alternativa de subversão, revolta e ascensão social, especialmente para jovens periféricos. Mas esse caminho sempre leva para a morte — analisa.
Segundo ele, a violência se sustenta em uma moralidade distorcida, que transforma o outro em “coisa” e rompe laços básicos de empatia e pertencimento social. A juventude é a mais atingida justamente por estar exposta ao desejo de consumo rápido, ao dinheiro fácil e à ausência de perspectivas concretas de futuro.
Banalização da vida
O pesquisador da UFMG Genival Souza Bento Júnior classifica o momento vivido pela cidade como reflexo de um colapso social mais amplo.
— A violência virou uma linguagem. O gatilho é puxado quando a sociedade deixa de funcionar como freio moral. É a falência das instituições, da proteção social e das oportunidades — afirma.
Segundo ele, desigualdade, impunidade e ausência de políticas públicas efetivas criam o ambiente ideal para o crescimento da criminalidade.
Alerta permanente
Com crimes cada vez mais audaciosos, ocorrendo à luz do dia, em áreas urbanas e periféricas, Divinópolis encerra 2025 diante de um desafio urgente: a violência deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina. Especialistas defendem ações integradas de segurança pública, prevenção social e presença efetiva do Estado nos territórios mais vulneráveis para conter uma escalada que segue cobrando, sobretudo, vidas jovens.
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