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Polícia

Divinópolis chega a 48 homicídios após assassinato na zona rural 

Por Bruno
Divinópolis chega a 48 homicídios após assassinato na zona rural 

Elian Ozéias

Divinópolis encerrou a noite deste sábado, 13, com mais um homicídio registrado em seu território e chegou à marca de 48 assassinatos em 2025, mais que o dobro do total contabilizado em todo o ano passado, quando foram registrados 23 casos. A ocorrência mais recente aconteceu na comunidade rural do Buritis, na zona rural do município, e teve como vítima um homem de 25 anos, idade que lidera o ranking de vítimas fatais neste ano.

A Polícia Militar (PM) foi acionada após relatos de disparos de arma de fogo. No local, os militares encontraram a vítima caída em via pública, já sem sinais vitais, com múltiplas perfurações provocadas por tiros. A equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que atendeu a ocorrência, confirmou a morte.

Segundo informações colhidas no local, o jovem havia acabado de chegar à residência. Ao estacionar o veículo na garagem, foi surpreendido pelos autores e alvejado. Testemunhas relataram ter ouvido diversos disparos, mas não conseguiram identificar características dos suspeitos, que fugiram a pé em direção a uma estrada vicinal.

A perícia técnica da Polícia Civil (PC) realizou os trabalhos de praxe, recolhendo materiais que podem auxiliar nas investigações. Durante as diligências, os militares levantaram informações sobre desavenças anteriores envolvendo a vítima e um homem de 27 anos, que foi identificado como suspeito. Até o fechamento desta edição, por volta das 16h, ele não havia sido localizado.

A vítima possuía passagens policiais por porte ilegal de arma de fogo, adulteração de sinal identificador de veículo, furto e outros crimes contra o patrimônio. O caso é investigado pela Polícia Civil.

Nota do Samu e comoção

O Samu Oeste/Centro informou em nota, que a vítima havia atuado anteriormente como técnico de enfermagem, tendo trabalhado em bases descentralizadas de Divinópolis e Carmo do Cajuru, embora não integrasse mais o quadro da instituição no momento do crime.

O presidente do CIS-URG Oeste e prefeito de Lagoa da Prata, Di Gianne Nunes, junto à diretoria e funcionários, manifestou pesar pela morte e solidariedade aos familiares e amigos.

Juventude em risco

Além dos 48 homicídios, Divinópolis contabiliza ainda 15 tentativas de homicídio em 2025. O levantamento feito pelo Agora mostra que a idade com maior número de vítimas é 25 anos, com dez casos, reforçando o padrão de violência letal concentrada entre jovens.

A comparação mensal evidencia a escalada da violência: setembro lidera com sete homicídios, seguido de fevereiro e maio, com seis cada. Em apenas um ano, o número de mortes violentas mais que dobrou.

Tabela – Homicídios em Divinópolis (2025 x 2024)

MêsHomicídios – 2025Homicídios – 2024
Janeiro20
Fevereiro62
Março54
Abril21
Maio62
Junho34
Julho31
Agosto42
Setembro76
Outubro40
Novembro20
Dezembro20
Total4823

Juventude e a sedução do crime

Para o cientista social Emanuel de Morais, a violência cotidiana reflete um processo profundo de desumanização social.

— O crime oferece uma falsa alternativa de subversão, revolta e ascensão social, especialmente para jovens periféricos. Mas esse caminho sempre leva para a morte — analisa.

Segundo ele, a juventude é a mais vulnerável por estar exposta ao desejo de consumo imediato, ao dinheiro fácil e à ausência de perspectivas concretas de futuro. 

— O outro deixa de ser visto como pessoa e passa a ser tratado como coisa — afirma.

Falhas institucionais

O pesquisador da UFMG Genival Souza Bento Júnior avalia que o aumento dos homicídios não pode ser explicado apenas pela presença ou ausência de policiamento.

— A violência é resultado da fragilidade das instituições. Escola, família, Estado, mercado de trabalho e segurança pública não estão funcionando de forma integrada — aponta.

Segundo ele, o crescimento da desigualdade social, a falta de emprego e renda, o fortalecimento do mercado do crime e a sensação de impunidade criam um ambiente em que o homicídio se torna banal. 

— O sujeito comete o crime porque já não vê a sociedade como algo que o impeça — afirma.

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