Divinópolis não registra acidentes na rede elétrica em 2024 e contribui para a queda nos casos no país

Lucas Maciel
O Brasil registrou, em 2024, uma queda significativa no número de acidentes envolvendo a rede elétrica, com pouco menos de 700 ocorrências, o que representa uma redução em relação ao ano anterior e o menor patamar desde 2017, quando a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) iniciou o levantamento. No entanto, o aumento no número de mortes, que ultrapassou as 250 vítimas fatais, é uma preocupação crescente.
A construção civil continua sendo uma das áreas de maior risco, especialmente durante o período seco, com o aumento de obras e reformas. A falta de medidas adequadas de segurança expõe os trabalhadores a perigos, como o uso de escadas próximas à fiação e a operação de ferramentas metálicas em áreas com rede elétrica.
Em relação à situação local, Divinópolis se destacou positivamente em 2024 e, segundo balanço da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), não registrou nenhum acidente com a rede elétrica. Contudo, Minas Gerais ocupa a terceira posição no ranking de acidentes com eletricidade, que inclui choques, incêndios e raios, ficando atrás apenas de São Paulo e Paraná.
Dados
Divinópolis apresentou um desempenho exemplar no ano passado, sem registrar nenhum acidente envolvendo a rede elétrica ao longo do ano, conforme dados da Abracopel. A cidade integra um grupo restrito de municípios brasileiros que conseguiram evitar esse tipo de ocorrência.
O panorama de Minas Gerais, no entanto, é mais preocupante. Apesar da contribuição de Divinópolis para os números positivos, o estado ocupa a terceira colocação no ranking nacional de acidentes envolvendo eletricidade — que inclui choques, incêndios e raios —, ficando atrás apenas de São Paulo e Paraná, com 184 ocorrências registradas.
No que diz respeito a acidentes fatais, o cenário é um pouco menos alarmante, mas ainda requer atenção. Minas figura na 10ª posição entre os estados com mais mortes por choque elétrico, totalizando 37 óbitos em 2024, segundo a Abracopel.
Embora o ano passado tenha sido positivo para Divinópolis, 2025 começou com um sinal de alerta. Em janeiro, a cidade registrou um incêndio causado por sobrecarga elétrica em um shopping, reforçando a necessidade de manter as ações de prevenção e segurança.
País
Um outro levantamento, realizado pela Abradee, mostra dados importantes no cenário brasileiro, que reduziram o índice de anos anteriores.
Os dados apontam que, em 2024, foram registrados cerca de 685 acidentes envolvendo a rede elétrica. O número representa uma queda de mais de 90 ocorrências em relação a 2023, quando foram contabilizados 782 casos. A redução de 12,4% em um ano marca o melhor resultado desde o início da série histórica da entidade, em 2017.
Ao longo dos últimos oito anos, os registros de acidentes apresentaram oscilações, com períodos de alta e baixa. Após o início da coleta de dados, em 2017, com 863 casos, o número chegou ao pico em 2018, com 891 ocorrências. A partir de então, os totais variaram ano a ano: foram 780 registros em 2019, 826 em 2020, 836 em 2021, 756 em 2022 e 782 em 2023. O dado de 2024 consolida uma tendência de queda iniciada nos últimos anos.
Mortes
No entanto, nem tudo são flores. Apesar da redução no número total de acidentes envolvendo a rede elétrica, o levantamento da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica também revela um dado preocupante: o aumento no número de mortes.
Foram 257 óbitos registrados ao longo do ano — sete a mais do que em 2023, quando houve 250 vítimas fatais.
A maioria dos casos fatais segue relacionada a atividades de alto risco, especialmente na construção civil, que lidera os registros com 65 mortes. Também aparecem como causas recorrentes os acidentes com cabos energizados no solo (37), furtos de equipamentos e condutores (29), uso de máquinas agrícolas (20) e ligações clandestinas (16).
Construção civil
O setor da construção civil segue sendo uma das principais preocupações, especialmente quando se trata de mortes. Em 2024, mais de 40 trabalhadores perderam a vida em acidentes relacionados à rede elétrica durante reformas e construções, segundo a Abracopel.
A situação liga ainda mais o alerta nesta época do ano. Com o fim do período chuvoso, a construção civil é impulsionada, já que muitas pessoas aproveitam o tempo firme para reformar ou construir.
O Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica 2025, também da Abracopel, aponta que o setor lidera os registros de acidentes envolvendo a rede elétrica, com 87 ocorrências fatais e não fatais registradas ao longo do ano passado. O dado reforça a necessidade de atenção redobrada, sobretudo no planejamento e execução de obras próximas à fiação elétrica.
Riscos
A Cemig, concessionária responsável por parte do fornecimento de energia elétrica, alerta para os riscos, especialmente em atividades que envolvem trabalho em altura, como reformas de telhados ou construção de pavimentos superiores.
De acordo com o engenheiro eletricista da estatal, Demétrio Aguiar, é crucial manter uma distância segura da rede elétrica e seguir rigorosamente as normas de segurança.
— É importante ter a máxima atenção ao içar materiais, para que eles não encostem ou se aproximem dos fios energizados, lembrando que apenas a aproximação com a rede elétrica pode causar o choque elétrico — destacou.
Além disso, o engenheiro também reforçou uma situação em que é necessário cuidado.
— Uma ocorrência que é muito comum é o choque elétrico durante a pintura de fachadas, principalmente quando o pintor, para acessar as partes mais altas, se afasta da fachada e, com isto, aproxima a extensão do rolo de pintura da rede elétrica, podendo sofrer choque elétrico — lembrou Aguiar.
Dicas
Outro ponto de atenção são os equipamentos utilizados nas obras. Cabos extensores metálicos, como os de rolo de pintura, devem ser evitados, pois são condutores de eletricidade — o mesmo vale até para cabos de madeira, que podem transmitir energia se estiverem úmidos ou em contato com a rede.
Além disso, o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como cintos de segurança e capacetes, é indispensável, sobretudo para trabalhos em altura. Em muitas situações, a queda é a verdadeira causa da fatalidade, e não o choque em si.
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