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Divinópolis prepara mudanças no transporte coletivo a partir de 2027

Prefeitura abre licitação para contratar consultoria especializada; estudos técnicos vão orientar o futuro modelo de concessão, com diretrizes para as próximas décadas

Por Jonny Reisle · Redação· 6 min de leitura
Divinópolis prepara mudanças no transporte coletivo a partir de 2027

O transporte público de Divinópolis entra em uma nova etapa de planejamento. A Prefeitura abriu uma licitação para contratar uma empresa especializada que desenvolverá os estudos técnicos para o futuro modelo de concessão do serviço, com previsão de mudanças a partir de 2027, quando termina o contrato atual com o Consórcio TransOeste. A proposta é estabelecer diretrizes para as próximas três décadas, considerando o crescimento da cidade, as necessidades dos passageiros, a qualidade dos ônibus e o custo da passagem.

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A empresa contratada realizará levantamentos, pesquisas, análises e modelagens, além de elaborar os documentos necessários à estruturação da futura concessão. O objetivo é reunir informações que permitam definir as condições de funcionamento do sistema, os investimentos necessários e as exigências para as empresas interessadas em operar o serviço.

As propostas para a contratação da consultoria deverão ser apresentadas até 18 de dezembro, por meio do setor de compras do governo federal. A expectativa da administração municipal é que, concluídos os procedimentos necessários, os estudos comecem em janeiro de 2027. O prazo para conclusão será estabelecido no termo de referência e no contrato.

Plano para décadas

A prefeita Janete Aparecida (Avante) afirma que a iniciativa vai além de uma nova licitação. Segundo ela, a modelagem deverá orientar as decisões sobre mobilidade urbana nas próximas décadas, levando em conta as características geográficas do município e as projeções de desenvolvimento.

— Não estamos falando apenas de uma nova licitação, mas de um planejamento técnico que vai estabelecer como queremos que o transporte coletivo funcione, considerando o crescimento da cidade, as necessidades da população, a qualidade dos serviços e o valor da tarifa — declarou.

A proposta busca responder a questões que interferem diretamente na rotina dos passageiros, como o tempo de espera, a distribuição das linhas, a conexão entre bairros e a oferta de veículos nos horários de maior movimento. Também serão avaliadas características da frota, idade máxima dos ônibus e a viabilidade de incorporar recursos como ar-condicionado, Wi-Fi e veículos elétricos.

Participação popular

Uma das principais etapas anunciadas pela Prefeitura é a participação dos moradores. De acordo com Janete, estão previstas pelo menos três audiências públicas para que a população apresente sugestões, relate dificuldades e contribua para a definição do novo modelo.

Em manifestação nas redes sociais, a prefeita destacou que os usuários poderão opinar sobre horários, tipo de serviço, aumento da frota e conforto dos veículos. A intenção é considerar as demandas dos passageiros junto aos dados técnicos e financeiros levantados pela consultoria.

— Essa modelagem é onde o povo pode opinar sobre horários, tipo de serviço, aumento da frota, qualidade do transporte. Por exemplo, Wi-Fi, ar-condicionado, lembrando que quanto mais quer, o preço fica compatível com os desejos. Aí a gente vai modelando para aquilo que a população quer — afirmou.

Entre as questões que deverão ser analisadas estão a necessidade de ampliar linhas em determinados bairros, manter trajetos entre as comunidades e o Centro ou criar alternativas para deslocamentos diretos entre diferentes regiões. A Prefeitura também pretende avaliar maneiras de reduzir o tempo de espera e melhorar a integração entre as linhas.

As decisões dependerão dos estudos, que deverão considerar a quantidade de passageiros, a demanda por horários, os custos operacionais e a sustentabilidade financeira do sistema. Assim, as sugestões dos moradores serão avaliadas em conjunto com a viabilidade técnica e econômica de cada proposta.

Tarifa

O valor da passagem é um dos pontos centrais da discussão. A prefeita afirma que a nova modelagem deverá buscar equilíbrio entre a qualidade do transporte e a capacidade de pagamento dos passageiros. A análise envolverá os custos de operação, o tamanho da frota, a oferta de viagens e os investimentos necessários para modernizar o serviço.

A inclusão de equipamentos, como ar-condicionado e Wi-Fi, precisará ser avaliada em conjunto com as despesas de aquisição, manutenção e operação. O mesmo vale para a ampliação de linhas e horários, que pode exigir mais veículos e trabalhadores.

A consultoria deverá fornecer os elementos necessários para que o município estabeleça as condições da futura concessão, incluindo obrigações da operadora, parâmetros de qualidade e mecanismos de fiscalização.

— Nosso objetivo é construir um transporte público moderno, eficiente, acessível e que realmente atenda às necessidades de Divinópolis. O transporte coletivo precisa facilitar o acesso ao trabalho, à educação e à saúde, além de proporcionar mais conforto, segurança e pontualidade — afirmou.

Disputa

A contratação da consultoria não significa a escolha de uma nova empresa de ônibus. Nesta etapa, o objetivo é produzir os estudos e documentos que servirão de base para a futura concessão.

De acordo com Janete, o Consórcio TransOeste poderá participar da próxima licitação, assim como outras empresas interessadas, desde que atendam às exigências estabelecidas. A definição da operadora ocorrerá posteriormente, conforme as regras do processo.

A mudança também ocorre após questionamentos sobre a concessão atual. Em 2023, a Prefeitura chegou a anular o contrato e abriu uma licitação provisória para selecionar uma empresa até a definição de uma concessão definitiva. O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), porém, anulou o procedimento, considerando que as acusações de corrupção relacionadas a empresas integrantes do consórcio estavam prescritas.

Com o encerramento do contrato atual previsto para 2027, a administração busca preparar as condições técnicas e jurídicas para a próxima etapa.

Dificuldades do sistema

A busca por um novo modelo ocorre no mesmo ano em que Divinópolis enfrentou uma greve dos trabalhadores do transporte coletivo. Em abril, a paralisação interrompeu a circulação dos ônibus e deixou milhares de passageiros sem atendimento. O movimento começou na madrugada de 17 de abril e envolveu cerca de 280 profissionais, em meio ao impasse entre o Consórcio Transoeste e o sindicato da categoria.

A situação foi resolvida após a mediação da Prefeitura. Os trabalhadores conquistaram piso salarial de R$ 3.180 a partir de maio, tíquete-alimentação de R$ 830 e manutenção do plano de saúde.

O fim da greve também foi acompanhado de mudanças na política de financiamento do transporte. Na ocasião, Janete anunciou o encerramento do subsídio municipal que mantinha a passagem em R$ 4,15. Desde 1º de maio, a tarifa paga em dinheiro passou para R$ 6, enquanto o valor para usuários do cartão Divpass ficou em R$ 5,50.

A Prefeitura justificou a decisão pela necessidade de reduzir o desequilíbrio financeiro do sistema. Dados apresentados pelo município apontavam custo mensal próximo de R$ 7 milhões para a operação e déficit superior a R$ 10,2 milhões entre janeiro e abril de 2026. A tarifa técnica, correspondente ao custo estimado por passageiro, era calculada em R$ 6,58.

Consórcio TransOeste

Com o fim do complemento tarifário, a Administração anunciou que os R$ 8 milhões previstos para o subsídio em 2026 seriam redirecionados à educação. A mudança, porém, elevou o valor pago diretamente pelos passageiros e reforçou o debate sobre o equilíbrio entre financiamento, preço da passagem e qualidade do serviço.


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