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Polícia

Divinópolis registra média de 6,5 casos de estelionato por dia 

Vítima emprestou o celular para um Pix, mas teve dinheiro retirado da conta e um empréstimo de mais de R$ 5 mil contratado em seu nome 

Por Ana Luisa Freitas · Redação· 6 min de leitura
Divinópolis registra média de 6,5 casos de estelionato por dia 

Divinópolis já soma mais de 1.500 casos de estelionato somente em 2026, o que representa uma média de aproximadamente 6,5 ocorrências por dia. Os registros mostram que as fraudes podem ocorrer de diferentes formas e atingir vítimas em situações variadas, desde abordagens realizadas por aplicativos e redes sociais até golpes praticados presencialmente. Entre as ocorrências registradas neste ano estão casos envolvendo falsas oportunidades de emprego, falsos advogados, comprovantes fraudulentos de Pix e operações bancárias realizadas sem autorização. E não para. A Polícia Militar registrou na última terça-feira, 22, mais um caso, desta vez envolvendo dois funcionários de uma de um hospital, no Centro de Divinópolis. 

Ocorrência

Segundo o registro da PM, um homem de 52 anos relatou ter emprestado o celular a uma colega de trabalho, de 31, depois que ela afirmou que precisava realizar uma transferência por Pix. Com a autorização da vítima, a mulher manuseou o aparelho e, durante o procedimento, solicitou que o colega realizasse a validação por reconhecimento facial, apresentada como necessária para concluir a operação.

Depois que o aparelho foi devolvido, no entanto, o homem percebeu que outras movimentações financeiras haviam sido realizadas em sua conta. Conforme o relato apresentado à PM, foram identificados saques em caixa eletrônico e transferências bancárias. Ao consultar o extrato, a vítima também constatou a contratação de um empréstimo no valor de R$ 5.136 em seu nome, sem que tivesse autorizado a operação. Os valores teriam sido transferidos para terceiros antes que a fraude fosse percebida.

A Polícia Militar foi acionada e compareceu ao local de trabalho para tentar localizar a suspeita e esclarecer a situação. Entretanto, os policiais foram informados de que a mulher havia deixado o posto por volta das 10h15, tomando rumo ignorado. Ela não foi localizada durante as diligências realizadas pela corporação.

A ocorrência foi registrada e encaminhada à Polícia Civil, responsável pela investigação do caso. As circunstâncias das movimentações financeiras e a eventual participação de outras pessoas deverão ser apuradas no decorrer da investigação.

Relato

O Agora conversou com uma das vítimas do golpe. Ela relata que a suspeita se aproximava dos funcionários com justificativas relacionadas a problemas bancários para pedir os celulares emprestados. Como havia uma relação de confiança entre os colegas, ninguém desconfiava de que os aparelhos poderiam ser utilizados para realizar operações financeiras sem autorização.

— Ela se aproximava de nós no ambiente do trabalho dizendo que estava com problemas no banco dela e inventava outras desculpas para pedir o celular emprestado. Como trabalhávamos juntas e confiávamos nela, entregávamos o aparelho sem jamais imaginar que ela seria capaz de fazer algo assim. Estamos devastadas com essa traição — afirmou.

Ainda segundo o relato, seis pessoas teriam sido atingidas, com valores que variam de aproximadamente R$ 5 mil a R$ 25 mil, além de duas vítimas que tiveram prejuízos de R$ 23 mil cada.

— O mais revoltante é ver como o sistema do banco foi omisso e não percebeu essas movimentações tão absurdas e fora da nossa realidade de quem ganha pouco mais de um salário mínimo. Toda essa burocracia vai deixar o que para a gente comer no final do mês? O nosso sustento básico e o de nossas famílias estão em risco real — detalhou. 

Reparação

Além das perdas financeiras, a vítima afirma que os funcionários enfrentam dificuldades para obter informações e apoio da instituição onde trabalham. O grupo pretende buscar a responsabilização dos envolvidos e a reparação dos prejuízos.

— Agora, além do trauma, temos que lutar na polícia e na Justiça para provar nossa inocência. As acusações procedem, os boletins de ocorrência já estão sendo feitos e só queremos justiça e responsabilidade de todas as partes envolvidas — concluiu.

2026

Divinópolis registrou até julho  deste ano, 1.533 casos de estelionato somente em 2026, segundo dados da Polícia Civil divulgados em agosto. O número representa uma média de 6,5 ocorrências por dia e mostra a frequência com que moradores são alvo de diferentes modalidades de fraude no município. 

Ao longo do ano, os registros envolveram estratégias variadas utilizadas para obter dinheiro, dados pessoais ou acesso às contas das vítimas. Entre os casos estão golpes praticados por meio de aplicativos e redes sociais, falsas oportunidades de emprego, falsos advogados, comprovantes fraudulentos de Pix e situações em que criminosos conseguiram utilizar dados e recursos de vítimas para realizar empréstimos e outras operações financeiras. 

Em alguns episódios, os autores criam uma situação aparentemente legítima para conquistar a confiança da vítima e, somente depois, realizar a fraude. A diversidade dos casos também mostra que o estelionato não está concentrado em um único perfil de vítima ou em uma única forma de abordagem. 

Fraudes bancárias

As movimentações financeiras aparecem em diferentes modalidades de estelionato. Além de transferências realizadas diretamente pelas vítimas, os casos podem envolver empréstimos, saques e outras operações efetuadas a partir do acesso indevido a contas ou dispositivos.

O caso registrado na semana passada na unidade de saúde, exemplifica uma das formas pelas quais esse tipo de fraude pode ocorrer. A vítima entregou voluntariamente o aparelho celular à colega, acreditando que ela realizaria uma operação específica. A partir do acesso ao dispositivo e da validação por reconhecimento facial, entretanto, outras movimentações foram identificadas posteriormente.

Com este e outros  registros semelhantes, a utilização de mecanismos de segurança para autenticar operações financeiras também passou a fazer parte das estratégias observadas em diferentes golpes. Por isso, a recomendação é que códigos de confirmação, senhas, reconhecimento facial e outras formas de autenticação devem ser utilizados somente pelo titular da conta e para operações que estejam sendo efetivamente realizadas por ele.

Alerta

Os registros ao longo do ano mostram que o estelionato não se limita às abordagens realizadas pela internet e pode ocorrer em diferentes situações do cotidiano. Entre as estratégias utilizadas estão a falsificação de identidades, o uso indevido de imagens de pessoas conhecidas, pedidos de transferências e o acesso fraudulento a contas e serviços bancários. Em muitos casos, os criminosos recorrem a informações pessoais das vítimas para tornar a abordagem mais convincente e criar uma falsa sensação de segurança.

Com a variedade de golpes, a atenção durante contatos que envolvam dinheiro, dados pessoais ou informações bancárias se torna fundamental. Pedidos urgentes de transferência, solicitações de senhas, códigos de autenticação ou reconhecimento facial e links recebidos de contatos desconhecidos estão entre os sinais que podem indicar uma tentativa de fraude. 

A orientação é confirmar a identidade do solicitante por outros meios antes de realizar qualquer operação e, diante de uma suspeita, interromper o contato e preservar mensagens, comprovantes, números de telefone e demais registros que possam contribuir para a investigação. A ocorrência também deve ser comunicada às autoridades policiais.


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