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Polícia

Dois assassinatos e uma tentativa em três dias engordam os números da criminalidade violenta em Divinópolis

Por Bruno
Dois assassinatos e uma tentativa em três dias engordam os números da criminalidade violenta em Divinópolis

Elian Ozéias 

A violência voltou a marcar os últimos dias em Divinópolis. Em apenas quatro dias, dois assassinatos e uma tentativa de homicídio reforçaram um cenário que preocupa autoridades e moradores: a cidade já soma 41 homicídios em 2025, além de 15 tentativas registradas até meados de outubro.

Homicídios 

Geferson Gabriel Alves dos Santos, de 30 anos, foi encontrado morto com marcas de tiros nesta quinta-feira, 9, em uma estrada vicinal na comunidade dos Paivas, zona rural do município. O corpo tinha perfurações de arma de fogo e, próximo a ele, foi localizado um estojo de munição, indicando que os disparos ocorreram no próprio local.

Segundo a Polícia Militar (PM), Geferson possuía passagens por tráfico de drogas, ameaça e lesão corporal. A Polícia Civil (PC) abriu inquérito para investigar a motivação e a autoria do crime.

Dois dias depois, no sábado, 11, uma mulher de 40 anos foi morta a facadas pelo próprio irmão, de 52, no Conjunto Nilda Barros, região Sudeste da cidade. O homem foi preso em flagrante por feminicídio.

De acordo com a PM, o suspeito afirmou que agiu “em defesa da mãe”, de 76 anos, durante uma discussão familiar. Mas o depoimento da idosa contradiz a versão: segundo ela, os dois filhos discutiam sob efeito de álcool, e após ser agredido com um tapa no peito, o homem perseguiu a irmã e a atingiu com um golpe de faca no também no peito.

O Samu e o Corpo de Bombeiros foram acionados, mas a vítima não resistiu. O autor foi encontrado em uma mercearia da região e confessou o crime. A faca e um par de tênis com manchas de sangue foram apreendidos.

Tentativa de homicídio 

Entre os dois casos, uma tentativa de homicídio assustou moradores do bairro Jusa Fonseca na sexta-feira, 10. Diversos disparos atingiram um carro modelo Palio Weekend branco, que ficou crivado de balas. O motorista, que seria o alvo, conseguiu fugir e se esconder em uma área de mata. A Polícia Militar fez buscas, mas o autor e a viítma não foram localizados.

Violência crescente

Os números mostram uma curva ascendente da criminalidade violenta em Divinópolis. De acordo com dados levantados pelo Agora, o município já ultrapassou o total de homicídios registrados em 2024. A maioria das vítimas é jovem e do sexo masculino, 26 dos mortos têm menos de 30 anos, com destaque para a faixa dos 25 anos, a mais atingida.

Comparativo de homicídios

Mês20242025
Janeiro02
Fevereiro26
Março45
Abril12
Maio26
Junho43
Julho13
Agosto24
Setembro67
Outubro (até dia 13)02

Raízes do problema

Para o cientista social Genival Souza Bento Júnior, doutorando da UFMG, o aumento dos homicídios revela mais que falhas na segurança pública, reflete uma crise estrutural de desigualdades.

— A violência é um problema global, mas no Brasil ela encontra terreno fértil na ausência de políticas sociais. A falta de acesso à educação, emprego e lazer amplia o sentimento de insegurança. Quando o Estado não oferece alternativas, o crime passa a ser visto como forma de reparação — analisa o pesquisador.

Ele destaca que prender mais não é sinônimo de reduzir a criminalidade. 

— Parece mais fácil encarcerar do que alinhar políticas de educação, saúde, moradia e cultura. Mas segurança se constrói com políticas integradas e com a sensação de pertencimento à comunidade — frisa.

Segundo Genival, a perda da noção de coletividade é um dos fatores que explicam a banalização da violência. 

— Deixamos de ver o outro como parte essencial da sociedade. Isso facilita o aumento da criminalidade, pois quando o outro deixa de ser humano, a vida perde valor — enfatiza. 

Opinião 

Os dados e as análises apontam que Divinópolis enfrenta uma escalada de homicídios que ultrapassa a dimensão policial. O desafio está em transformar o medo cotidiano em ações efetivas de prevenção.

Enquanto o número de mortes cresce, famílias seguem em luto e a população vive com o sentimento de insegurança cada vez mais presente. Outubro ainda nem chegou à metade, e a contagem só aumenta. 

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