É a cultura do brasileiro

Batendo Bola
José Carlos de Oliveira
Aqui pelas bandas do Brasil, para o torcedor e, principalmente, para a maioria dos formadores de opinião, a mídia esportiva, apenas o 1º colocado tem seu valor reconhecido. Ser segundo é o mesmo que ser o primeiro dos últimos, o lanterna.
Este é o ponto principal, e que incomoda muito a alguns. Esta é a razão de muitos atletas ficarem pelo caminho, desistindo de uma promissora carreira, decepcionados e angustiados com a pressão a que são submetidos, com a excessiva cobrança para serem sempre os melhores.
Isso, sem falar naqueles que pagam um preço ainda mais alto, passando a conviver com problemas de saúde, como a depressão. E sem forças para lutar contra o mal, acabam se entregando ao álcool e às drogas, destruindo o que restou de seus sonhos.
E não precisamos ir muito longe para constatar esta verdade. Os exemplos saltam aos olhos em muitos esportes, e só não enxerga aquele que se faz de cego. Deixando de lado o futebol, onde são muitas “as viúvas”, podemos tirar por base a Fórmula 1.
Depois de fazer campeões, como Fittipaldi, Piquet e, principalmente, Ayrton Senna (o maior de todos eles) o Brasil nunca mais teve um piloto à altura, alguém que ocupasse o posto deixado vago com a morte prematura, num 1º de maio, do maior de todos os ídolos nacionais, o Senna do Brasil.
E não foi por falta de bons valores, não. Muito pelo contrário. Nomes surgiram, mas foram ignorados, massacrados com a comparação com o ídolo, como se isto fosse possível.
Rubens Barrichello e Felipe Massa são sim grandes pilotos, reconhecidos e admirados por todos os colegas e, em muitos países, idolatrados pela torcida e pela mídia. Mas por aqui são completamente ignorados. Nenhuma palavra de carinho lhes é dada, o que recebem é crítica e uma cobrança acima do normal. E isso é algo desumano, que não dá para alguém engolir, sem se engasgar.
Vejam o caso específico de Barrichello. O cara é um monstro a frente de um volante, é admirado e querido por toda parte, mas no Brasil é menosprezado por muitos, simplesmente por nunca ter sido o nº 1 na Fórmula I, o campeão. Me engana, que eu gosto!
O cara é simplesmente penta campeão brasileiro de kart, campeão da Fórmula opel, campeão da Fórmula 3 inglesa, campeão da Stock Car, troféu de melhor novato e revelação na Fórmula Indy 2013, duas vezes vice-campeão mundial e uma vez 3º colocado na F1, maior recordista de provas disputadas, 68 pódios e 11 vitórias conquistadas... Ainda querem mais?
E mesmo assim, Barrichello é motivo de chacota, para aqueles que não enxergam além do próprio umbigo. Serve até mesmo de piada para alguns comediantes. A falida turma do Casseta e Planeta mesmo, que hoje não está mais com a bola toda, se cansou de fazer pouco caso com o nome dele, como se ele fosse o culpado pela morte de Senna.
Vamos parar por aqui, para não soltar os cachorros para cima desta meia dúzia de otários. Mas fica aqui um lembrete: quem vive do passado é museu. Se não querem reconhecer o valor de algum atleta, deixe que este faça seu trabalho em paz. E isso serve para todos os esportes.
Senna foi apenas 1, Pelé idem. Entenderam? Não?, então deixa para lá.
MANQUEIRAS BRASIL
Domingo de futebol no Farião
A hora é de a torcida do Bugre esquecer a decepção com os profissionais nesta temporada, e voltar suas atenções para a garotada da base, são eles que serão o futuro do time. E que ninguém se engane, se a diretoria não seguir por este caminho e, realmente valorizar jovens atletas da cidade e da região, o Guarani dificilmente voltará a dar alegrias à sua torcida.
No inflacionado futebol brasileiro dos tempos atuais esta é uma verdade que se torna mais evidente, a cada nova temporada. Clubes que não mantém uma estrutura de base nunca chegam a lugar nenhum. A todo ano, é sempre a mesma história: se armam com ciganos da bola, que chegam, nada fazem e vão embora sem deixar saudades.
O caminho mais curto, o único caminho, para voltar a figurar na elite do futebol mineiro, para o Guarani, é investir tempo e dinheiro em jovens promessas da base. Sem isso nada será possível.
E pelo que parece, a diretoria, comandada por Vinicius Morais, também pensa assim, e já há algum tempo busca valorizar o trabalho que é feito na Escolinha de Futebol e nas categorias de base. O departamento de futebol amador do Guarani ainda não deu grandes frutos, mas já se faz notar até mesmo em jogos dos profissionais, com a mudança no perfil da torcida, com mais e mais famílias vestindo a camisa, sofrendo nas derrotas e vibrando a cada conquista do Bugre.
Para a manhã deste domingo, tem um bom programa para o verdadeiro torcedor do Guarani. Está marcada uma rodada dupla, com times da base, para o estádio de Porto Velho. As equipes Sub-15 (Infantil) e Sub-17 (Juvenil), jogam no Farião, em compromissos pela Super Copa do Instituto Mineiro de Escolinhas de Futebol (Imef). A rodada dupla começa às 10h, com o confronto do time infantil. O adversário será o Fluminense, de Santa Luzia.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
