Editorial: jeitinho brasileiro
“Jovem morre após ser atropelado por motorista embriagado”. “Homem embriagado causa acidente em rodovia”. “Família morre após ter carro atingido por motorista embriagado”. “Jovem atropelada por motorista embriagada tem perna amputada”... Sem dúvida, você já leu ou já ouviu manchetes como estas, não só uma, mas várias vezes ao longo de sua vida. Infelizmente a “combinação” bebida e direção ainda existe, e o pior, segue fazendo vítimas. Os dados impressionam. A perigosa e proibida mistura causou 8,7 internações e 1,2 mortes por hora no Brasil em 2021, de acordo com as informações mais recentes levantadas pela entidade com base nos dados do Datasus, do Ministério da Saúde (MS). Foram 75.983 hospitalizações e 10.887 mortes por essa causa naquele ano. A Lei Nº 11.705/2008, mais conhecida como “Lei Seca”, completou ontem, 15 anos, e endureceu as regras para o consumo de álcool por motoristas. A norma tornou o Brasil um dos poucos países do mundo a estabelecer tolerância zero para quem dirigir alcoolizado ou sob efeito de substâncias psicoativas.
Apesar de já trazer efeitos positivos, pois nota-se a tendência de queda tanto nas mortes como nas internações entre os ocupantes de veículos e pedestres – no entanto, entre ciclistas e motociclistas, houve crescimento das internações – a irresponsabilidade ainda é grande, e continua tirando vidas. As mortes em acidentes de trânsito causados pela mistura de álcool e direção caíram 32% no Brasil entre 2010 e 2021, mas o índice de internações aumentou 34% no mesmo período. O que mais intriga nessa “conta” é o fato de o Brasil ser justamente um dos poucos países do mundo a trazer severidade para quem comete essa infração, os dados seguem impressionando. Não deveria, mas esta é a triste e cruel realidade de uma nação, que até tenta, mas nem sequer aproxima da excelência. Que até tenta, mas não consegue com que seu povo entenda e cumpra uma lei. As campanhas de conscientização estão espalhadas por todos os lados, e são de todos os tipos. Com imagens chocantes, com relatos reais e impressionantes, porém infelizmente, a falta de responsabilidade do povo ainda destrói não só vidas, mas famílias.
É triste e desolador pensar que o país tem tudo para dar exemplo, mas o “jeitinho brasileiro” coloca tudo “por terra”. Notícias envolvendo motoristas embriagados não deveriam, mas fazem parte da rotina do brasileiro. Os dados comprovam isso. É de se estarrecer a constatação de que o país até tenta, mas não consegue fazer com que a população entenda a gravidade e as penalidades que estão envolvidas quando uma decisão de “vou dirigir” mesmo após fazer a ingestão de bebida alcoólica, traz. Chega a ser estarrecedor, é o fato de que há 15 anos uma importante lei foi criada, tornando-se um grande e importante passo para se evitar tragédias nas estradas e nas cidades, porém, o país mais uma vez, não conseguiu evoluir, pois o povo não tem maturidade o suficiente para lidar com regras. E o pior: não teme as leis. É de se impressionar, que hoje notícias como essas talvez não seriam tão comuns, se o Brasil não só tentasse, mas fizesse funcionar.
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