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Em greve, servidores da Educação realizam nova assembleia hoje

Por Portal Agora
Em greve, servidores da Educação realizam nova assembleia hoje

 

Bruno Bueno

Servidores da Educação estadual realizam hoje mais uma assembleia de greve em Belo Horizonte. A categoria, que está paralisada desde semana passada, cobra recomposição salarial de 24%. O governo, no entanto, ofereceu 10% de reajuste, o que motivou a greve dos profissionais. 

O evento está marcado para as 14h no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

 

Divinópolis

A paralisação dos servidores atingiu diversas escolas estaduais de Divinópolis. De acordo com informações do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), pelo menos 20 unidades escolares estão sem aula desde a última segunda no município.

 

Lucas Henrique, aluno da E.E. Joaquim Nabuco, uma das instituições paradas, disse que a greve não pegou os estudantes de surpresa.

— Os professores já estavam nos avisando sobre a possibilidade. Recebemos a informação através do grupo de WhatsApp. Até o momento não tem previsão de retorno — disse.

 

Entenda

Os servidores estaduais, impulsionados pelo Sind-UTE/MG, cobram uma recomposição salarial de 24%. O valor é estipulado no Piso Salarial Profissional Nacional. Sem a solicitação atendida pelo governo, a classe, em conjunto, decidiu pela greve em todo o Estado de Minas Gerais. A decisão foi tomada em assembleia na última terça, 8, e a greve começou no dia seguinte.

Os alunos, que ficaram quase dois anos sem aulas presenciais, haviam retornado para as escolas no dia 7 de fevereiro.

 

Reunião

Representantes sindicais da Educação e membros do Governo do Estado se reuniram na última segunda para tentar uma conciliação. O encontro contou com a presença da coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Denise Romano, da secretária adjunta de Educação, Geniana Guimarães, além de outros membros de ambas partes. 

A reunião terminou sem acordo. A audiência contou com a abertura do processo de mediação e negociação do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O Governo foi questionado por não apresentar propostas de cumprimento do Piso. 

— O Sindicato relatou todas as tentativas de negociação da categoria desde 2019. Foram 19 reuniões somente com a Seplag, além de 39 documentos de cobrança sobre o pagamento do Piso. Também relatou a defasagem salarial que a categoria sofre desde 2017, além dos riscos com a eventual aprovação do Regime de Recuperação Fiscal, que poderá impor 14 anos de congelamento salarial — afirmou o Sindicato em nota.

 

Dinheiro

Segundo membros do Sind-UTE/MG, o Estado mente quando afirma que não há recursos financeiros disponíveis para conceder a recomposição.

— O Sindicato também apresentou a existência de disponibilidade financeira por parte do Estado diante do aumento de recursos do Fundeb e recursos do MDE (Manutenção e Desenvolvimento do Ensino) — disse.

 

Uma nova reunião foi agendada para amanhã. As negociações devem continuar entre ambas partes. 

— Diante da ausência de propostas por parte do Estado, o desembargador Dr. Newton solicitou ao Sindicato a apresentação de propostas para o cumprimento do Piso — relatou o Sindicato em nota.

 

O que diz o Estado?

Em nota divulgada a veículos de imprensa de Belo Horizonte, o Governo do Estado confirmou a participação na reunião e ressaltou que não poupa esforços e investimentos no setor.

— O Estado reforça que  tem mantido diálogo com representantes sindicais. Os canais de comunicação continuarão abertos para que as demandas da categoria possam ser debatidas. Em 2021, o Governo alcançou o seu maior investimento em educação da história, com a destinação de 17,7 bilhões para a Manutenção e Desenvolvimento de Ensino — disse.

Surpreendentemente, o Estado também afirma que não recebeu relatos de paralisação em escolas públicas estaduais de Minas.

 

— Até a última sexta-feira, foi reportado funcionamento normal na maioria das escolas públicas estaduais mineiras. Com o intuito de preservar e respeitar os direitos dos estudantes, será elaborado um cronograma de reposição de aulas caso haja necessidade — ressaltou.

 

Retroativo

A fim de amenizar o conflito, o governador do Estado, Romeu Zema (Novo), autorizou, no mês passado, a retroatividade do reajuste para o mês de janeiro. O chefe do Executivo também elencou outros benefícios que serão concedidos para a categoria.

— Para os profissionais da Educação o reajuste de 10% será retroativo a janeiro. Uma conquista que se soma à recente incorporação dos abonos e o pagamento das férias-prêmio. Além disso, enviaremos ao longo do ano projeto que regulamentará uma bonificação adicional pelo desempenho das escolas e alunos — relatou à época.

Zema, no entanto, já se mostrou irredutível sobre recomposição salarial. Em entrevista na semana passada, o governador falou sobre a greve da Segurança Pública e disse que o Estado não tem condições de aumentar a proposta de 10% para nenhum setor do funcionalismo público. 

Ele, inclusive, relatou que prefere perder a eleição do que causar uma possível crise financeira nos cofres públicos de Minas Gerais.

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