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‘Está bem distante do que esperamos’, diz  presidente de sindicato  sobre proposta  do Consórcio Transoeste

‘Está bem distante do que esperamos’, diz  presidente de sindicato  sobre proposta  do Consórcio Transoeste

Lucas Maciel

O impasse sobre o reajuste salarial dos motoristas do transporte coletivo de Divinópolis segue sem ser resolvido. Um novo encontro foi realizado na manhã desta segunda-feira, 24, e o Consórcio TransOeste apresentou uma proposta, que foi considerada baixa pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários e Urbanos de Divinópolis (Sinttrodiv). 

O sindicato reforçou a urgência da situação, apontando que a defasagem salarial e as condições de trabalho seguem sendo questões críticas para os motoristas. Por outro lado, o Consórcio explicou que as dificuldades econômicas do setor são um fator importante para a limitação da proposta.

Agora, a pressão recai sobre a assembleia marcada para quarta-feira, 26. O Sinttrodiv alertou que, caso a oferta seja rejeitada pelos motoristas, o sindicato poderá adotar medidas mais drásticas, incluindo a paralisação das atividades. A continuidade da negociação deixa o cenário de uma possível greve ainda em aberto.

O Agora acompanhou novamente a reunião  nesta segunda-feira, a terceira, e conversou com representantes das partes envolvidas nas tratativas. 

Negociação

A nova reunião de negociações coletivas sobre o reajuste salarial dos motoristas do transporte coletivo de Divinópolis foi realizada na sede do Sinttrodiv, e, até o momento, não trouxe avanços significativos, mantendo o impasse que já perdura há semanas. 

O encontro, que envolveu representantes do sindicato, do TransOeste, da Prefeitura e da Câmara, teve como principal objetivo discutir o reajuste salarial da categoria, que tem data-base em 1º de março.

Proposta

O Consórcio TransOeste, responsável pela operação do transporte coletivo, novamente destacou a crise econômica do setor e a necessidade de equilíbrio nas finanças. Por isso,  foi realizada uma oferta de 4% no salário dos motoristas. 

A proposta foi prontamente rejeitada pelo Sinttrodiv, que considerou o valor muito abaixo das expectativas da categoria. As reivindicações feitas pelos trabalhadores exigem, de acordo com o sindicato, reajustes mais condizentes com a realidade econômica e a valorização da profissão. 

Posicionamentos

Ainda em dezembro, o sindicato enviou uma série de melhorias e pedidos ao consórcio. O salário solicitado era próximo aos R$ 4 mil, muito longe da proposta realizada na reunião. Vale lembrar que o salário atual dos trabalhadores está próximo aos R$ 2.550. O presidente do Sinttrodiv, Erivaldo Adami, falou sobre as tratativas. 

— Estávamos esperando que os representantes do consórcio, juntamente com o secretário municipal, trouxessem uma contraproposta para nós. Ela veio, mas ainda está muito aquém daquilo que o trabalhador reivindica — explicou o presidente.

Apesar da recusa inicial, o representante jurídico do TransOeste, Glauco Ribeiro, destacou que a negociação passa a caminhar. 

— A situação está caminhando. Hoje o consórcio apresentou uma proposta, ela foi acolhida pelo presidente para ser levada à assembleia para que os trabalhadores possam se manifestar e, se for o caso, apresentar uma contraproposta para avaliação do consórcio. Estamos aguardando — destacou.  

O município segue acompanhando as tratativas, de acordo com o secretário de Trânsito, Segurança Pública e Mobilidade Urbana (Settrans), Lucas Estevam. 

— A gente vem acompanhando a situação de perto desde o ano passado, quando projetamos o subsídio. Hoje tivemos uma garantia de que mesmo que seja alertado um estado de greve nas próximas horas, uma paralisação aconteceria somente após o dia 10 de março, mas a gente espera que isso não aconteça e todos cheguem a um acordo, de forma que atenda todas as partes — reforçou o secretário. 

Assembleia

Apesar do impasse, o sindicato apresentará a proposta na assembleia dos motoristas, marcada para quarta-feira, 26. Os trabalhadores decidirão se aceitam ou rejeitam a proposta. 

Caso a oferta continue sendo considerada insuficiente, o Sinttrodiv não descarta a possibilidade de iniciar um movimento grevista. Porém, após a assembleia, o sindicato também não descarta convocar uma reunião emergencial com o consórcio para realizar uma contraproposta. 

Se a decisão for por entrar em estado de greve, o Sinttrodiv deve realizar um ofício notificando a Prefeitura e as forças de segurança sobre a possibilidade de uma greve, que poderá ser iniciada 72 horas após o aviso. 

No entanto, Erivaldo Adami adiantou ao Agora que uma possível paralisação só acontecerá após o Carnaval. 

— Eu não acredito que vamos ter sucesso nessa negociação sem uma paralisação. Mas dependemos da decisão desta assembleia para que possamos decretar o estado de greve, comunicar o estado de greve para que a paralisação aconteça depois do Carnaval — reforçou o presidente. 

Subsídio

Após o encontro de negociações coletivas, na semana passada, representantes da Prefeitura — incluindo o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), e o secretário de Trânsito, Lucas Estevam — e do Consórcio Transoeste tiveram uma reunião, para tratar pontos envolvendo o subsídio passado pelo Executivo. 

— Alinhamos com os empresários a questão do subsídio, que já foi decretado, o que o município consegue fazer e a gente pediu para eles que fizessem o maior empenho possível que pudessem acatar o que fique equilibrado para eles e para os motoristas — disse. 

O prefeito Gleidson Azevedo (Novo) anunciou no dia 7 de janeiro que, pelo quinto ano seguido, as tarifas de ônibus urbanos em Divinópolis não terão aumento. Para manter os preços inalterados, a Prefeitura está usando uma parte da indenização de R$ 70 milhões recebida em apoio judicial da Copasa.

A parte usada para este fim, de acordo com o Executivo, foi de cerca de R$ 11,5 milhões. 

Futuro

A negociação ainda está longe de uma solução, com o sindicato enfatizando a urgência de um reajuste justo e condizente com as necessidades da categoria. A data-base, que está marcada para 1º de março, foi mantida, mas as negociações foram prorrogadas até o dia 20 de março, na esperança de que um acordo possa ser alcançado até lá. Enquanto isso, a tensão aumenta entre os motoristas, que aguardam com ansiedade os desdobramentos da assembleia e a decisão sobre possíveis mobilizações.

O futuro do transporte coletivo em Divinópolis segue incerto, com a continuidade das negociações deixando em aberto a possibilidade de uma paralisação, caso as demandas da categoria não sejam atendidas.

Olho: “Está bem distante do que esperamos” - presidente do Sinttrodiv, Erivaldo Adami 

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