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Fala de governador sobre hospitais regionais é questionada nas redes

Por Portal Agora
Fala de governador sobre hospitais regionais é questionada nas redes

Matheus Augusto

 

Entrevista do governador Romeu Zema (Novo) à TV Globo na semana passada, gerou críticas nas redes sociais. Zema citou Divinópolis entre as quatro cidades onde as obras dos hospitais regionais foram retomadas - juntamente com Sete Lagoas, Conselheiro Lafaiete e Teófilo Otoni. 

— Temos centenas de trabalhadores nesse momento trabalhando nessas unidades — afirmou.

A fala foi alvo de questionamentos e críticas. A deputada estadual Lohanna França (PV) usou suas redes sociais para classificar a declaração de Zema como mentirosa, pois "eu não vi um dia de obra aqui". No vídeo, gravado no próprio hospital, Lohanna mostra a ausência de movimentação e melhorias no local. 

— Vejam se dá para, em algum planeta, a gente chamar isso aqui de mais adiantado ou mais resolvida ou eficiente, já que essa é a palavra que o governador gosta. É muito fácil falar em entrevista que o hospital de Divinópolis é a situação mais adiantada, a mais resolvida, a mais avançada, quando a maior parte das pessoas nem sabe onde fica esse hospital — criticou.

A parlamentar reforçou a importância da conclusão da estrutura. 

— Aqui tem espaço para leitos que poderiam salvar milhares de vidas todos os meses na nossa região, que abrange 53 municípios — frisou.

E concluiu com: "Zema mente que nem sente".

 

Aos fatos

 

Pelo valor de R$ 39,5 milhões, a empresa EF Construtora Ltda venceu a licitação para retomar e concluir o hospital regional de Divinópolis. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), cerca de 61% das obras haviam sido concluídas antes da interrupção, entre 2010 a 2016. 

O governador esteve na cidade no dia 10 de fevereiro para assinar a Ordem de Serviço, autorizando a empresa a iniciar os trabalhos. No entanto, conforme previsto em contrato, a retomada acontece em duas etapas. Na primeira, com prazo de 360 dias, é prevista a elaboração de projetos. Na segunda e última, em até 540 dias, será realizada a execução e conclusão da obra, até fevereiro de 2025.

Durante a assinatura da Ordem de Serviço em Divinópolis, o subsecretário de Obras e Infraestrutura do Estado, Breno Longobucco, detalhou o processo. O desafio da secretaria, explicou, era determinar a readequação do que já foi feito com a realidade atual. Ele citou, por exemplo, mudanças de regras da Vigilância Sanitária, uso de materiais obsoletos e outros fatores que demandam atualização antes da obra ser, de fato, reiniciada. 

— O projeto é de 2009. De lá para cá, muita coisa mudou, o cenário não é o mesmo de atualmente — justificou. 

Usualmente, o Estado abriria uma licitação para definir a revisão do projeto arquitetônico e, posteriormente, um novo processo para a execução e conclusão da obra. Para agilizar, as etapas foram unificadas. Com isso, no caso do Hospital Regional de Divinópolis, a mesma empresa revisará o projeto original e executará a obra. 

— Isso traz celeridade, reduz os riscos de aditivos e temos um risco de paralisação menor — citou.

 

Custeio

 

Zema garante que a obra não será paralisada novamente por falta de recursos, uma vez assegurada a indenização paga pela Vale em decorrência da tragédia de Brumadinho.

 

— O principal obstáculo que uma obra pública sempre enfrenta é a disponibilidade de recursos financeiros e essa questão já está equacionada. Já temos esse recurso reservado para a conclusão do hospital regional de Divinópolis — declarou durante a visita à cidade.

O governo estadual também financiará o início do funcionamento, em especial nos três primeiros anos, até a unidade conseguir se habilitar junto ao Ministério da Saúde para receber recursos federais.

— O custeio está garantido já por uma resolução do governo do Estado de 2021, que pagamos por leito aberto pelo SUS [Sistema Único de Saúde], tanto de enfermaria quanto de CIT, além da contribuição do governo federal e do município, que é natural — explicou o secretário de Saúde de Minas, Fábio Baccheretti.

A administração será definida através de um edital de concessão para Organização Social (OS), a ser definida por licitação, ainda sem data para acontecer.

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